Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ministros sem mundo

31.01.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Se os ministros fossem portugueses, Luís Arnaut, uma das últimas aquisições do Goldman Sachs, diria que são ministros pacóvios e sem mundo. Dá ideia que continuamos algo distantes de outras democracias, pelo menos no que toca à coragem para uma qualquer espécie da mais elementar "desobediência civil".

 

 

 

 

o já longo caso GPS

30.01.14

 

 

 

 

 

 

 

Estranhei os factos ocorridos com o grupo GPS em 2004, 2005 e 2006. Fiquei atento ao assunto e publiquei alguns textos de opinião. Também estranhei que nas Caldas da Rainha o assunto só tivesse sido mediatizado há cerca de dois anos e no decurso dos cortes a eito nas escolas públicas.

 

Pelo que vai divulgando a comunicação social, a grande operação da semana passada foi preparada há mais de um ano e provocada também por acção do MEC em resultado de seis auditorias da Inspecção-Geral da Educação que, segundo o "I", foram arrasadoras para o Grupo GPS.

 

Basta googlar para se encontrar notícias com acusações graves, ao Grupo GPS e aos seus proprietários, com datas que remetem para 2006. A polícia judiciária há muito que confirma as investigações.

 

Ora leia, por exemplo, esta notícia de 27 de Julho de 2009, muito antes da sociedade ter acordado para o assunto.

 

 

"Despedimento “antecipado” para docentes.

 

Grupo GPS acusado de obrigar à assinatura de contratos e cartas de rescisão em simultâneo. Director desmente.

 

O Grupo GPS Educação e Formação, com mais de 20 escolas, exige aos professores cartas de despedimento no início de cada ano lectivo. Docentes falam de um ‘polvo’ de ilegalidades e terror. Director desmente tudo, mas PJ confirma investigações.

 

A 31 de Agosto, muitos serão os professores das mais de 20 escolas e colégios do Grupo GPS Educação e Formação, com sede no Louriçal, concelho de Pombal, que poderão cessar o contrato. Não por serem dispensados, mas porque os próprios foram obrigados a assinar uma carta de despedimento no início do ano lectivo, ao mesmo tempo que assinavam ou renovavam contrato, mesmo quando já lá leccionam há anos suficientes para fazerem parte dos quadros das escolas.

 

António José Calvete, director do Grupo GPS, nega as acusações, remetendo alguma turbulência para um conjunto de professores da Escola Profissional da Figueira da Foz que estão a ser confrontados com o facto de não poderem continuar a leccionar por falta de habilitações específicas.

 

A Polícia Judiciária (PJ) confirma investigações – não directamente relacionadas com os referidos contratos com docentes –de alegadas irregularidades relacionadas com os crimes de fraude e desvio de subsídios.

O presidente do Conselho de Administração do Grupo GPS, António Calvete, enquadrou o Colégio Internacional de Paços de Ferreira na vontade da comunidade pacense “em dar um passo qualitativo na construção de uma cidade educadora” e recordou que todas as escolas e colégios do Grupo GPS estão certificadas de acordo com a norma ISSO 9001.


A GPS foi constituída juridicamente em Novembro de 2003. Agregando inicialmente escolas dos distritos de Leiria (o Instituto D.João V, o Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, o Instituto Vasco da Gama e o Colégio de São Mamede), de Coimbra (o Instituto de Almalaguês, o Colégio de Quiaios) e de Santarém (Colégio Infante Santo), hoje integram já este grupo vinte e três colégios e oito escolas profissionais, correspondendo a mais de dez mil alunos distribuídos pelos diferentes ciclos de Ensino. O Grupo GPS assume a relevância do maior grupo empresarial na área do Ensino Particular não Superior, apresentando uma estrutura profissionalizada ao nível de gestão financeira e pedagógica de todas essas unidades. O grupo conta com a colaboração dos ex-Secretários de Estado de Educação, Professor Domingues Fernandes e Professor José Manuel Canavarro. A GPS – Serviços e a GPS – Imobiliário são os dois outros vectores de investimento do grupo."

 

 

o mito de narciso

30.01.14




 


(quadro de caravaggio
- o mito de narciso -)






A história de Narciso deve servir de metáfora para a nossa vida.

Se não somos capazer de olhar-nos com imparcialidade, afogamo-nos na vaidade: a ilusão do "eu" isolado: eu sou, eu fui, eu faço, eu fiz, eu posso.

