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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Da blogosfera - professor imperfeito

15.01.15

 

 

 

 

Do pensamento único na escola...

 

 

"||| ... assusta-me a constante espera da resposta que venha da "tutela", de quem tem responsabilidade, do director, do coordenador, dos outros. sempre dos outros. um plano de formação, uma reunião, uma matéria para ser leccionada. tudo decidido pelos outros. e depois, "não nos ouvem". e depois, nada "funciona". e depois, "é o sistema". e para rematar: "tem que ser assim" e "sempre foi assim". o pensamento próprio passou a ser, na escola, um pensamento dos loucos ou dos privilegiados. e isto é assustador. a ideia que se tem que cumprir qualquer coisa só porque se tem, porque está escrito ou esperar que outros decidam por nós o que para nós é o melhor foi um conquista maquiavélica desta equipa ministerial que conseguiu elevar ao máximo o "pensamento único" para coisas que "não podem ser de outra maneira". isto era só assustador se fosse noutro organismo qualquer da função pública. mas é na escola. o lugar, por excelência do questionamento e das liberdades. mas mortos e enterrados estes princípios, agora, é tão fácil ver tudo a dizer que tem que ser assim, que esperam da tutela a panaceia ou a orientação. melhor, o rumo. e isto é triste. é a prova que se pode matar a escola mantendo só as paredes e as janelas porque quando ninguém diz que não, faz perguntas ou diz que há outros caminhos é, para os outros todos que seguem o que vem em mais um regulamento, proscrito. pensar pela própria cabeça, saber o que se quer para a escola, para uma aula, para um trabalho em equipa é agora um acto de rebeldia. melhor, de rebelião. e já não resiste a pergunta: como chegámos aqui? eleva-se a pergunta: como fugimos daqui antes que seja tarde demais?..."

 

 

 

 

 

recuperações

15.01.15

 

 

 

Há muito que não ouvia Júlio Machado Vaz. Está pelo "Porto Canal" e "recuperou" um adjectivo muito usado no norte: velhaco, ou velhaca claro. É aquela pessoa que assassina (foi o verbo usado) o carácter de outro de forma traiçoeira. O adjectivo estava em desuso, mas a prática nem por isso.

 

 

 

 

 

 

Da hiperburocracia, da inércia e da cíclica bancarrota

15.01.15

 

 

 

 

Há anos, mesmo há décadas, que se constata no sistema escolar: o inferno da hiperburocracia é um rol de inutilidades e é inamovível. Se a sociedade portuguesa até tem alguma obra feita na desburocratização, o sistema escolar é um mundo à parte onde saber de procedimentos de gestão parece uma excentricidade. Tanto como no MEC, os actores das escolas parecem asados para o inferno.

 

Há escolas no centro da Europa onde, por exemplo, não existem actas de reuniões nem registo de sumários. Em Portugal, produzem-se "biliões" de actas em cada ano com informação inútil. Um apoio educativo, como exemplo de um informação útil, pode ser solicitado a quem de direito, sem uma acta. Mas o mais elucidativo acontece com as visitas de estudo: paira a ideia que sem acta não há seguro escolar e, por via disso, cada visita é registada em actas de reuniões de grupo, departamento, conselhos de turma ou pedagógico. Sei lá: se tenho um acidente com o meu automóvel a companhia de seguros exige-me a acta com a informação da viagem? 

 

Não compreendo este estado vegetativo que se eterniza. Muito sinceramente. A desconfiança nos professores tem um preço elevado e é um sinal de atraso civilizacional. Bem sei que a organização e a escola não são valores preciosos na nossa sociedade, mas é aí que tudo começa e não estranhemos as cíclicas bancarrotas.