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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

"É um bocadinho amadorismo para quem ganhou tantos prémios"

27.02.15

 

 

 

Mais uma vez a deputada Mariana Mortágua é incisiva no caso BES. Desta vez foi com Zeinal Bava que até demonstrou uma boa capacidade de encaixe ao ser confrontado com o "é um bocadinho amadorismo para quem ganhou tantos prémios". Mas é merecida a observação da deputada. Estamos todos cansados da "arrogância" das organizações que espremidas não passam do mais datado funcionalismo do século passado e, neste caso, com sérios prejuízos para o etário público. Mas o melhor é ver o vídeo.

 

 

dos limites da pressão

26.02.15

 

 

 

"Há um exagero em muitas das pessoas que se queixam que cederam por causa da pressão", disse a especialista, não ouvi o nome, na TSF. O tema era o assédio nas relações de trabalho e a consequente "desculpa" para a fraqueza moral.  

 

Não é preciso ouvir uma especialista para comprovar a evidência. Os últimos anos do sistema escolar foram férteis. Quantas e quantas vezes (é uma lista mesmo interminável) não ouvimos o argumento da pressão, e da necessidade, para justificar o mais notado oportunismo? E como disse a especialista, este tipo de "fraquezas" são sempre, e a prazo, prejudiciais aos indivíduos que as praticam e vezes de mais aos grupos onde se inserem.

concordo com o CNE

26.02.15

 

 

 

 

Concordo com a ideia do CNE de eliminar a obrigação de tornar públicas as pautas de avaliação antes do sétimo ano de escolaridade, substituindo-a por informação individual a cada aluno e respectiva família. E não se deve circunscrever às pautas: deve aplicar-se a todas as avaliações e a quadros de valor e de mérito.

 

Ia a escrever que há muito que escrevo a defender estas ideias, mas não é verdade. Não é há muito porque os descomplexados competitivos criaram estes processos há pouco tempo e até julguei que esta espécie de "nova teoria do homúnculo" era impossível no século XXI.

 

Pode conhecer aqui e aqui alguns dos textos que escrevi sobre o assunto.

  

As ideias do CNE

 

Reavaliar provas do 4.º e 6.º ano.


Propõe ainda, entre várias outras medidas, que seja eliminada a obrigatoriedade de afixação pública das pautas de avaliação, uma prática "sem par nos restantes sistemas educativos, substituindo-as por "informação individual dirigida a cada aluno e respectiva família". Que seja reavaliada "a adequação das provas finais do 4.º e 6.º anos aos objectivos de aprendizagem dos ciclos que encerram, bem como rever as suas condições de realização". Actualmente são feitas ainda no decorrer do ano lectivo, o que traz "enormes constrangimentos ao funcionamento das escolas, para além de determinarem alterações nos processos de leccionação".

 

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Da guerra aos professores: números e curiosidades

25.02.15

 

 

 

 

A guerra aos professores, confessada por António Costa do PS, foi declarada em 2006 e prossegue. Tem tido picos. Nuno Crato perpetrou o mais elevado e sairá ao nível de Lurdes Rodrigues.

 

Do primeiro dia de aulas de 2006/07 até ontem, leccionei 2976 aulas a 1176 alunos (não contabilizei as inúmeras substituições).

 

Como sou sempre o primeiro a chegar à aula (e com os alunos da puberdade a preparação do espaço nos intervalos, se existirem, ajuda muito) e o último a sair (na minha disciplina a eficiência tem, desde sempre e também nestes mais de 30 anos de professor, uma relação directa com a eficácia e não é uma qualquer epifania tardia), organizei 94310 minutos e meio da actividades lectivas como tempo potencial de aprendizagem. Durante esse tempo, seleccionei exercícios critério das seguintes unidades didácticas: atletismo (872), basquetebol (1213), dança moderna (24), exploração da natureza (22), futebol (979), ginástica (2051), jogos pré-desportivos com inclusão do andebol e do badminton (570), natação (55) e voleibol (950).

 

Estou a obter informação num software que criei para a gestão das aulas e para a avaliação dos alunos.

 

Os relatórios ficam à distância de um clique e da necessidade de informação para apoio à tomada de decisões. Podia divulgar as notas que dei, o tempo dos exercícios critério de cada unidade didáctica, o número de raparigas e rapazes, os anos de nascimento e por aí fora. Não estou a usar folhas excel nem calculadoras. É quase uma década com lançamento de dados em todas as aulas.

 

E é interessante olhar para o que é que os atacantes dos professores fizeram nos domínios da organização e da gestão escolar nesse período. Era importante que esses beligerantes prestassem contas no domínio da eliminação da hiperburocratização, analógica e digital, com que inundaram as escolas e que não tergiversassem com simulações de autonomia no regime mais do mesmo desta vez disfarçada de municipalização rumo à sacrossanta privatização. Aliás, há três certezas sobre o desempenho do mainstream: parou no século passado, é avesso a procedimentos que dão mesmo trabalho e que produzem conhecimento e lançou o país no estado em que estamos.

 

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Parte do layout do sumário dos projectos de aula - base de dados construída em filemaker. 

as reprovações, as falácias e as contas

24.02.15

 

 

 

"Há 150 mil reprovações por ano no básico e no secundário. Como o tribunal de contas diz que cada aluno custa 4 mil euros por ano, e como o presidente do CNE diz que cada reprovação é um aluno novo, as reprovações custam 600 milhões de euros", diz o jornalista.

