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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

repetição?

31.03.15

 

 

 

A história não se repetirá exactamente, mas há uma ou outra semelhança entre o que vivemos e o PREC. Desde logo por causa da "colectivização" em curso, mesmo que de sinal contrário.

 

Há um aspecto que não sei se se repete: na actualidade há cada vez mais pessoas sem qualquer rendimento e que caem no registo "não-há-mais-nada-a-perder" e não me lembro se no PREC a situação era sequer parecida.

 

Mas houve, nas manifestações mais mediatizadas durante o processo, uma tónica comum: no PREC tínhamos os MRPP, os AOC, os UDP e por aí fora que eram instrumentalizados, até internacionalmente, e que apareciam para criarem confusão e desmobilizarem as pessoas. É bom observar por onde andam principalmente os primeiros, os tais do MRPP, e isso leva-nos a pensar que houve uns infiltrados preparados para fazerem o jogo do costume e com treinadores com décadas de experiência.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)

 

paz no futebol

30.03.15

 

 

 

 

O futebol pode estar em paz.

 

BES, a PT, o BPI e por aí fora, como outrora o BPN, o BCP, o BANIF e os investidores GOLD do BPP, talvez não continuem a alimentar o poço sem fundo da industria do futebol, mas haverá sempre russos e árabes para juntar aos offshores regulamentados por quem cortou, corta e cortará a eito nos do costume.

 

É certo que cortam, mas também se reconheça que lhes dão alegria, emoções fortes e muito para pensar, imaginar, discutir, suspeitar, adivinhar, desmontar e até concordar. E convenhamos: o investimento no Ronaldo, por exemplo, tem um valor de mercado superior à despesa com uns 200 mil pensionistas.

primeira elegia

29.03.15

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

a democracia está em crise?

28.03.15

 

 

 

 

Encontramos sinais da crise da democracia em coisas "pequenas". Dizia-me um amigo que limitou os mandatos de gestão, já neste milénio e numa instituição financeira quando ainda não era uma obrigação da lei, que estava a ser confrontado frequentemente, em questões estritamente profissionais ou perto disso, com argumentos que desvalorizavam a sua opção pela renovação democrática e que "eliminavam" a atenção ao uso cuidado da democracia. É comprovado que fez obra e mesmo isso lhe pareceu subvalorizado em relação à obrigação de se "perpetuar".

Do fim de emissão do blogue do enorme Paulo Guinote

27.03.15

 

 

 

Quem quiser conhecer a História da Educação no que levamos de milénio terá de passar horas sem fim à volta do blogue do Enorme Paulo Guinote.

 

Sou seu amigo e respeito a decisão. Como é costume, deixei vários posts temporizados para estes dias e só interrompi o descanso porque o Umbigo é o que se sabe.

 

Voltarei ao assunto com mais tempo, mas se alguém se dedicar a estudar o que aconteceu à vidinha deste género de bloggers perceberá os tiques da crise da democracia que estamos a construir. Até já Grande Che (e desculpa as inconfidências).

 

 

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livros sobre gestão escolar

25.03.15

 

 

 

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Chegaram hoje dois livros sobre gestão escolar de que sou autor. Estão na fase de revisão e em breve serão colocados à venda. Terminam assim as suas versões gratuitas em formato ebook ou pdf.

 

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 O "As" está a mais. Terá como título "Razões de uma candidatura".

Herberto Helder (1930 - 2015)

24.03.15

 

 

 

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Herberto Helder (2013:78). "Servidões". 

Assírio e Alvim. Lisboa.

 

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Narração de um homem em Maio (1953-60).




Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento.
Pois o corpo é interno e eterno
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.


Herbero Helder em Poesia Toda. 

 

 

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Herberto Helder (2014:31). "A morte sem mestre". 

Assírio e Alvim. Lisboa.

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