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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

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Do frentismo de direita

25.09.15

 

 

 

 

"Assistimos a um repetido frentismo de direita que é "impossível" à esquerda. Os portugueses foram formatados por essa agenda de direita que tem raízes no período anterior ao 25 de Abril", disse o historiador na TSF. É uma agenda muito parecida com o "tudo estava mal na escola pública" que nasceu logo na década de noventa do século passado. Como na política os extremos tocam-se, as democracias procuram o centro político e daí as maiorias silenciosas e os arcos governativos. A democracia portuguesa não se liberta de algumas heranças, isso "apaga" as memórias e dai a "o fechar de olhos" para o frentismo de direita enquanto se diabolizam coligações à esquerda. Para a tese vigente, os esquerdistas são os únicos tresloucados promotores da bancarrota. Mesmo que os factos demonstrem o contrário, a agenda de direita renova-se com todo o desplante e uma qualquer aliança à esquerda é de imediato anulada pela própria esquerda que integra a maioria silenciosa. Até o fervor com que a direita apoiou o socratismo de 2005 a 2009 é agora obliterado enquanto se quer convencer as pessoas que o buraco BES de 2015 é défice "virtuoso" ao contrário, por exemplo, do BPN e BPP de 2011. Quatro anos de frentismo de direita tem o resultado conhecido: mais dívida, défice com truques contabilísticos e emigrações e quebras na natalidade com prejuízos ainda incalculáveis.

 

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da blogosfera - pedro lains: novo banco: por que fomos mal governados

25.09.15

 

 

 

 

 

"Novo Banco: por que fomos mal governados

 

"O actual governo português entregou-se nas mãos da troika, e só não se lembra quem não quer. Uma das consequências disso foi que não negociou apoios directos aos bancos nacionais aflitos, isto é, apoios vindos directamente do BCE (ou dos fundos europeus). Obteve, ao contrário, empréstimos ao Estado, para este depois emprestar aos bancos. E isso criou mais défice, mais dívida e a juros mais altos. Espanha e Irlanda, esta só a partir de certa altura, não fizeram assim. Para estes países, o BCE funcionou como banco central, isto é, a instituição que ajuda bancos em dificuldades, uma invenção com mais de cem anos. O Estado português endividou-se para salvar o BPN; o estado espanhol e o irlandês não se endividaram quando salvaram os bancos que por lá tiveram problemas. Nem, fora do euro, o britânico ou norte-americano, naturalmente. Ora, agora, no caso do BES, a coisa ainda foi mais diferente, por assim dizer, e ainda pior. Em vez de vir dinheiro do BCE para o banco, obrigaram os bancos nacionais a pôr dinheiro num fundo, um imposto, portanto, em prejuízo do sistema financeiro, e esse dinheiro não chegou - e lá veio novamente o Estado. Já estamos todos confusos, mas é simples: regra geral, quem salvou bancos na Europa foi o BCE (ou coisa parecida, não interessa), sem aumentar dívida pública e a juros mais baixos; quem salvou bancos em Portugal - e na Grécia - foi o Estado, pagando juros mais altos, criando mais défice e aumentando a dívida pública. A coisa foi mesmo assim: injusta. E o governo de Passos aceitou-a e nunca contestou."