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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

a pt, o estado de citius e o desplante das pessoas

10.11.14

 

 

 

"A PGR garante que não houve sabotagem no Citius e arquiva inquérito" e na mesma primeira página online do Público também se lê que o inimitável Cavaco Silva pergunta "o que é que andaram a fazer os accionistas e gestores da PT?".

 

É espantoso, realmente. A ministra, que manchou a honra de pessoas com a insinuação de sabotagem, não se demite perante o facto, nem o PR, que foi eleito sucessivamente como o anti-político que cuidaria das contas da nação, se desculpa por ter participado, até em cooperação estratégica, na bancarrota e por mais recentemente ter aprovado que o seu Governo eliminasse a Golden Share na PT enquanto condecorava Zeinal Bava. 

 

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os ultraliberais são ultra irresponsáveis

10.11.14

 

 

 

Não tenho qualquer preconceito contra o liberalismo e daria a "mão à palmatória" se encontrasse motivos; até aos neoliberais. Desde há muito que percebi que os liberais excessivos não se devem confundir com Adam Smith. São egoístas, conservadores no pior dos sentidos, oligarcas na primeira oportunidade, algo oportunistas e contrários a qualquer elevador social; dissimulam muito, mas não conseguem esconder o preconceito.

 

Veja-se o vale tudo da maioria que governa no caso PT. Os excessos do neoliberalismo eliminaram a Golden Share (é do tempo em que eram, com orgulho e fanatismo, além da troika) e permitiram o caso Rio Forte. Em desespero de causa, viram-se para o capital outrora corrupto de Isabel dos Santos.

 

E repare-se na propalada prestação de contas. Crato não se demite, a malta do Citius também não e o economista que, ao que consta, não pode falar em público depois do almoço continua "ministro das cervejas". Os ultraliberais são ultra irresponsáveis, adeptos das lapas-no-poder e pouco escrupulosos com um valor que não lhes é precioso: a democracia.

 

 

A Opinião de Mário Silva

10.11.14

 

 

 

Estado Comatoso

 

Sendo legitimo e justo que a contratação de professores tenha sido o tema central nas últimas semanas, esta ofuscou a anestesia geral que se vive na classe docente. A enxurrada legislativa produzida nos últimos anos que piorou e degradou as condições profissionais, parece ter sido assimilada e integrada normalmente no quotidiano, sem réstia visivel de qualquer reação indignada.
Tanto a nivel do orçamento governamental, a curto e médio prazo, como na agenda sectorial do PS, não existe nenhuma referência positiva à carreira profissional do trabalhador público. Neste contexto, independentemente do partido do ‘arco do poder’ que governar nos próximos anos, pode inferir-se que:
- a progressão na carreira continuará suspensa ad eternum
- os salários serão cortados ad eternum ou definitivamente reduzidos
- está ativado o mecanismo de utilizar a mobilidade especial na classe docente a partir de 2015
- em muitas escolas continuará a colocar-se na componente não letiva trabalho letivo, recorrendo à ambiguidade da legislação que confere discricionariedade à direção, e compromentendo a contratação de novos professores nos anos vindouros
- milhares de professores continuarão ‘congelados’ no mesmo escalão por mais tempo, situação que já se prolonga há 8 ou mais anos, com consequências nefastas a longo prazo, nomeadamente no cálculo do valor da pensão de reforma (caso hipoteticamente ainda exista…)
- a degradação sócio-económica na classe docente tornou-se regular e incremental, com perspetivas de se agravar, caso a municipalização das escolas se faça nos moldes desejados pelo governo
- as alterações legislativas de reformulação dos escalões remuneratórios resultaram em situações injustamente absurdas, de despromoção injustificada, ocorrendo casos de docentes que com 6 anos de diferença de idade, pode estar colocado o mais velho no 8º escalão e o ‘mais novo’ no 4º escalão…
- a indiferença e a ‘sobrevivência do mais apto’ serão o modus vivendi que insidiosamente irá dominando o ambiente escolar, incentivado por politicas de gestão
- respira-se mais frequentemente a hostilidade contra o serviço público, promovendo mais conflitualidade, mais desmotivação, mais desesperança…
- reduzir a profissão ao objetivo principal de manter um salário, mesmo que reduzido, e com isso obter uma satisfação submissa a toda e qualquer indignidade hierárquica, parecerá ser o mote quotidiano dos mais novos com a adesão dos mais velhos…
- não existe nenhuma proposta politica de melhoria do estatuto social docente
 a manipulação psico-emocional dos agentes educativos será mais frequente, sendo-se ‘preso por ter cão e preso por não ter’, levando a uma forma subrepticia de assédio moral para promover a desistência
 
Acrescentando aos aspetos profissionais as alterações sociais gravosas, o panorama é desanimador e algo desesperante. Contudo, em vez da indignação, revolta e ação terem sido germinadas nos individuos, no seu lugar instalou-se enraizadamente o coma induzido…
 
Mário Silva