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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Da génese da hiperburocratização escolar

02.03.15

 

 

 

As três variáveis do livro de ponto - sumários, faltas de alunos e de professores - têm de obedecer a outra filosofia de gestão na passagem do analógico para o digital. Provocar-se-á entropia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e significativa melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação.

 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem qualquer base docimológica. O tempo que existe no pensamento analógico deve ser eliminado. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e do seu grupo disciplinar, que devem ainda decidir por um tipo de registo mais alargado no tempo (semanal, mensal, por período lectivo, por unidades de ensino ou apenas no final do ano lectivo com um sumário do que foi leccionado) e o sistema deve permitir o lançamento por WEB para não se circunscrever aos terminas da rede da instituição. Não é tolerável que a passagem acrescente constrangimentos procedimentais que o desviem das tarefas do ensino.

 

O registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. O pensamento analógico estabeleceu lógicas inversas para esse registo - o professor rubrica a sua presença enquanto em relação aos alunos apenas se regista a falta; os assistentes operacionais registam a falta do professor -.

 

O pensamento digital apenas regista faltas de professores e alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos devem ser feitos em tempo de aula e em terminais da rede. As faltas dos professores por um assistente operacional ou administrativo e as dos alunos pelo professor ou por um dos assistentes referidos.

 

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

 

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