 

Sinceramente, não me lembro de um tempo com tanta falácia na Educação. É mais um descaramento do discurso do "mais com menos". Até acho que chegaram lá a partir do seguinte algoritmo: se num concelho reprovam mil, se cada escola tem mil, podemos fechar uma escola e poupar 10 milhões.

 

Cada reprovação é um aluno novo? Francamente.

 

Boa parte dos alunos que reprovam integram turmas que existiriam sem a sua frequência. É evidente que globalmente talvez se reduzissem algumas turmas, mas isso é sei lá o quê num país que tem que excesso de alunos por turma até nas que têm alunos com necessidades educativas especiais. Se acrescentarmos a estes achamentos a sentença de alguém da confederação de encarregados de Educação (os alunos só devem repetir as disciplinas em que reprovaram) então ficamos completamente esclarecidos sobre o conhecimento que paira sobre estes estudos.

 

Não vou discutir neste post a questão pedagógica, mas estas pessoas deviam fazer um estágio com presença em salas de aula numa escola escolhida pelos professores e com um regime sem reprovações.

 

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as reduções dos professores e a floresta (ou a selva, claro)

24.02.15

 

 

 

Está a ter alguma mediatização a bloqueada redução, através da idade combinada com o tempo de serviço, da componente lectiva dos professores. Estamos em presença de uma deriva legal que começou a ser praticada em 2008 (a lei é de 2007) quando o Governo de então promovia uma guerra aos isolados professores (palavras de António Costa) e a sociedade lusa aplaudia. Claro que os professores grisalhos eram o alvo a abater e o nivelamento por baixo a regra. Seguiu-se a malta além da troika e a linha de água imergiu de vez.

 

Como em todas as florestas ou selvas, há árvores no sistema escolar que estão desde o início a remar contra a maré. Só que também há os eucaliptos (nos salões e corredores lisboetas acotovelam-se), normalmente, e há muito, sem sala de aula ou com a esperança de que já lá não regressem, que acham que pagam os salários dos professores e que vêem na letra da lei um espírito eternamente jovem e implacável: professor idoso é mais preguiçoso do que laborioso. É até célebre aquele eucalipto que telefonou para o MEC a perguntar o lado do selo branco e sobre esta lei deve ter repetido a busca de sapiência; quem o conhecia afirmava que para as golpadas tinha sempre resposta expedita.

 

Pelo descrito, criaram-se as condições para que a lei das reduções fosse troikada. O que era e é claro (2 horas de redução (ou mais duas) aos 50 anos de idade e 15 anos de serviço; mais 2 horas de redução aos 55 anos de idade e 20 anos de serviço; mais 4 horas de redução aos 60 anos de idade e 25 anos de serviço; e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito) tornou-se numa vã glória de mandar num sistema escolar mergulhado na selva da desesperança e que moveu uma assumida guerra aos seus professores com o contributo de demasiados eucaliptos: ignorou-se a acumulação com o "e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito".

 

Nota: deve sublinhar-se que existem escolas que cumpriram a lei. 

 

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a escola de cavaco silva prevaleceu e disseminou-se

23.02.15

 

 

 

Se há herança que remonta à ditadura do século passado é o medo de existir e de expressar uma opinião contrária ao poder vigente.

 

Na história recente prevaleceu, custe o que custar a admitir, a escola de Cavaco Silva. O não à política, o não à ideologia, o apontar de dedo aos adversários como "os políticos" ou "os revolucionários" fez uma escola recheada, essa sim, de fanatismo ideológico disfarçado de servilismo, cheia de oportunismo e de preconceitos, de "sem-face" e de silenciosas campanhas de bastidores. Não raramente, os "cavaquistas" assegurariam a virtude nos trajes mais cinzentos, o mais do mesmo em respeito à ordem e ao bom nome, as contas "certas" na defesa dos desfavorecidos e, acima de tudo, não fariam ondas em nome do pragmatismo e da obediência às hierarquias. É o que se vê, realmente.

temos um governo coerente

22.02.15

 

 

 

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O Governo está em pânico com as próximas eleições e com o julgamento histórico; é coerente. Começou além da troika e preparava-se para a aura da salvação. A resolução dos problemas imediatos dos bancos alemães e o sucesso eleitoral do Syriza, e tudo aquilo que mais tarde se venha a saber, inverteram a história e os possíveis votos. Nesta fase, é escusado falar ao Governo de interesse nacional: a tragédia associada a um erro histórico monumental, já denunciado por Gaspar, desorientaria qualquer um.

 

O efeito eleitoral PASOK e Nova Democracia paira de tal forma que até o indizível Marcelo R. Sousa classificou Varoufakis como um artista da bola. Para além da diminuição do conceito "artista", o candidato gosta de discutir a esse nível e o conhecido frenesi tira-lhe a compostura. Talvez nem saiba que tem muito a aprender com Varoufakis, desde logo a educação com que Varoufakis tratou Maria Luís que também terá muito a aprender com Varoufakis (assim mesmo, repetido quatro vezes no mesmo parágrafo).

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