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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ganhos de eficiência?

14.04.14

 

 

 

 

Com os cortes a eito registados no sistema escolar é natural que as consequências negativas se evidenciem. É no mínimo sei lá o quê que David Justino veja ganhos de eficiência no que se está a passar, o que pode dar razão aos que defendem que há muito de ideológico nos cortes e que o peso político dos actores mainstream da Educação é nulo ou de soma negativa.

 

Santana Castilho é obvio e taxativo: "com a atual sangria de meios e recursos, tudo andará para trás".

 

Pode ler estas e outras opiniões no estudo que o DN classifica como Grande Investigação e onde se conclui que "120 mil crianças sofrem com falta de comida" ou que o "abandono escolar é preocupação sem rostos nem números". São inúmeros os "ganhos de eficiência" que escapam a leituras com um determinado tipo de lentes, obviamente.

 

O João Daniel Pereira digitalizou uma parte da edição impressa.

 

 

 

 

 

 

do elogio da escola da ditadura

14.04.14

 

 

 

Durão Barroso mostrou-se, recentemente, nostálgico da escola da ditadura. Sei pouco do que pensa este político profissional, mas os sound bites são suficientes. O seu percurso político foi quase sempre silencioso e cinzento à excepção da indizível campanha eleitoral para primeiro-ministro e do respectivo exercício. O seu legado, e do seu Governo, traçou a fronteira da destruição da escola pública e da terraplenagem na confiança nos professores através de um nivelamento por baixo.

 

Há muito que se reparou que a escola pública portuguesa incomoda Bruxelas. Desde 2008 que também se intuiu que os professores portugueses eram a espinha dorsal que faltava quebrar. Os ultraliberais - socialistas da terceira via e sociais-democratas desmemoriados ou com passagem oculta pelo BPN - não perdoam aos professores portugueses e em breve voltarão à carga com mais cortes. É o que parece segredar, ou determinar, Durão Barroso a Passos Coelho na cerimónia em que proferiu o dislate laudatório da escola da ditadura que se pode considerar um julgamento resultante da ignorância ou da má-fé. Parece-me apenas mais um episódio da tragédia que nos trouxe até aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

são uns líricos, esses finlandeses

14.04.14

 

 

 

 

 

 

 

É comum apontar-se a Finlândia como detentora de um dos melhores sistemas escolares do mundo (e seja lá o que isso signifique) e sucedem-se as análises e os estudos comparados.

 

Desta vez é o Ibertic que afirma que na "Finlandia: En el mejor sistema educacional del mundo está prohibido seleccionar a los alumnos" e deve ter sido por isso que o entusiasmo de Sócrates e Lurdes Rodrigues esmoreceu muito quando visitaram o país do mesmo modo que a actual maioria perdeu a obsessão com o privado quando se conheceram os desastrosos resultados suecos em tudo o que era teste internacional (e seja lá o que isso signifique).

 

Mas o post do Ibertic não refere apenas a proibição de seleccionar. Diz que os professores são muito prestigiados na Finlândia, que as crianças só entram na escola aos 7 anos de idade por causa da maturidade, que as notas dos alunos só são publicitadas a partir dos 11, 12 anos e que as turmas não têm mais de 20 alunos. "São uns líricos, esses finlandeses", dirão as nossas resmas de descomplexados competitivos que olham para a vida como uma pista de obstáculos para os filhos dos outros e que se convenceram que na selva não há cooperação.