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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Do lugar do outro

30.11.14

 

 

 

 

Bem sei que é exigente, mas é uma experiência interessante: quando opinamos sobre a detenção de um político da área adversária, devemos pensar que se trata de alguém da nossa; quando questionamos a acção de um juiz dirigida a um político, devemos considerar que o suspeito é alguém da corrente adversária.

 

Sei lá. É um bocado como naquelas discussões sobre a idoneidade dos dirigentes desportivos com provas dadas em ilegalidades, mas que sobrevivem por se tratar da justiça desportiva. Por exemplo: um portista pensa que Pinto da Costa é do Sporting e constrói o "veredicto". Resumamos a ideia: das disputas e da alteridade.

 

 

 

sinais do congresso do ps

30.11.14

 

 

 

A interessante presença de António Sampaio da Nóvoa.

 

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A clarificação de António Costa. Maioria absoluta? Até nos arrepiamos se as caras e as políticas da Educação tiverem a mesma inspiração dos últimos governos socialistas (acentuadas pelo actual Governo). Aguardemos pelos programas e pelos protagonistas. Já se percebeu que o discurso inscreve um "chega de diminuir a escola pública e os seus profissionais"; mas não chega, claro.

 

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comiam tudo

30.11.14

 

 

 

 

 

  

 

 

É uma história aconselhável a pessoas sensíveis ao sofrimento alheio, embora contenha imagens chocantes. Se ligarem o título à imagem compenetram-se dos perigos que vão correr. Quero convocar seres deste universo e partilhar o destino de uma das minhas memórias. Só tive uma dúvida: se seria um abuso usar a imagem de um tubarão numa história tão violenta, porque sei, pela voz da ciência, que estes animais são normalmente inofensivos e que a sua ferocidade é a reacção natural de quem é habitado pelos medos do mundo; como os humanos, afinal.

 

Acredito que serei absolvido. Parece-me palpitante começar uma narrativa desta maneira e antes de vos subir o pano não resisto a fazer uma declaração de princípios. Sempre que assisto a um discurso ministeriável para uma plateia de professores - e aconteceu uma coisas dessas, recentemente, num congresso de professores de história - reforça-se a necessidade dos jovens treinarem a memória através dos exercícios de cálculo na matemática. Pergunto-me repetidamente: então e a história? Ficarão os jovens mais preparados para enfrentarem os domínios da razão com a tabuada na ponta da língua ou com o conhecimento da história? Se tivesse que optar, escolhia as duas. Para ilustrar esta excêntrica conclusão, vou vos dar a conhecer como os encantos da infância podem ser ensombrados pelos relatos da investigação histórica.

 

A história passa-se em duas praias. No Tohofinho, uma das belas praias de Inhambane, cidade moçambicana, e na Foz do Arelho, a praia das Caldas da Rainha, cidade portuguesa. Entre uma e outra, esboroou-se um encantamento com mais de 30 anos.

 

Decorria o ano de 1971, tinha 11 para 12 anos e vivia na cidade de Maputo. As férias grandes eram intermináveis. Uns vizinhos convidaram-me para passar um mês, dos três que essas férias nos abençoavam, na cidade de Inhambane. Era preciso percorrer cerca de mil quilómetros para se chegar à cidade suave. Uma catedral erguia a centralidade da terra da boa gente, por baptismo de Vasco da Gama, que acolhia muitos cidadãos indianos e paquistaneses. Aparentava uma pacífica coabitação entre culturas.

 

Bastava percorrer uma ou duas dezenas de quilómetros para sermos presenteados com uma das belas praias que rodeavam Inhambane. O Tohofo (lê-se tofo) era a nossa escolha. Praia quente, de águas imaculadas e impossível de descrever. Pouco habitada, com um hotel, uma estância balnear de ferroviários e pouco mais. Uns poucos quilómetros antes de se chegar ao Tohofo, aparecia uma picada para o Tohofinho.

 

É do segundo lugar que a minha memória guarda as imagens que me fizeram escrecrever este texto. Os jovens chegavam diariamente ao Tohofinho pela praia. Centenas de metros percorridos de modo pedonal e sempre com a mente desperta para o aviso dos perigos mortais. O Tohofinho tinha uma rebentação fortíssima e era um albergue de tubarões.

