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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da queda histórica da direita

25.05.14

 

 

 

 

 

 

As sondagens são o que são, mas é possível tirar algumas conclusões. A abstenção aumenta e reflecte a falta de entusiasmo com o estado da democracia.

 

A direita para além da troika tem uma inapelável derrota nestas eleições. O CDS, que desde o início da governação pôs a campanha eleitoral acima dos interesses do país, tentará culpar o PSD num gesto típico da sua irrevogável condição, mas a derrota é de ambos e justifica que acreditem num antecipado regresso à bancada da oposição.

 

O PS vence, mas com um sinal evidente do eleitorado: a democracia portuguesa cansou-se da política de aparelho e do denominado arco da governação que capturou a democracia. Os eleitores reflectiram e querem soluções governativas que ultrapassem o conhecido.

 

A CDU beneficia do voto de protesto e obtém uma muito boa votação, o PT tem um crescimento que pode não ser sustentado e o BE quase que desaparece; naturalmente.

 

Este post será actualizado.

 

 

 

 

do dia de reflexão

25.05.14

 

 

 

Recebi um email (com pedido de divulgação), ontem no dia de reflexão, com este texto muito interessante de Pedro Santos Guerreiro. O "ashes to ashes, dust to dust" (és pó e em pó de tornarás - das cinzas às cinzas, do pó ao pó) tem tanto de belo como de difícil e de verdadeiro.

 

"Declaração de desinteresse: não sou maçon.

 

Declaração preconceituosa: não gosto da Maçonaria – daquilo em que ela se deixou transformar; tomada de assalto por malta do business, gente da transacção comissionada, do toma-lá-dá-cá-e-se-não-dás-levas-onde-for, gente ameaçadora, ardilosa, manhosa. Gente perigosa.

 

Declaração irrelevante: tenho amigos maçons que são umas jóias. Tenho amigos que, não sendo maçons, são também umas jóias – mas normalmente estes são mais corajosos. Tive amigos que passaram a patifes, dos que nos levam os nossos cavalos para decepá-los, para deixar as suas equídeas cabeças sangrentas nas nossas camas. Alguns desses amigos deslocaram a coluna. Levaram-na para o peito, para a garganta, para o meio das pernas, para as mãos como adagas. Só o espaço da coluna ficou vazio, deixando o habitat para invertebrados.

 

Alguns desses amigos viram no "ser maçon" uma protecção, uma projecção, uma ascensão, uma corrupção tolerada. É fácil torcermo-nos tão pouco, mas tão pouco, que a torção é imperceptível. E no entanto…

 

O poder é como o sol, queima se nos aproximamos. O poder corrompe. E há hordas, corjas, fileiras, trincheiras de pessoas fascinadas com isso: com o poder. Prontos a trocar uma sobrancelha por um Mazeratti na garagem. Sobretudo: essa sensação ridícula e humana de nos sentirmos superiores aos outros. O “ashes to ashes, dust to dust” não nos entra na cabeça, pobres mortais. Cada homem no seu galho, os macacos não se medem aos palmos.

 

Lincoln disse tudo: queres conhecer o carácter de um homem? Dá-lhe poder.

 

Ou então dá-lhe livros para ler. Poesia para começar. Ou para acabar."

 

 

Ao googlar o assunto, encontrei esta entrevista a quem parece conhecer bem o assunto e que denuncia os perigos para a democracia das denominadas sociedades secretas.

 

Retirei este pedaço.

 

 

 

E podíamos ficar o dia todo a comentar a informação que se encontra sobre o assunto. Até a de um "ex-juíz que acusa a maçonaria de controlar a justiça". E  as interrogações impõem-se: será que nas eleições de hoje é este jogo de influências que se sobrepõe? Será que os regressos, reaparecimentos, ameaças de regresso e por aí fora são apenas jogos de quem se movimenta nestas sombras? Será que a lei de ferro das oligarquias é mais decisiva do que o voto?