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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da série "os clássicos da ocde"

10.07.15

 

 

 

 

"Gregos são os que trabalham mais horas na Europa, alemães no pólo oposto", diz o Expresso através de mais um estudo da OCDE que se confessa pouco rigoroso. Até dá jeito que se contem as horas assim, mas já se sabe que o argumentário também permite afirmar que os alemães trabalham menos horas mas produzem muito mais e por aí fora. Os olhos do fanatismo ideológico até ajeitam as folhas excel e a tese dos preguiçosos desorganizados ganha logo força. O que se sabe é que a maioria desses relatórios, e salvo melhor opinião, servem para alimentar tecnocratas que estão na estratosfera, mas que têm que produzir uns clássicos (com todo o respeito pelos verdadeiros clássicos).

da rotina e da abertura do ano lectivo

10.07.15

 

 

 

E daqui a uns dois meses o MEC sentenciará: "(...)escolas que não abrem são casos pontuais(...)".

 

É natural alguma falta de pachorra para aturar um MEC que desrespeita, há anos a fio, a cultura organizacional das escolas e que despreza três valores preciosos: organização, conhecimento (que inclui as escolas) e gestão do território.

 

A análise crítica pode partir de variáveis diversas. Escolhi uma e fui buscar um post que teima em se eternizar.

 

 

 (1ª edição em 26 de Março de 2012)

 

 

 

Desde o início do milénio que se tem escrito sobre o fenómeno em curso dos agrupamentos de escolas. Sejamos claros: as escolas do primeiro ciclo e os jardins de infância perderam alguma da parca capacidade de decisão, mas não é muito significativo que passem a vida a mudar de escola sede. A nossa balbúrdia organizativa é tal, que o português é especialista em planear depois do caos consumado nem que seja uma bancarrota.

 

As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas raramente estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. Nos dois últimos anos, os agrupamentos incluíram mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário. Parece que tem corrido mal e, portanto, generaliza-se.

 

As agregações ou unidades administrativas incluirão duas ou mais escolas com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário, mas o modelo de gestão será o mesmo das escolas não agrupadas. Ou seja, com excepção das escolas sede, as outras funcionarão, em regra, sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupos disciplinares, coordenadores de directores de turma e serviços administrativos. E mais: não significa que todos esses membros, no caso dos professores, leccionem na escola sede. Será um modelo bem anarca e lusitano e pronto a exportar para solo lunar.

 

Podia fazer-se muito melhor, desde logo ao nível dos conselhos locais de Educação (se existissem ou se os executivos e assembleias municipais soubessem alguma coisa deste assunto), e com melhores resultados financeiros e organizacionais. Mas isso fica para outro dia que o post já vai longo.

 

Mesmo a História mais recente diz-nos que as escolas abrem todas em Setembro e que, nos primeiros dias de aulas, alunos e professores têm horários e salas de aula. Se os professores não desagradarem muito aos alunos, os encarregados de educação encerram as suas preocupações. Os outros cidadãos pensam que estes assuntos são estrangeirados e lá sabem porque é que raciocinam assim. Mesmo que uns e outros desconheçam que cerca de 60% do sucesso dos alunos depende do que se passa fora da escola e que os cerca de 40% restantes ficam à mercê da organização escolar, há um aviso que se deve fazer: o plano inclinado do actual sistema escolar consegue sempre descer mais um grau abaixo de zero.