 

Na fronteira das duas praias, erguia-se um invulgar rendilhado rochoso. Na maré vazia, a natureza oferecia-nos um belo complexo (digo complexo para ser moderno, já que aquilo não era mais do que um “simplexo”) de piscinas naturais. Foi numa dessas piscinas que tive a sensação única de tocar num tubarão vivo; pequeno é certo, já que esta história não vos é contada por um caçador de leões ou elefantes.

 

Guardo dessas férias a ideia de ter estado no paraíso. Passados 33 anos, e imaginem como cenário uma esplanada da não menos bela Foz do Arelho, lia uma entrevista da historiadora portuguesa Dalila Mateus. Um arrepio apoderou-se de todo o meu ser. A tese da investigadora apresentava argumentos para se considerar como genocídio a presença portuguesa nos territórios coloniais. Entre outros relatos, Dalila Mateus contou algumas atrocidades cometidas pela PIDE. Salientou a prática comum de se lançarem aos tubarões do Tohofinho - em plena primeira metade da década de 70 do século XX - os presos políticos de pele negra. Em que águas límpidas terei eu tocado? Como foi isto possível?

 

 

(Texto reescrito. 1ª edição em Maio de 2004)



dos rankings - é das caldas da rainha a 1ª escola pública nos exames do secundário em 2014

29.11.14

 

 

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1ª página da Gazeta das Caldas em 28 de Novembro de 2014.

 

A Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, é a escola pública com melhores resultados nos rankings 2104 do ensino secundário. Foi, naturalmente, com orgulho que a comunidade escolar recebeu a notícia. É já habitual a distinção da Secundária Raul Proença nestes rankings, mas é a primeira vez que ocupa o primeiro lugar nas escolas públicas. Os jornais salientam a primazia do ensino privado e ainda não li qualquer referência ao facto do índice sócio-económico das famílias (os tais dados do contexto) só ser considerado para as escolas públicas. Mas deixo isso para outro post.

 

A Secundária Raul Proença é a escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome que inclui a Escola Básica Integrada de Santo Onofre e ainda mais dez escolas (do primeiro ciclo e do pré-escolar). Aqui por casa é natural a satisfação: a minha esposa lecciona há mais de duas décadas na Raul Proença e foi lá que a minha filha fez o ensino secundário.

 

O concelho das Caldas da Rainha tem estado na agenda mediática da Educação como um ponto central na defesa da escola pública, já num ano recente (este ano ainda não vi) os rankings do Expresso classificavam o concelho em 1º lugar no país nos exames do secundário e ao longo das últimas décadas o sistema escolar caldense tem conhecido as mais variadas distinções.

 

Há um dado relevante nesta classificação do ensino secundário da Raul Proença: a coerência entre a classificação interna e a dos exames.

 

Há muitos dados para serem estudados: o Público e o Expresso, haverá mais clarotêm duas ferramentas.

 

É evidente que as primeiras páginas salientam a componente mais crítica: as políticas educativas dos últimos anos afundam as escolas públicas e a mediatização dos rankings transforma-se em publicidade para o ensino privado.

 

Só mais um detalhe interrogativo: rankings com escolas do 4º ano de escolaridade?

 

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 1ª página do Público online em 29 de Novembro de 2014.

 

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 1ª página do Expresso em 29 de Novembro de 2014.

 

 

 

 

 

 

 

dos dez anos de prisão efectiva para duarte lima

28.11.14

 

 

 

 

Se o processo de constituição do direito é fenomenológico e normativo, impõe-se a interrogação: quais são os momentos dos normativos vigentes? Os especialistas responderão: direito só há um o vigente e mais nenhum.  

 

A vigência é o modo de ser do direito e engloba duas categorias: a validade e a eficácia. Para Kant, por exemplo, "a validade sem eficácia é inoperante e a eficácia sem validade é cega".

 

Um Estado que se afirma de direito, como o nosso, e em que a validade e a eficácia são acusadas da dissolução na espuma dos dias, é fundamental o exemplo, desde logo, dos primeiros dignitários do Estado.

 

Olhamos para o estado de boa parte das figuras políticas, e dos mais variados quadrantes, e ficamos perplexos. E ficamos ainda mais preocupados se considerarmos a atmosfera que exibem primeiro-ministros e muitos dos "capitães" partidários como é o caso de Duarte Lima. Argumente-se o que quiser, mas é indisfarçável a crise da democracia.

 

 

 

das relações

28.11.14

 

 

 

 

Mesmo numa lógica de conhecimento sumário e introdutório, deve precisar-se que agir sobre a informação é não só atuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem, “(...) ou seja, sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dela decorre (...)” Rascão (2004, pág. 21).

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