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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

25% do currículo em disciplinas municipais?

16.01.15

 

 

 

Mas alguém reconhece ao poder municipal esta capacidade? Quando elegemos os políticos locais estamos a atribuir ao vereador da Educação a "autoridade" para definir um quarto do currículo? 

 

A privatização do sistema escolar é da família destas ideias de municipalização e de descentralização de competências. Como se sabe, a Suécia fez um percurso semelhante e hoje centraliza e nacionaliza sem contemplações.

 

Pode ler aqui um retrato do exemplo sueco, onde nomeadamente se refere:

 

"(...)Ao Observador, Leif Lewin disse que o processo de descentralização da educação na Suécia aumentou a desigualdade na educação, uma vez que as famílias com mais posses “utilizam a possibilidade de escolher a escola dos filhos em maior grau do que outros grupos”.

Na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do estudo governamental, o professor de Ciência Política disse aos jornalistas suecos que a reforma do sistema educativo tinha sido “brutal” e criado “desconfiança em vez de confiança”. Leif Lewin apresentou um diagnóstico claro: “o controlo municipal das escolas foi um falhanço”, uma vez que “nem os municípios, nem os diretores de escola, nem os professores estavam à altura da tarefa.” Em consequência, “os resultados académicos desceram, tal como a igualdade e a atitude e motivação dos professores”.(...)"

 

 

 

Da encruzilhada a partir do Charlie Hebdo

16.01.15

 

 

 

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Basta googlar por "Noruega mesquitas" para se encontrar informação sobre o assunto.

 

Desde a viragem do milénio que a integração (no sentido das polémicas em curso) de outros povos na Europa é muito discutida. No relatório de Jacques Delors, 1998,  "A educação - um tesouro a descobrir", as questões do multiculturalismo e do relativismo cultural tiveram uma abordagem interessante e polémica.

 

Defendeu-se que o fenómeno do multiculturalismo contribuiu, na Europa, para acentuar as bolsas de "ghetização" com as consequências conhecidas. Invocou-se como negativa a preservação a todo o custo das matrizes culturais de origem por parte das comunidades imigrantes que se foram "ghetizando". Os resultados estão aí.

 

Em alternativa, o relatório propôs a ideia de interculturalidade, através da educação, para a "normalização" de costumes que assentassem num valor primeiro: a liberdade entendida como impossibilidade de invasão no espaço de liberdade do outro.

 

É neste patamar de discussão que se coloca a questão dos "véus escolares" ou dos templos religiosos.

 

Estamos numa encruzilhada?

 

Claro que estamos e perdemos muito tempo na Europa. Mas só há uma solução: tolerância, determinação na defesa dos nossos valores, muita persistência e uma corajosa atitude de não desistência. Quem chega deve respeitar os valores vigentes. A história não deve registar um qualquer caminho de luta pela liberdade que se tenha feito só com vitórias e sem vítimas brutais e injustiçadas. É assim a natureza humana e os tempos nunca mudam tão depressa: só o afastamento histórico nos permite perceber melhor as épocas que fomos vivendo.