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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

stiglitz e piketti com os trabalhistas britânicos?

30.09.15

 

 

 

 

É bom sinal que Stiglitz e Piketti passem a assessorar a nova liderança dos trabalhistas britânicos. Os partidos do arco, e a legião de comentadores e de opinadores que os acompanham, é que não devem gostar que os tais "radicais" de esquerda se apresentem como alternativa "responsável" e que a Europa volte a ser plural.

avaliação, produtividade e democracia

30.09.15

 

 

 

Não é rigoroso, e é até pior do que isso, generalizar a ideia: não querem é ser avaliados.

 

Como a "prestação de contas" foi a expressão-chave mais repetida no que levamos de milénio pelos que a exigiam aos outros, o esmagamento das classes média e baixa usou essa formatação burocrática em clima de totalidade enquanto a classe de casino se movimentava na libertada engenharia financeira. Foram poucos os que resistiram (não queriam ser avaliados, claro), e não era mesmo nada fácil, e sofreram com isso. 

 

As administrações públicas foram alvos semelhantes às empresas, com uma analogia mais evidente com as de grande escala. A avaliação de desempenho burocrática, com fuga aos "olhos nos olhos", foi o método de controle escolhido que se transformou em "tormento". Está comprovado que os processos administrativos de avaliação não introduziram aumentos na produtividade. A robotização, que consegue, grosso modo, que uma pessoa produza o mesmo que três é uma discussão cada vez mais presente e aumentam as vozes que "exigem" aos robots descontos para a segurança social. Mas isso já é tergiversar e nada tem a ver com a avaliação burocrática.

 

Por outro lado, a redução de salários foi um objectivo plenamente conseguido; mas não foi o único aspecto negativo.

 

A democracia foi desaparecendo das organizações. A possibilidade da pergunta de proximidade foi substituída pela burocracia numa engrenagem diabólica que favoreceu o controle como método relacionado com o temor. A atmosfera relacional intoxicou-se e a produção reduziu-se desde logo pelo tempo gasto em registos repetidos e inúteis pomposamente designados pelo vocabulário da má burocracia. As organizações abandonaram os ideais de inovação e simplificação e deram lugar ao controle mútuo das pessoas. A cooperação foi substituída pela obsessão individualista associada aos fenómenos mais conhecidos do mundo do trabalho actual: desesperança, saturação, fuga, burnout out e medicação excessiva e sem controle.

 

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da difícil equação eleitoral

29.09.15

 

 

 

 

Mesmo que haja água salgada em Marte, quem quer uma "derrota definitiva" de Passos e Portas, semelhante à de Sócrates, tem de equacionar a vitória do PS apesar da memória dos seus últimos governos rejeitar (o pavor aos socratistas e aos absolutismos diversos) uma maioria absoluta. Pode ser um legado injusto para António Costa, como também será injusto e descontextualizado para a CDU e o BE apontar-lhes a queda de Sócrates (e a chegada da troika) "coligados" com o PSD e o CDS. E o dilema acentua-se em modo interrogativo: como votar para garantir que a coligação perde e o PS não tem maioria absoluta?

 

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a coligação apela às cruzinhas?

28.09.15

 

 

 

 

"O FMI fechou a delegação em Portugal e é mais um sinal que temos o trabalho feito" disse Portas no dia em que a comissão europeia afirmou que o Governo tem margem para aumentar impostos por causa da derrapagem orçamental de 2015. A delegação do FMI veio em 2011, e por três anos como é regra no planeta terra, "mas em Portugal ficou mais um por causa de umas coisas irrevogáveis que transmitiram instabilidade". Mas o áudio da TSF registou outra tirada de Portas algo enigmática (uma espécie de despedida ou má forma?) para esse especialista em sound bites: "Ponham as cruzinhas na coligação".

 

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arquivo de repetições: estarão os eleitores completamente alheados ou fingem que não percebem?

27.09.15

 

 

 

 

Se os eleitores ficarem "totalmente" indiferentes à banalização do mal ou da mentira, uma democracia deve preocupar-se com a saúde. Sabemos da antiga presença da mentira em campanhas eleitorais, mas há limites. Quando o INE inscreve 4,9 mil milhões de euros no défice de 2014 que atinge uns tresloucados 7.2%, é inadmissível que Passos, sem mexer um músculo da face, anuncie uma vitória através dos juros a receber pelo Estado. O Estado emprestou ao fundo de resolução através de um empréstimo que contraiu; juros pagos com juros. A menos que a tortuosidade de Passos o levasse a pensar que o Estado emprestou à banca o que o Governo cortou além de troika: o que era ainda mais indecente. Défice, dívida, além da troika e emigração de piegas são outros ridículos em que caiu Passos Coelho. Era impensável o tratamento dado aos portugueses: sois parvos, insiste o candidato. Percebe-se ainda melhor o afastamento preocupado de Ângelo Correia, Ferreira Leite ou Pacheco Pereira. Mas a desfaçatez do "gerente" Passos é tal que anunciou um parabéns ao "sem medo" Tsipras. É impressionante esta descida para além do fundo.

 

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arquivo de repetições: coisas óbvias

27.09.15

 

 

 

 

À direita é coligação, ao centro é patriotismo e à esquerda é frentismo. O conceito de aliança na democracia portuguesa tem olhos diferentes para os três substantivos: os dois primeiros abençoados e o terceiro diabolizado. Os dois primeiros originaram sucessivas bancarrotas para gáudio de financiadores, enquanto o terceiro, o eterno e único "irresponsável", assumiu as vestes da catalogação "distraindo-se" com infernizações internas.

 

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Do frentismo de direita

25.09.15

 

 

 

 

"Assistimos a um repetido frentismo de direita que é "impossível" à esquerda. Os portugueses foram formatados por essa agenda de direita que tem raízes no período anterior ao 25 de Abril", disse o historiador na TSF. É uma agenda muito parecida com o "tudo estava mal na escola pública" que nasceu logo na década de noventa do século passado. Como na política os extremos tocam-se, as democracias procuram o centro político e daí as maiorias silenciosas e os arcos governativos. A democracia portuguesa não se liberta de algumas heranças, isso "apaga" as memórias e dai a "o fechar de olhos" para o frentismo de direita enquanto se diabolizam coligações à esquerda. Para a tese vigente, os esquerdistas são os únicos tresloucados promotores da bancarrota. Mesmo que os factos demonstrem o contrário, a agenda de direita renova-se com todo o desplante e uma qualquer aliança à esquerda é de imediato anulada pela própria esquerda que integra a maioria silenciosa. Até o fervor com que a direita apoiou o socratismo de 2005 a 2009 é agora obliterado enquanto se quer convencer as pessoas que o buraco BES de 2015 é défice "virtuoso" ao contrário, por exemplo, do BPN e BPP de 2011. Quatro anos de frentismo de direita tem o resultado conhecido: mais dívida, défice com truques contabilísticos e emigrações e quebras na natalidade com prejuízos ainda incalculáveis.

 

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