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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

para lá do humano

02.02.14

 

 

 

 

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 

 

do conceito pós-moderno de emprego

02.02.14

 

 

 

 

 

Há quem investigue dos 20 e pouco aos 40, ou mais, anos de idade, com bolsas sucessivas, mas esses não estão, para Nuno Crato, empregados. São uma espécie de párias. São pessoas a quem se está a prestar um favor de valor avaliável ao dia e que não merecem qualquer tipo de vínculo. Não merecem imaginar, sequer, que estão empregados.

 

O conceito de emprego evoluiu "para o não pode ser para a toda a vida através da necessidade imperativa de adaptação, de flexibilidade, de mobilidade, de selecção meticulosa dos melhores" e por aí fora. É bom que se sublinhe que é um conceito para ser vivido pelo outro e que não pode ser conjugado, por exemplo, com natalidade, estabilidade, bom uso do tempo ou apoio a idosos.

 

 

 

 

 

Página 4 do 1º caderno do Expresso de 1 de Fevereiro de 2014.