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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

quatro insuspeitos divergem

30.06.15

 

 

 

Paul Krugman e Joseph Stiglitz, norte-americanos distinguidos com o Nobel da economia, defendem o não no referendo grego. Cavaco Silva e Passos Coelho, portugueses que também estudaram economia, nem precisam de declarar o lado que apoiam. Francamente: desejo que Portugal não perceba tarde demais o efeito dos seus incompreendidos representantes.

 

A seguinte observação não é ensinada em todos os cursos de economia e é pena: é inigualável a grandeza de quem não se verga para não perder a liberdade.

ficamos 18, disse o PR

29.06.15

 

 

 

"Se a Grécia sair ainda ficam 18. Há outros que querem aderir", disse Cavaco Silva num registo áudio que ouvi na TSF. Como não tinha imagem, não confirmei se foi um improviso; mas deve ter sido, tal a demonstração de generosidade. Cá para mim, o júri do Nobel tem andado distraído com a sapiência deste lusitano que é o único cientista económico do planeta a adivinhar o futuro e sem qualquer dúvida.

e se em vez de Obama?

29.06.15

 

 

 

E se em vez de Obama os EUA tivessem um presidente no modelo Bush, George com W pelo meio e aconselhado por um Rumsfeld que voltaria a condecorar Portas na primeira oportunidade?

 

Podemos acreditar que Tsipras e Varoufakis já estavam acusados da concepção de armas de destruição maciça e que Merkel (acho que Cameron continuaria desalinhado), Rajoy e Passos jurariam que viram as provas. O português acusaria os cépticos de viciados em mitos urbanos.

 

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da examinocracia cratiana: e os correctores pá?

28.06.15

 

 

 

Hoje são os "problemas com a formação dos correctores de exames". Ou seja, Crato, o do "horror ao facilitismo dos outros", esqueceu-se que para a industria dos exames necessitava de correctores e não de pessoas que na recta final do ano lectivo levassem com centenas de provas e em muitos casos de programas que não leccionavam há anos ou que nunca leccionaram. Afinal, a examinocracia cratiana, cuja propaganda exige catadupas de provas a todos e nos anos quase todos, tinha mais desconhecimentos para além dos já identificados: exames exigem salas sem aulas, vigilantes sem alunos, secretariados de exames sem alunos, agrupamentos de exames sem alunos e correctores de exames sem alunos.

 

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ficaremos que nem gregos?

28.06.15

 

 

 

 

Tenho ideia de ter lido algures e concordo: "o plano A do Syriza contava com a social-democracia europeia, mas essa corrente está dominada pelo neoliberalismo: por ideologia ou benesses ilimitadas ou por táctica eleitoral".

 

Por cá não é diferente.

 

Está a "ver-se grego" significa "está a passar um mau bocado". Esta antiga expressão portuguesa deve ser, e repito o post que fiz há dias, bem recordada pelos portugueses. Quando Lagarde diz, hoje, "que o referendo não faz sentido", está a comprovar pela enésima vez a determinação do FMI em passar por cima da democracia. E se o faz com a Grécia por que é que não o fará de seguida com Portugal? Sinceramente, admira-me a disciplina FMI de grande parte dos portugueses com o Governo de Passos à frente.

 

Quem acompanha o blogue há mais tempo sabe que gosto de dar exemplos. Numa fase em que há erros na colocação de professores e em que decorrem as matriculas de alunos, é bom recordar um texto que escrevi há tempos e pensar que o "ver-se grego" é um estado que não preocupa os pequenos FMI que por aí pululam até que os próprios se tornem gregos que é o que acontece nas crises de grande escala.

 

 

Leia este post de 8 de Março de 2015:

 

Abriu o concurso interno de professores e as "inúmeras" vagas negativas têm uma qualquer relação com o mercado escolar. A regra, para o apuramento de vagas, do actual MEC considera 25 horas lectivas para os lugares do 1º ciclo e 22 para os do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário. Como existem reduções e outras situações análogas, para além dos cortes a eito de Nuno Crato, as vagas negativas subiram em flecha (o Arlindo Ferreira apura-as aqui) e nem há 3 anos os ultraliberais embriagavam-se com 50 mil professores para a mobilidade.

 

Sejamos claros e peguemos num exemplo: se num grupo de recrutamento (antes da militarização taylorista designava-se disciplinar) existem 4 vagas negativas, só se 5 lugares ficarem vagos é que alguém é colocado nessa escola. Como se sabe, nada disto se relaciona com mobilidade especial e por aí fora. Só quem quiser jogar grãos de areia para as retinas menos atentas é que pode encontrar outra consequência.

 

Um dos concelhos mais mediatizados na relação público-privado do mercado escolar é o das Caldas da Rainha. Nem por acaso, o ranking das vagas negativas coloca um dos seus agrupamentos destacadíssimo em primeiro lugar. Os defensores, mesmo que em voz oculta e articulada, da situação vigente alarmam-se e lá terão construído as tácticas. É muito embaraçoso para a existência das cooperativas de ensino um número elevado de vagas negativas. Aliás, e a par do já descrito neste post, é a conclusão que resta.

 

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Há quem deseje um final "desastroso" para a crise grega?

27.06.15

 

 

 

 

O prémio Nobel Paul Krugman diz que sim e arrasa os credores, em especial o FMI. Tese semelhante é defendida por Dominique Strauss-Khan que assume "os erros cometidos pelo FMI na Grécia".

