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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da (in)coerência da coligação de direita

31.07.15

 

 

 

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"PSD e CDS querem mais apoio financeiro para famílias com filhos em colégios". Esta intenção associada às ideias de privatização do sistema escolar tem um mérito: é coerente. Como temos assistido a um discurso de completa oposição ao actual Governo por parte de Passos Coelho, estas soluções comprovadamente falidas do "guião da reforma do Estado" colocam a coligação no lugar.

 

"a escola pública entrou em ruptura; os alunos aprendem pouco; as escolas públicas são más ou pioram a cada ano; estamos a ficar para trás nos testes internacionais; as escolas públicas não contribuem para o crescimento económico e começam a colocar em causa a nação; as escolas públicas já não vão lá com meias-medidas; as escolas públicas devem ser fechadas em larga escala e os professores despedidos. Mas mais: o discurso que acabei de escrever foi defendido pela direita e pela esquerda que aspirava a governar, foi defendido pelas "elites" que preenchiam os média mainstream e por aí fora. Quem se atrevesse a defender o contrário era acusado de dar lugar ao status quo."

O parágrafo que está em itálico é de Diane Ravitch (com adaptação à sua realidade, obviamente), ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita, portanto, e pode lê-lo na obra da ex-governante, "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América). 

 

A direita americana chegou a este ponto depois de sucessivos falhanços com a privatização de escolas, com o cheque-ensino, com os modelos hiperburocráticos de avaliação de professores e por aí fora. Por cá, o programa da coligação de direita, por exemplo, faria corar de vergonha Diane Ravitch.

 

Argumentemos com pragmatismo: os resultados escolares que o mainstream tanto acusou foram desmentidos pelos estudos internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study).

 

Custa ver como se continua a omitir estas evidências e a não prestar contas. Espera-se que a campanha eleitoral permita uma verdadeiro contraditório nas políticas educativas e que a defesa da escola pública não fique apenas "para os que protestam".

a liberdade evolui?

30.07.15

 

 

 

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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 

dos exames dos miúdos e do mais do mesmo

29.07.15

 

 

 

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"Foram poucos os alunos que conseguiram passar depois de repetir os exames", diz o Público em referência aos exames dos 4º e 6º anos.

 

Fui ao histórico do blogue e encontrei uma notícia igual datada de 27 de Junho de 2014: "Apoio extra para alunos fracos a matemática e a português é um "engodo"". Sabemos que os exames são terreno fértil para a demagogia e o populismo nas sociedades atrasadas. Por isso são tão mediatizados. Mas vou colar "o que escrevi" há um ano e espero não o voltar a fazer no próximo.

 

"Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.(...)"

da mudança necessária

29.07.15

 

 

 

O sistema escolar tem sido tão devastado por reformistas compulsivos, e comprovadamente impreparados, no que levamos de milénio, que a desesperança e o cansaço são de tal ordem que corremos o risco das medidas tresloucadas se perpetuarem. Se alguém soletrar a palavra mudança, ouvirá de imediato: outra vez? E, como todos sabemos, não faltam disparates a corrigir com urgência ou a eliminar.

da adse da Educação ou dos amigos do BES e do BPN

26.07.15

os professores foram silenciados durante a troika?

25.07.15

 

 

 

Os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Não teve o impacto mediático das grandes manifestações (há hoje, e até em 2012, menos professores, 100 mil, do que os que se manifestaram em 2008,140 mil de 170 mil), mas atingiu objectivos de forma mais precisa. Se não o tivessem feito, mais de 10 mil professores dos quadros seriam empurrados para uma injusta e brutal requalificação rosalina e mais uns 10 mil ficariam sem contrato. Ou seja, aos 30 mil eliminados que refere o chefe do Governo acrescentaríamos 20 mil.

 

É bom que se sublinhe, e nesta altura mais ainda, que as lutas valem a pena. Está em vigor um despacho de crédito de horas que disfarça os cortes a eito dos além da troika: alunos por turma, cortes curriculares, horários dos professores e mega-agrupamentos. E já se sabe: se estes cortes a eito se mantiverem, basta que um Governo elimine o referido despacho para que a tragédia se acentue.

 

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duques e cenas tristes

23.07.15

 

 

 

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"Só saem duques e cenas tristes", dizia-me alguém a propósito da sucessão de personagens que têm saído em sorte. Já há muito que não ouvia esta expressão dos jogos de cartas, mas sorri e fiquei a pensar, realmente, no género duque que sempre se presta a cenas tristes.

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