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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ainda o mercado municipal

31.07.14

 

 

 

 

A "Gazeta das Caldas" fez mais uma peça sobre a ideia de municipalização da Educação no concelho de Óbidos, mas não encontro o link. Estive algum tempo a conversar com a jornalista apesar das dificuldades da rede. É interessante ser ouvido como professor e blogger. Não pertencer aos órgãos de partidos políticos, sindicatos e por aí fora cria algumas incomodidades na vidinha pública, mas a sensação de liberdade e de cumprimento do dever cívico é inigualável; mais ainda, e por incrível que pareça, nos tempos que correm.

 

Nota-se que a autarquia de Óbidos recuou no seu ímpeto-modelo-GES e que já se inspirou em alguma sensatez.

 

 

 

 

 

  

 

  

 

 

o homem médio como prescrição estatística do homem comum

31.07.14

 

 

 

 

 

 

Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do inclassificável (só têm alguma atenuante se recorreram a Maquiavel) recurso aos especialistas da troika para a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para o bom tempo militar subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para as fraudes do tipo BPN e que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, detectam os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para a média.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e ao que parece os tecnopolíticos como o ministro das finanças, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

1ª edição em 1 de Novembro de 2012

 

 

da torre em Sandycove (Dún Laoghaire em Irlandês) com vista para Dalkey

30.07.14

 

 

1ª edição em 28 de Agosto de 2013.

 

 

 

 

 

Certa vez, um calor tórrido impediu que chegássemos a Ronda, bem no interior da Andaluzia, motivados pelos escritos de Rainer Maria Rilke. Desta vez, um tempo fresco e um percurso costeiro com linha férrea levou-nos até à Torre, em Sandycove (Dún Laoghaire em Irlandês), que acolhe um museu de James Joyce.

 

 

 

 

O momento da chegada à Torre.

 

 

 

A porta do Museu.

 

 

 

 

A 1ª edição de Ulysses corrigida por James Joyce.

 

 

 

 

O quarto.

 

 

 

 

Dalkey vista do alto da Torre.

 

 

 

 

 

 

desde então nada disso aconteceu

29.07.14

 

 

1ª edição em 29 de Agosto de  2013.

 

 

 

A frase em título é a que se segue ao parágrafo que escolhi para a imagem do post e foi obtida em Amos Oz (2013:202), "Cenas da vida de aldeia", D. Quixote, Lisboa.

 

A obra de Amos Oz tem um fascínio comovente. A literatura tem o condão inigualável de nos fazer viajar sem sair de casa, mas "As cenas da vida de aldeia" chegaram-me na ida e na volta de uma inesquecível viagem com um final em coincidência temporal com mais uma tragédia dos bombeiros portugueses comentada pelos que "sempre avisaram" para as pragas dos eucaliptos e das responsabilidades locais e que me recordam a única certeza existencial dos populistas na ajuda aos pobres: a publicitação do acto.

 

 

 

 
Desde então nada disso aconteceu (página 203). 

do haircut do GES

28.07.14

 

 

 

 

Quando há uma falência, é preciso determinar os passivos e os activos e calcular a percentagem da dívida que não será satisfeita: a reestruturação. É isso que já se deve estar a fazer com o GES e que se denomina por haircut. É sempre isso que se faz. Há, todavia, excepções: a Grécia e Portugal. O segundo foi mesmo um bom aluno que satisfez os mercados que não se cansam de premiar os governantes lusitanos.

 

os exames e a repetição do óbvio

27.07.14

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "para além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Em simultâneo, criou uma catadupa de exames acrescentados de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance de uma mente em estado do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga socialista centrada nos conjunturais, e justos, "novas oportunidades" e "rendimento mínimo garantido". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas modernaços fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP). Dá ideia que não se mexe nisso para eternizarmos a necessidade de "novas oportunidades" e de "rendimento mínimo garantido". É que nem o pessoal socialista da ciência se convence que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular"; são da "elite", claro.

 

 

 

 

 

COMPOSIÇÃO ESCRITA NUM EXEMPLAR DA GESTA DE BEOWULF

27.07.14

 

 

 

 

 

 

 

Pergunto a mim próprio que razões

Me movem a estudar sem uma esperança

De precisão, enquanto a noite avança,

A língua desses ásperos saxões,

Já gasta pelos anos a memória

Deixa cair a em vão repetida

Palavra e é assim que a minha vida

Tece e destece sua exausta história

Será (disse-me então) que de algum modo

Secreto e suficiente a alma sabe

Que é imortal e que o seu vasto e grave

Círculo abarca tudo e pode tudo.

Pra lém deste cuidado e deste verso

Espera-me inesgotável o universo.

 

 

 

 

Jorge Luís Borges (1961, p:51)

Poemas escolhidos,

Cadernos de poesia, 20,

Publicações dom quixote.

 

 

 

 

 

 

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