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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

relações directas e invisíveis

09.01.14

 

 

 

 

 

 

Já Adam Smith via a queda dos salários (ou das pensões) como uma decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

A queda dos salários e das pensões está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP, as PPPs e as Seguradoras tão mediatizadas hoje). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:171) em Riqueza das Nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 

tardíssimo para corrigir

09.01.14

 

 

 

 

 

 

Nuno Crato fez ontem um exercício discutível: participou numa acção de tablets com conteúdos da LeYa para salas de aula. Estas coisas parecem muitas vezes actos isolados promovidos por departamentos de marketing. O ministro da Educação colocou-se numa posição aceitável quando afirmou que "(...)No centro de tudo, "o saber". A escola do futuro, segundo Nuno Crato, terá mais tecnologia – “e vocês têm a sorte de ter um bocadinho desse futuro nas vossas mãos”, disse o ministro às crianças –, mas, “no centro de tudo, está o saber bem, saber escrever, saber História, saber contar.”(...)"

 

Um dos problemas de Nuno Crato no domínio curricular foram os achamentos essenciais e os cortes a eito para além da troika. Percebe-se a preocupação, que já tem duas décadas ou mais entre nós, com os ensinos do português e da matemática. As escolas sempre reforçaram o ensino nessas disciplinas com apoios individualizados, através das áreas disciplinares não curriculares ou com programas especiais como o plano da matemática ou o nacional de leitura. A polémica nunca se situou aí. Esse reforço não foi um back to basics. O que foi nefasto no discurso de Crato foi a desvalorização objectiva de outros saberes.  Mesmo que tentasse atenuar, chegava tarde e tinha que corrigir os cortes.