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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Ideologia e responsabilidade

31.05.14

 

 

 

 

1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 

 

 

 

 

Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.

 

A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

 

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.

 

As questões foram colocadas assim:

 

Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

 

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 

 

o beijo da morte?

31.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não sei se é o beijo da morte, mas não me parece que o apoio de Sócrates ajude quem quer que seja; pelo contrário.

 

Fazendo um raciocínio indutivo a partir das políticas da Educação, a "tralha socratista" devia abster-se durante uma década. Foi o próprio António Costa quem disse, aqui há um ano, que era cedo para o reaparecimento de Sócrates.

 

 

 

 

em cada turma de trinta alunos, seis têm problemas psicológicos

30.05.14

 

 

 

 

 

"Em cada turma de 30 alunos, 6 têm problemas psicológicos", diz a Ordem dos Psicólogos e imagine-se a tarefa dos professores que não têm os dotes de Nuno Crato, esse incompreendido génio da docência no ensino não superior, que afirmou que só os professores com má qualidade não conseguem leccionar três dezenas de alunos na mesma sala de aula.

 

Até os alemães, veja-se lá, concluem que a "austeridade destrói a qualidade da Educação em Portugal".

 

 

 

 

 

 

um rol de chumbos

30.05.14

 

 

 

O TC aplicou mais uns chumbos ao orçamento do Estado. O Governo para além da troika avisou antes de o ser: somos contra a constituição. Não avisou, mas também se ficou a saber: não estuda os acórdãos e repete os erros. O Governo para além da troika e da constituição não conseguiu produzir um orçamento, suplementares incluídos, sem chumbos do TC. É recorde nacional e mundial.

 

 

 

 

 

 

professores em pé de guerra

30.05.14

 

 

 

 

A carreira dos professores (estatuto e concursos) é, há cerca de uma década, uma história de atropelos graves provocados por incompetências técnica e política associadas à engenharia social e financeira complementada depois com os cortes a eito para além da troika. Tudo com assinatura do arco da governação.

 

Há professores mal colocados e longe da residência há uma década (e muitos nem sabem), há professores seriamente prejudicados por terem sido titulares e outros por não o terem sido e por aí fora. É um rol interminável a que se acrescenta agora um concurso de vinculação extraordinária que exclui os professores do quadro. Digamos que o desrespeito pela profissionalidade dos professores começou com o inenarrável concurso de 2004, acentuou-se com o estatuto chavista made in ISCTE e afundou-se com os cortes a eito de género MRPP.

 

Ao contrário do título da notícia, os professores estão em pé de guerra e não em guerra uns contra os outros.

 

 

 

 

e metemos 30 na mesma sala de aula

30.05.14

 

 

 

 

"Portugal "perdeu" quase um milhão de crianças em trinta anos", diz o INE, mas o Governo para além da troika decidiu, pela voz de Crato, que "(...)"uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade (...)" e retratou o que acontece nos países asiáticos com democracias muito musculadas. É mais um ministro que não consegue ter voz política ou que não está a defender a escola pública e a igualdade de oportunidades.

 

Com o empobrecimento associado à queda da natalidade e à alteração de sentido dos fluxos migratórios, exigia-se que Portugal aumentasse a qualidade do ensino e reduzisse o abandono escolar. E só quem nunca pôs os pés numa sala de aula de um país com as nossas características é que não pecebe a diferença entre 24 e 30 no limite do número de alunos por sala de aula.

 

da importância de um governo

29.05.14

 

 

 

 

Olhando a partir do sistema escolar e desenvolvendo um raciocínio indutivo, comprova-se que um Governo em Portugal ainda tem alguma margem para tomar decisões não condicionadas pelo euro e por tudo o que o envolve.

 

Mesmo durante os três anos de protectorado, existiram decisões fundamentadas no radicalismo ideológico a que não foi indiferente a composição do Governo. Basta lermos o guião da reforma do Estado para percebermos que o CDS deu corpo ao pior do ensino dito privado. Ou seja, o partido que elegeu um deputado europeu, e que valerá menos de 4% dos votos, é quem "pensa" a Educação e isso só é possível porque existiu a demissão escolar do PSD e o trágico legado do PS Lurditas D´Oiro.

 

E é também isso que se jogará no futuro do PS. Quem vencer esta contenda, que se espera rápida e civilizada, terá de ter uma qualquer inspiração à "Renzi Italiano" ("uma esquerda que reaprendeu a vencer") e demarcar-se de vez do legado "educativo" dos Governos de Sócrates que consistiu na destruição da profissionalidade dos grupos mais numerosos através da retórica do accountability (para os outros) que dilacerou as atmosferas relacionais no eixo central do sucesso de quaisquer políticas: a dignidade das pessoas.

 

 

 

 

 

 

editorial (22)

28.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando comecei o Correntes não imaginava o que iríamos viver.

 

Se me tinha prometido não escrever sobre assuntos escolares, a ideia foi progressivamente abandonada a partir de 2006. O registo entranhou-se e só o tempo ditará o destino do blogue. Habituei-me desde cedo a não dizer nunca, em questões que não ultrapassem, obviamente, determinados limites, e a responder pelos meus actos. Sei dos custos da independência, mas a sensação de liberdade é oxigenante.

 

Quando olho para trás, e para cerca de 7665 posts, não dou o tempo por perdido. Escrever organiza as ideias e o nosso mundo e é um exercício de risco. Gosto disso. A linguagem exprime emoções e não escapo ao registo intimista.

 

Escolho os assuntos de acordo com os meus critérios e não adopto o registo assim-assim ou o calculismo da publicação para agradar a quem quer que seja. Dizem-me que, por vezes, sou contundente. Não faço por isso, mas não me queixo do retorno.

 

Os blogues são uns clássico das redes sociais e ao fim de uns anos os seus arquivos ensinam-nos a lidar melhor com o tempo.

 

Obrigado a todos os que passam por aqui.

 

 

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