Melhorar o carácter e a personalidade, através do difícil exercício de auto-conhecimento, não deve ser uma soma de saberes para a glorificação de um indivíduo como o "senhor da razão", mas uma acção que estimule, simultaneamente, o saber pessoal e o despertar da comunidade para o interesse e para o desejo no exercício da partilha.

Cada um de nós actualiza Narciso.


"Narciso morre de sede
ao beber a sua imagem".




(1ª edição em 15 de Junho de 2007)

há dias assim, realmente

29.01.14

 

 

 

Eram 19h00, fui buscar o carro à oficina e o rádio estava na TSf com um debate sobre as praxes. Não me era estranha a voz feminina que proclamava coisas acertadas sobre a indignação com a violência física e psicológica entre jovens, de adultos para jovens ou entre adultos. O discurso era até especializado na faceta psicológica dos abusos. O moderador moderou e nomeou Lurdes Rodrigues, essa inesquecível promotora do bullying de um governo sobre um grupo profissional, que instigou a violência psicológica entre pares e que deixou escola. Há dias assim, realmente.

 

 

 

eduardo prado coelho (reedição)

29.01.14


 

Tive o privilégio de passar um bom bocado da tarde na praia da Foz do Arelho. Mais um dia limpo neste Outubro cheio de sol, embora um bocado ventoso: a forte corrente de ar convidou-me a reduzir para metade a caminhada junto ao mar e empurrou-me para uma das esplanadas. Tinha comigo o livro de Hannah Arendt "Entre o passado e o futuro, oito exercícios sobre o pensamento político" e o jornal Público: dei comigo à procura do "fio do horizonte" do saudoso Eduardo Prado Coelho.

 

Devo confessar que não há dia em que pegue no jornal e não me lembre de Eduardo Prado Coelho, mas, e desta vez, foi mesmo na convicção que começaria a leitura do jornal pela página três do caderno P2. Em vão, como se sabe.

Não sei encontrar explicações precisas para estes fenómenos, mas tenho bem presente que cruzei-me diversas vezes nestes mesmos locais com Eduardo Prado Coelho: observava o escritor, sempre rodeado de livros e a escrever ou a caminhar de um modo muito característico ou a realizar umas curtas corridas (sempre nas pontas dos pés, num jeito que evidenciava uma conhecida desabituação): hoje, a praia estava vazia e a esplanada também; talvez por isso, nem sei, desejei que o tempo recuasse.

Tenho por Eduardo Prado Coelho uma enorme admiração. Assisti a conferências, li alguns dos seus livros e saboreei imensas crónicas  na imprensa escrita.

Lembro-me bem da primeira vez que falei com ele. Não me recordo do ano mas tenho a certeza que foi no início da década de noventa do século passado.

 

Desafiei um amigo e fomos assistir a duas conferências sobre corporeidade na Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada. Os conferencistas prometiam - e ultrapassaram largamente as minhas mais optimistas expectativas - : Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.

O edifício da faculdade está integrado numa zona verde lindíssima e a manhã estava calma.
Chegámos cedo: o átrio do anfiteatro encontrava-se, ainda, quase vazio mas Eduardo Prado Coelho já lá estava. O meu amigo conhecia-o e iniciámos uma interessante conversa a propósito dos estudos que esse meu companheiro estava a desenvolver. Por momentos, recordo-me de ter pensado: vai ser muito curioso ouvir Eduardo Prado Coelho - não devia medir mais do que um metro e cinquenta, mas pesava muito acima do recomendado para a sua altura - conferenciar numa escola, que estuda, entre muitas outras coisas, o modo de se obter a excelência no desempenho corporal.

 

Foi só esperar um bocado. Quando Eduardo Prado Coelho partiu para o que tinha a dizer, tive o privilégio de ouvir, com uma voz deliciosa e com uma ímpar sabedoria, a conferência mais marcante sobre o tema: encheu a sala, durante cerca de duas horas, com uma suavidade arrebatadora.
 

(texto escrito em 27 de Outubro de 2007)

mais dois meses

28.01.14

 

 

 

 

 

A Comissão Europeia (CE) deu mais dois meses para que o MEC resolva a viculação dos professores contratados. Dá ideia que foi aceite o pedido do MEC no sentido de explicar que os professores são um "corpo especial" e que vai legislar para a estabilização dos professores dos quadros que incluirá os novos vinculados. Há muitas pessoas desconfiadas e com razão.

 

 

Pág. 1/9