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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

das cassetes sobre a escola pública

05.12.14

 

 

 

 

Ouvimos, desde a viragem do milénio, o persistente discurso anti-escola pública e anti-professor:

 

"a escola pública entrou em ruptura; os alunos aprendem pouco; as escolas públicas são más ou pioram a cada ano; estamos a ficar para trás nos testes internacionais; as escolas públicas não contribuem para o crescimento económico e começam a colocar em causa a nação; as escolas públicas já não vão lá com meias-medidas; as escolas públicas devem ser fechadas em larga escala e os professores despedidos. Mas mais: o discurso que acabei de escrever foi defendido pela direita e pela esquerda que aspirava a governar, foi defendido pelas "elites" que preenchiam os média mainstream e por aí fora. Quem se atrevesse a defender o contrário era acusado de dar lugar ao status quo."

 

O parágrafo que está em itálico é de Diane Ravitch (com adaptação à sua realidade, obviamente), ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita, portanto, e pode lê-lo na obra da ex-governante, "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América). 

 

A direita americana chegou a este ponto depois de sucessivos falhanços com a privatização de escolas, com o cheque-ensino, com os modelos hiperburocráticos de avaliação de professores e por aí fora. Por cá, o guião da reforma do Estado, por exemplo, faria corar de vergonha Diane Ravitch.

 

Argumentemos com pragmatismo: os resultados escolares que o mainstream tanto acusou foram desmentidos pelos estudos internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study).

 

Custa ver como se continua a omitir estas evidências e a não prestar contas. Espera-se que o próximo ano permita uma verdadeiro contraditório nas políticas educativas de quem aspira mesmo a governar e que a defesa da escola pública não fique apenas "para os que protestam".

 

 

Já usei alguns destes argumentos noutros posts.