 

A disputa continuou ontem com uma surpreendente jogada de Alex Tsipras, que demonstra uma determinação "muito menos bom aluno" do que os países do sul da Europa que foram sugados pela troika. A resposta grega de referendo, "como resposta a um "ultimato" dos parceiros europeus e da troika", inclui o respeito pelo resultado da consulta. Parece um lance importante. Aconteça um não ou um sim, o Governo grego faz prevalecer a democracia, legitima-se e reforçará a resposta recente de Tsipras ao presidente do Conselho Europeu: "não é avisado humilhar um povo". Veremos se conseguirá uma inflexão da UE.

 

EUA e China assistem preocupados. Os norte-americanos voltam a exigir sensatez a Merkel numa altura em que a intervenção da Rússia nos Balcãs é ainda mais "solicitada" e em que a instabilidade no mediterrâneo parece em escalada imparável. A China defendeu há pouco "a continuação da Grécia na zona euro, mostrando-se disponível para "contribuir" para uma solução para a crise".

 

Começa a ser difícil encontrar observadores externos que defendam as teses da maioria do Eurogrupo e percebe-se o nervosismo radical do pessoal além da troika.

o mec de crato erra como respira?

26.06.15

 

 

 

 

O MEC de Crato recorda aquelas pessoas que só evitam decisões incompetentes quando não decidem. Então sempre que há concursos de professores já sabemos que haverá confusão. A última é um "protocolo com um Instituto Chinês sob suspeita noutros países". Mas será possível tanta impreparação? Não haverá uma raiz ideológica a orquestrar o plano inclinado?

 

No legado de Nuno Crato evidencia-se um forte ataque à imagem da escola pública. Se o ministro revelava duas características decisivas, desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia, às cooperativas de ensino, o tempo comprovou-o. 

 

Crato corporizou duas ideias feitas (a primeira falaciosa): "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos" e "não se pode confiar em escolas controladas pelo pior da partidocracia local". Mas não foi o poder central que criou o modelo de gestão escolar? E não foram avisados que o pior ainda estava para acontecer? E não estão a promover um tipo de municipalização que acentuará a desgraça?

 

Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

 

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

 

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o futuro de ontem

26.06.15

 

 

 

 

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"Foram 15 dias a sulcar o Atlântico no Niassa. Perto da casa das máquinas. Em beliches coberto por números mecanográficos de soldados embarcados em viagens anteriores. De Luanda para Lourenço Marques, a viagem fez-se num B 747 da TAP. Contudo, a verdadeira experiência africana foram esses meses de agosto e setembro de 1973, em Moçambique. Uma conjugação improvável colocou um estudante liceal de 15 anos perante a possibilidade de fazer uma viagem de estudo aos últimos meses do Império, nesse longínquo país de geografia feminina, encostado ao Índico. Apesar da escolta militar que acompanhou o nosso grupo de nove estudantes, na visita ao Parque Nacional de Gorongosa, nessa altura transbordante de elefantes, leões e hipopótamos, a guerra parecia distante e localizada, embora omnipresente, nas conversas e silêncios. Recordo o voo em torno do sistema defensivo de Cahora Bassa, e a malha de túneis para aprisionar o Zambeze. A ousadia da traça urbana de Lourenço Marques. A intensidade económica de Nacala (onde li as notícias do derrube de Allende através de um artigo de Dutra Faria) e o fervilhar da Beira. O grande quartel chamado Nampula. A monumentalidade nostálgica da Ilha de Moçambique. Uma conversa sobre teologia numa mesquita de Quelimane. As noites nas praias, nadando para lá das redes dos tubarões. Em Moçambique, o espaço entre as pessoas era maior. Na altura não o sabia, mas as conversas traiam a perda das convicções que mantêm os regimes coesos. Numa mesa, onde chegava o som do mar, um alferes, a recuperar de ferimentos, criticava a guerra, sem medo de sanção. Noutro sítio, depois de um espetáculo dos Marimbeiros de Zavala, um colono branco censurava a presença militar portuguesa, falando em nome de um nacionalismo moçambicano de tonalidades rodesianas. Não o sabia ainda, mas quando o avião levantou voo do aeroporto da Beira, a luz da manhã escondia os perfumes e as emoções de uma excecional peregrinação ao crepúsculo de uma era que perdera o rumo do futuro."

 

Viriato Soromenho Marques.

avoluma-se a saga "professores colocados no vazio"

25.06.15

 

 

 

Como ontem interroguei, "professores do quadro concorreram e foram colocados noutras escolas em vagas sem horário?"

 

O Público diz hoje que os "sindicatos denunciam erros e injustiças nos concursos".

 

Lendo os depoimentos sobre o assunto, conclui-se: existem dois tipos de erros das escolas: de planeamento ou no lançamento digital das vagas a concurso. No segundo caso, o MEC não terá corrigido as solicitações para a reparação do erro.

 

Mas há erros do MEC: num possível lançamento digital das vagas ou no algoritmo da aplicação informática. Percebe-se que o processo errático tem uma grande dimensão e que os professores seriamente lesados (os que concorreram e os que não concorreram e ficaram com horário zero) não podem entrar em mobilidade especial. É o mínimo; mas mais: era uma boa oportunidade para acabar com esta praga dos horários zero.

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