Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o expresso da meia-noite e os automóveis

28.02.14

 

 

 

 

Estou a ver o expresso da meia-noite na SICN onde se faz um rescaldo do congresso do PSD. A jornalista (?) Maria João Avillez faz uma defesa acérrima do Governo e resolveu apresentar dados sobre pessoas. Disse-o assim para enaltecer as preocupações humanistas do seu governo. Foi taxativa: "o consumo de automóveis subiu 12% em 2013, o que significa que 12% de pessoas se sentiram em condições de comprar um automóvel novo". Esta inenarrável conclusão estatística deve ser influenciada pelas aprendizagens com o livro sobre Gaspar (o premiado pela relação entre os erros em excel e o empobrecimento inapelável de populações pouco numerosas e com excesso de automóveis).

 

Para compensar, aconselho a crónica de Pedro Xavier Mendonça, no expresso online, "O automóvel como centro do mundo".

 

 

"O automóvel é todo um mundo. Não só cria uma cultura e uma economia, como novos códigos de ação e mais aprofundadas esferas ocultas. Passo a explicar.

Cria uma cultura porque surge no centro das cidades. Alarga o espaço urbano para nele melhor caber, como parecia prever o Marquês de Pombal. É ícone do progresso industrial e da liberdade individual, basta ver a América. Mostra diferenças sociais e conquistas pessoais - "o meu carro é melhor do que o teu". Concentra nos seus diferentes tipos e acrescentos um elogio à tecnologia como poder, performance e estilo, como é exemplo a subcultura tuning.(...)"

 

 

 

dos direitos

28.02.14

 

 

 

 

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 

 

 

 

 

algo mudou no público-privado na educação

27.02.14

 

 

 

 

Se António Barreto afirma que "(...)na educação(...)admite a liberdade de escolha, mas sem que o Estado pague a privados. “Quem quer fazer educação privada que a pague. O Estado não deve pagar cheques ensino não deve estar a subvencionar as escolas privadas, como faz actualmente. O Estado gasta milhões e milhões nisso, nas escolas privadas e acho que não o deve fazer”, afirma António Barreto.(...)" é porque algo mudou no mainstream a propósito do público-privado na Educação. Vem tarde, mas ainda a tempo. Os suecos cometeram o erro de privatização absoluta no início da década de noventa do século passado. Os resultados exigiram o estudo de um processo de nacionalização de escolas. Portugal não entrou num devaneio de privatização como pretendia a actual maioria e parece que as teses da sensatez vão ganhando terreno. Vale a pena ler a notícia na totalidade.

 

 

 

sempre a contra-ofensiva

27.02.14

 

 

 

Podemos agrupar os austeritaristas e o seu contrário (keynesianistas, por exemplo) numa contenda entre racionalistas e empiristas. De um lado a matemática (e recordo a polémica-excel) e do outro a cultura, digamos assim.

 

Os auteristaristas refugiam-se no liberalismo. Leio com frequência quem lhes acrescenta o prefixo neo e são menos os que optam pelo ultra. Tenho escolhido o segundo, como se pode ler aqui.

 

Os austeristaristas são ultraliberais que podemos classificar como ultraracionalistas. Como se pode ler a seguir, este género aplicado à política, e mesmo depois de seriamente abalado, pode derivar numa contra-ofensiva metafísica.

 

 

 

 

 

 

Gaston Bachelard (1976:27). "Filosofia do Novo Espírito Científico".

Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.

 

 

 

heurística em 3d, linhas ou barras

27.02.14

 

 

 

 

 

A heurística, como arte de inventar ou descobrir, pode também manifestar-se em desenhos a três dimensões ou em gráficos com linhas ou barras.

 

A figura que se vê a seguir, e o problema colocado, recorda-me as manipulações de vária ordem dos ideólogos do Estado mínimo. O seu discurso anti-professor e anti-funcionário público em geral não sofre oscilações por mais que se comprovem as inverdades nos números ou nos factos, como foi o caso recente do relatório FMI ou das atoardas do primeiro-ministro e de quem o influencia ou guia directamente.

