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Correntes

em busca do pensamento livre

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Sociedades atrasadas são mais desconfiadas

21.06.15

 

 

 

E quais são as instituições mais confiáveis nas sociedades mais atrasadas? As religiosas, diz o estudo do Público do passado fim de semana, e as da alta finança, digo eu e já explico.

 

Na página 15 da revista, e citando Pedro Magalhães, lê-se que "para pessoas como Putnam, a origem deste capital tem a ver com as instituições políticas no passado serem mais ou menos centralizadas, hierarquizadas, autoritárias; quanto mais, maiores os padrões de desconfiança". Villaverde Cabral "adverte que no caso português havia um indicador nada desprezível: o distanciamento ao poder é inversamente proporcional ao nível de educação".

 

Quem conheça o sistema escolar português não vacilará na conclusão: a hiperburocracia, por exemplo, deve-se a um estado insuportável de desconfiança. Por outro lado, a história recente comprovou a generalização da desconfiança para cima das classes média e baixa (quem não se lembra do mil vezes repetido: não prestam contas) enquanto a alta, com os casos BES & BPN como expoentes, vivia numa roda livre da máxima confiança.

 

Voltando ao sistema escolar, e agarrando num exemplo do momento, pensemos no acesso ao ensino superior: o júri nacional de exames montou paulatinamente uma teia que divinizou a desconfiança num processo de exames que equivale a 30% da nota de acesso, enquanto que estudos recentes comprovaram que há mais de uma década que há instituições mais endinheiradas que cometem irregularidades graves, e que têm provocado injustiças brutais e "irreparáveis", nos outros 70% da nota. E nada muda, nem sequer são emitidos quaisquer sinais disso, e repito uma antiga impressão inesquecível para quem tem memória para além do dia anterior: confiar?! Só confiamos no BES.

 

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dos eufemismos escolares e do estado a que isto chegou

21.06.15

 

 

 

 

É natural nos países europeus que as escolas encerrem para férias algumas vezes por ano de modo a que alunos, professores e outros profissionais escolares renovem as energias. É assim e ponto final. Em Portugal é diferente, é o grau sei lá o quê dos eufemismos: os "órgãos" das escolas dizem que interrompem para reflectir e os dos pais que querem os alunos a frequentar a escola durante 11 meses ao ano (e com férias nas escolas, digo eu).

 

Há em Portugal outra perda grave (com mais uns faz de conta à mistura): a autoridade escolar. Como se confunde legitimidade democrática com comunidade educativa e se tratam alunos e filhos como iguais e não como "o outro", a autoridade escolar vive num género de PRECeterno. A ideia do cliente escolar nivelou muito por baixo, como se comprovou.

 

O blogue Atenta Inquietude tem um bom texto, se me permitem, sobre o assunto em que acrescenta uma reflexão sobre a industria dos exames cratiana que tira ritmo às disciplinas "não estruturantes" durante uns cinco meses seguidos.

 

Encontrei um cartoon (já o vi noutras alturas) com uma boa análise da sociedade ausente que remete os tais 11 meses para a escola, como remete os problemas rodoviários, o empreendedorismo, o consumo das pastilhas elásticas, o uso excessivo das tecnologias em casa, a obesidade precoce pelas horas no sofá caseiro, o excesso de doces à venda no café da esquina, a hora tardia a que as crianças se deitam e tudo o que der trabalho a educar.

 

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saiu o despacho que compensa os cortes a eito

21.06.15

 

 

 

 

Foi com Nuno Crato que os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Os cortes a eito (nomeadamente os aumentos de alunos por turma e nos horários dos professores, os cortes curriculares e os mega-agrupamentos) foram o motivo. Se os professores não tivessem decidido assim, cerca de 10000 dos quadros seriam empurrados para uma brutal requalificação rosalina e mais uns 10000 ficariam sem contrato.

 

Como resultado dessas acções, o MEC comprometeu-se a incluir no despacho de organização do ano lectivo uma compensação horária conjuntural para impedir mais horários zero. Este ano voltou a sair tarde e está aqui.