Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

aprender de cor

24.10.14

 

 

 

Aprender de Cor quem Amamos

 

  

"Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida. 
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona." 

 


Miguel Esteves Cardoso, 

em "As Minhas Aventuras na República Portuguesa"

 

 

da prescrição do homem médio

23.10.14

 

 

13950521_R925k.jpeg

 

 

Contactei, que me lembre, claro, a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver no serviço militar: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo, do recurso aos especialistas da troika para a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. Só têm alguma atenuante se recorreram a Maquiavel. 

 

A sugestão para o tempo militar subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para as fraudes, que nos arruinaram, do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, detectam os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para a média.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

 

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika e os tecnopolíticos como Gaspar, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

enquanto os coligados continuam em campanha

22.10.14

 

 

 

Enquanto o PSD e o CDS se entretêm em mútuas acusações, a saga mais tresloucada e incompetente da história dos concursos de professores continua a prejudicar seriamente alunos e professores e as respectivas famílias. Bem pode o Governo agradecer o facto do concurso ser "apenas" para menos de 5% dos lugares. Se por acaso tem existido um concurso interno aberto a todos os professores do quadro sem ser na lógica vigente da mobilidade interna, o caos seria sei lá o quê. Se Nuno Crato pouco sabia do sistema escolar e depositou no SE do CDS a responsabilidade pelos concursos, e se a composição destas equipas obedece às cotas partidárias, então está tudo explicado.

 

Captura de Tela 2014-10-22 às 20.35.57.png

 

Nuno Crato está perdido na argumentação

21.10.14

 

 

 

É penoso ver um ministro da Educação com o descrédito do actual. É bom que se diga que se olharmos para o prós e contras de ontem é caso para ficarmos preocupados com o futuro.

 

Nuno Crato já nem evoca como "obras" as metas ou os achamentos curriculares com cortes a eito nas artes e nas humanidades. O ainda ministro não fala de exames nem da "papelada" denominada por contratos de autonomia. Crato não refere o combate ao facilitismo e nem consegue colocar o emblema do "não-à-parque-escolar-e-às-novas-oportunidade". Já nem os 30 alunos por turma ou a prova de ingresso para professores conseguem pôr o ministro a dar asas à soberba em descrédito dos colegas de profissão.

 

Repare-se nas quatro "obras" que o ministro acha que deixou como legado: as duas primeiras estão por provar e aa seguintes fazem-nos recuar à década de 60 do século passado.

 

"(...)O alargamento da rede pré-escolar, a alteração do currículo para o 1.º ciclo, a redução das taxas de abandono escolar e as vias profissionalizantes do ensino secundário foram algumas das medidas apontadas hoje por Nuno Crato, durante a cerimónia de encerramento da conferência “Os Direitos da Criança – Prioridade para quando?”. 

“Temos aqui três ou quatro coisas de que o ministério se orgulha muito”, concluiu o ministro da Educação, no final da cerimónia realizada no parlamento e organizada pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). 

Segundo dados citados hoje por Nuno Crato, 99% das crianças com cinco anos frequentam o ensino pré-escolar e quase metade dos alunos do ensino secundário (47%) já opta pela via profissionalizante em alternativa ao ensino regular.(...)"

 

 

 

não olhes para o que eu digo

20.10.14

 

 

 

João Grancho, ex-secretário de Estado no MEC, foi presidente da Associação Nacional de Professores. Parece que se demitiu por causa de uns textos plagiados que enviou para uma conferência sobre a "dimensão moral dos professores".

 

Repare-se nesta entrevista de 22 de Abril de 2011 (e não no século passado nem sequer na primeira década deste milénio). Aguardava-se que a vergonha fizesse qualquer coisa pela dignidade antes do final do mandato e talvez o convívio com tanto além da troika tivesse aberto a oportunidade (e isto sem qualquer atenuante para plágios e afins).

 

grancho1.png

grancho2.png