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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

de campanha em campanha

30.04.14

 

 

 

 

 

Quem, em 2011, perguntasse por cortes em salários ou subsídios dos funcionários públicos, recebia de Passos Coelho uma resposta veemente de protesto por se estar a inventar uma mentira. Estávamos em campanha eleitoral e quem mentiu foi o actual primeiro-ministro.

 

O novo governante começou a logo a cortar para além da troika, é bom que se recorde. Primeiro, classificou os actos como provisórios. Mais tarde, "decretou" a impossibilidade da sua recuperação para agradar a uma das partes da guerra interna que fomentou. A seguir, anunciou a recuperação total dos cortes até 2020. Hoje, e já em campanha eleitoral, prometeu a recuperação de 20% em 2015 (ano de eleições legislativas). Os restantes 80% serão recuperados se forem despedidos ainda mais funcionários públicos, numa altura em que os números deste grupo profissional são muito inferiores aos que existem nos países da União Europeia e da OCDE. Tudo isto assenta em extremismo ideológico para além da troika e em incompetência.

 

 

 

 

 

 

da primeira elegia

30.04.14

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

 

 

 

 

da nona elegia

29.04.14

 

 

 

 

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)

 

 

 

 

Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.

 

o melhor retrato a propósito do 25 de Abril

28.04.14

 

 

 

 

"Em Portugal sabiam tudo, não tinham dúvidas e nem sequer podíamos fazer perguntas. Cheguei a Londres, fui trabalhar como investigadora com os melhores do mundo e eles nada sabiam, estavam cheios de dúvidas e ávidos de quem os questionasse", foi mais ao menos assim que uma investigadora da área de medicina descreveu a sua mudança da Faculdade de Medicina de Lisboa para o melhor centro de investigação no mundo, situado na Grã-Bretanha, durante a ditadura portuguesa (finais dos anos sessenta, princípios dos anos setenta).

 

Este retrato é fiel e significativo. O país das trevas, do analfabetismo, da pobreza e dos sabichões, poucos, que constituíam a "elite", não desapareceu. Quarenta anos depois, e com avanços inquestionáveis, Portugal ainda tem que gramar com a presença, por vezes devastadora, dos que sabem tudo. É evidente que evoluíram e até revelam uma ignorância: a atmosfera descrita pela investigadora.

da blogosfera - ladrões de bicicletas

28.04.14

 

 

 

 

 

Os jogos do poder

 

 

 

"(...)Aviso-vos, no entanto: a verdade que Pena expõe sobre estes anos de chumbo não é para estômagos frágeis. Afinal de contas, estamos a falar de Doutores Honoris Causa como Ricardo Salgado, Eduardo Catroga ou António Mexia e de outra gente, também muito respeitável e a quem muito devemos, como João Rendeiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Paulo Teixeira Pinto, Jardim Gonçalves ou Cavaco Silva. A parte sã, no fundo. A verdade não é para estômagos frágeis porque estamos também falar de “refúgios fiscais” (a boa tradução para haven, e não heaven, como assinala Pena), de uma opacidade metodicamente cultivada pela finança cuja trela foi solta pelos governos, os que organizaram a sua, a nossa, submissão à banca, os que tornaram o Estado num agente sem soberania monetária. Pena mostra bem o que é o mercado e a inovação na finança: especulação financeira e fundiária, sopas de letras para gerar lucros à custa da dissimulação e do engano, destruição de um bem público como o crédito em crises financeiras sem fim.(...)"

 

 

 

 

da força do voto

28.04.14

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo numa crise profunda, a força das democracias é insuperável e a do voto inquestionável. A notícia que leu na imagem tem um desenvolvimento muito interessante e é da mesma família que anuncia o recuo do Governo nas indemnizações por despedimento "ilegal" (o inenarrável ministro da segurança social aparecerá a dar a boa nova, já que o pequeno partido da coligação está em campanha desde o início). As campanhas eleitorais têm muita força.

 

Soube-se que 30 mil milhões de euros de austeridade foram desastrosos, não cumpriram as metas do défice e não chegaram para tapar a corrupção dos bancos (sublinhe-se que bancos desses pululam pela Europa e pelo mundo ocidental; claro que o BPN é o auge da falta de vergonha). E vai-se sabendo muito mais nesta fase de campanha eleitoral numa Europa composta por egoístas a norte e a centro que se apressaram a apontar o dedo aos do sul. E o mais grave é que houve governos sulistas que se afirmaram para além da troika.

 

 

 

 

pastelinhos de belém 2014

28.04.14

 

 

 

Participei na sessão, começou com um jantar, que o CFAE Oeste (centro de formação de associação de escolas que inclui Caldas da Rainha) organizou para comemorar os 40 anos do 25 de Abril. Seguiu-se uma bonita, e muito significativa, jornada evocativa que decorreu no auditório da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro e que terminou com o coro da EBI de Santo Onofre. Os Pastelinhos de Belém estiveram ao melhor nível como comprova o vídeo que se segue.

 

 

 

Vasco Graça Moura (1942 - 2014)

27.04.14

 

 

 

 

Faleceu Vasco Graça Moura, "um intelectual renascentista do Século XXI".

 

O escritor tem uma obra vasta que vai da poesia ao ensaio passando pela ficção e pelo teatro. Gosto da sua poesia e devo-lhe, acima de tudo e através das traduções, o acesso a duas obras maiores: "A divina comédia" de Dante Alighieri (e essa espécie de introdutório o "A vita nuova") e "Os sonetos a orfeu" do enormíssimo Rainer Maria Rilke. Que descanse em paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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