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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

as reprovações, as falácias e as contas

24.02.15

 

 

 

"Há 150 mil reprovações por ano no básico e no secundário. Como o tribunal de contas diz que cada aluno custa 4 mil euros por ano, e como o presidente do CNE diz que cada reprovação é um aluno novo, as reprovações custam 600 milhões de euros", diz o jornalista.

 

Sinceramente, não me lembro de um tempo com tanta falácia na Educação. É mais um descaramento do discurso do "mais com menos". Até acho que chegaram lá a partir do seguinte algoritmo: se num concelho reprovam mil, se cada escola tem mil, podemos fechar uma escola e poupar 10 milhões.

 

Cada reprovação é um aluno novo? Francamente.

 

Boa parte dos alunos que reprovam integram turmas que existiriam sem a sua frequência. É evidente que globalmente talvez se reduzissem algumas turmas, mas isso é sei lá o quê num país que tem que excesso de alunos por turma até nas que têm alunos com necessidades educativas especiais. Se acrescentarmos a estes achamentos a sentença de alguém da confederação de encarregados de Educação (os alunos só devem repetir as disciplinas em que reprovaram) então ficamos completamente esclarecidos sobre o conhecimento que paira sobre estes estudos.

 

Não vou discutir neste post a questão pedagógica, mas estas pessoas deviam fazer um estágio com presença em salas de aula numa escola escolhida pelos professores e com um regime sem reprovações.

 

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as reduções dos professores e a floresta (ou a selva, claro)

24.02.15

 

 

 

Está a ter alguma mediatização a bloqueada redução, através da idade combinada com o tempo de serviço, da componente lectiva dos professores. Estamos em presença de uma deriva legal que começou a ser praticada em 2008 (a lei é de 2007) quando o Governo de então promovia uma guerra aos isolados professores (palavras de António Costa) e a sociedade lusa aplaudia. Claro que os professores grisalhos eram o alvo a abater e o nivelamento por baixo a regra. Seguiu-se a malta além da troika e a linha de água imergiu de vez.

 

Como em todas as florestas ou selvas, há árvores no sistema escolar que estão desde o início a remar contra a maré. Só que também há os eucaliptos (nos salões e corredores lisboetas acotovelam-se), normalmente, e há muito, sem sala de aula ou com a esperança de que já lá não regressem, que acham que pagam os salários dos professores e que vêem na letra da lei um espírito eternamente jovem e implacável: professor idoso é mais preguiçoso do que laborioso. É até célebre aquele eucalipto que telefonou para o MEC a perguntar o lado do selo branco e sobre esta lei deve ter repetido a busca de sapiência; quem o conhecia afirmava que para as golpadas tinha sempre resposta expedita.

 

Pelo descrito, criaram-se as condições para que a lei das reduções fosse troikada. O que era e é claro (2 horas de redução (ou mais duas) aos 50 anos de idade e 15 anos de serviço; mais 2 horas de redução aos 55 anos de idade e 20 anos de serviço; mais 4 horas de redução aos 60 anos de idade e 25 anos de serviço; e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito) tornou-se numa vã glória de mandar num sistema escolar mergulhado na selva da desesperança e que moveu uma assumida guerra aos seus professores com o contributo de demasiados eucaliptos: ignorou-se a acumulação com o "e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito".

 

Nota: deve sublinhar-se que existem escolas que cumpriram a lei. 

 

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