 

 

 

 

Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

 

É mesmo assim. Nem com régua os defensores do Estado mínimo lá vão. A despesa com professores será sempre exagerada e nunca se comoverão com a brutalidade dos cortes já efectuados. Mesmo os que dizem que na Educação já se chegou ao limte mínimo, omitirão essa fatalidade e repetirão o chavão da atracção dos "melhores".

 

Outra forma heurística muito em voga é a demonstração por gráficos. A escolha das escalas, mais ainda no eixo do y, digamos assim, provoca um efeito parecido ao demonstrado por Daniel Kahneman.

 

Vejamos dois gráficos com os mesmos números de alunos matriculados no 1º anos de escolaridade. A diferença está na escala usada no eixo do y e o resultado permite as mais variadas leituras. Repare-se que quem fez o primeiro gráfico é um blogger comprovadamente comprometido com a causa da escola pública.

 

 

 

Este gráfico foi inserido neste post.

 

 

 

 

 

 

Este gráfico é de um leitor do blogue a quem agradeço a colaboração.

 

 

 

1ª edição em 19 de Maio de 2013. 

 

da mosca e do cheque-ensino

26.02.14

 

 

 

 

 

(Primeira edição em 9 de Setembro de 2013)

 

 

Quem disser que os comités centrais dos partidos do memorando da troika têm reuniões frequentes desde a assinatura (ou até antes disso) para tratarem de "altos" assuntos do Estado, não poderá ser classificado como gerador de uma teoria da conspiração. É natural que essas reuniões aconteçam, é natural que sejam secretas e é também natural que alguns consensos se estabeleçam aí. É natural também que as bancadas parlamentares respectivas nem sempre saibam do acordado, uma vez que o jogo de oposição interna está sempre ao rubro.

 

O silêncio do PS em relação ao cheque-ensino (existiu uma voz discordante, talvez mais distraída ou opositora a sei lá o quê) pode ter uma qualquer relação com isso. Quem sabe se na última crise de Governo o triunvirato não terá acordado "deixar cair" a escola pública, mas em segredo. Não seria nada a que o PS não estivesse habituado.

 

Ou seja: a mosca que picou o idoso PS estava contaminada pela "música" ultraliberal, tal como o Quino imaginou, e o picado só dará conta quando tiver necessidade de voltar a soprar. É caso para dizermos que nada se aprendeu com a governação de Sócrates e que o país, a liberdade e a democracia voltam a perder muito com isso. Mas o melhor é ver o desenho.

 

 

 

em cada quatro crianças

25.02.14

 

 

 

 

 

 

"No mundo, em cada quatro crianças, três são subnutridas. Em Portugal, em cada quatro, três são obesas". Uns poucos anos depois, a OMS avisa que a obesidade infantil, e já também noutros grupos etários, é das mais preocupantes da Europa.

 

As crianças "desapareceram" do espaço público. Ainda há dias escrevi assim: "(...)em Portugal os horários das crianças recordam os operários fabris com oito horas diárias na escola a que se seguem trabalhos de casa. Têm sido décadas de construção deste modelo. Ao analfabetismo motor referido associou-se a obesidade como outro problema grave de saúde pública.(...)"

 

 

 

repetições, milhões, burlões e neutrões

25.02.14

 

 

 

 

 

Cansa um bocado repetir, mas é um dever: a bolha imobiliária de 2007 foi imaginada uns anos antes com o produto subprime que era uma uma espécie de bomba de neutrões: o edificado, intacto, regressou à banca, as pessoas faliram e uma vaga de revenda anda por aí com novos produtos como o "visto gold".

 

Só que nem tudo cabe em folhas excel. Só na Europa há cerca de 11 milhões de casas vazias. Em Portugal a coisa aproxima-se do milhão e os sem-abrigo não param de aumentar. É mais um retrato da última mentira de Passos Coelho: "o país está melhor".

 

 

 

 

 

 

Pág. 1/8