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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a cratice já é mais do que um neologismo

12.12.13

 

 

 

 

 

 

A cratice começa a fazer escola e já é mais do que um neologismo. Não é a primeira vez que é obrigada pela Comissão Europeia a prometer vincular professores contratados. É, diga-se a verdade, uma estória lamentável que tem anos a fio e as promessas cratianas têm sido em vão.

 

O que mais tem chocado no discurso cratiano é a menção à entrada de "sangue novo". Os professores com mais idade estão, também há muito, a serem empurrados para fora do sistema com brutais penalizações. O discurso cratiano identificou a desumanidade e prometeu eliminá-la. Mas não: tem feito o contrário e aprofunda a lógica dos antecessores.

 

O primeiro corte à redução da componente lectiva dos professores deu-se em 2005. Só os cargos de direcção, naturalmente, e as direcções de turma mantiveram esse direito. Para além disso, as reduções por idade foram quase eliminadas. Mesmo em tempos para além da troika, mantiveram-se as adquiridas. E porquê? Porque são justas. Mas não chega.

 

É inaceitável que os professores com mais idade se estejam a reformar com pouco mais do que os 55 de idade porque não aguentam a sobrecarga de turmas, ainda por cima sobrelotadas. A fuga é o discurso vigente. Mesmo em estado de excepção, é humanamente exigível que os professores com mais idade tenham reduções da componente lectiva e que vejam o serviço lectivo distribuído de forma racional e pedagógica. Desperdiçar tanta experiência e saber é uma espécie de crime tão lesivo como a outra fuga: a dos jovens. Estabelecer um limite de turmas com critério e pormenor dá trabalho, mas é a única forma de o ministro cumprir mais uma promessa, de evitar a breve prazo a saturação da caixa geral de aposentações e de dar corpo à cratice inserida na ligação que indiquei: "(...)que Nuno Crato ressalvou: "Temos de olhar não para este ano imediato, mas temos de olhar para o futuro, de ver isto a prazo".(...)"




já nem é estado de excepção ou de sítio - é sei lá o quê

12.12.13

 

 

 

 

Os cortes a eito e o armazenamento de alunos nas salas de aula empurram os alunos da educação especial para fora do sistema. Só por desconhecimento se pode responsabilizar as escolas. O MEC e o Governo estão sem argumentos para se defenderem de graves acusações. Não é difícil perceber que sem condições humanas de apoio, os alunos da educação especial sentem uma insuportável exclusão.

 

É evidente que conhecemos a indignidade antiga que impede uma distribuição equilibrada dos alunos de educação especial por um conjunto de escolas da mesma rede escolar concelhia ou intermunicipal. É provável que isso prevaleça em alguns lugares. Mas o que é intuído é espantoso: os serviços centrais do MEC só aprovam turmas que cumpram os normativos em relação ao número de alunos da educação especial e fingem que desconhecem a existência de turmas, a maioria, com muito mais alunos do que o estabelecido pela lei. Seria sei lá o quê que deixassem a aprovação das ilegalidades à "autonomia" escolar para se desresponsabilizarem perante os encarregados de educação, os restantes membros do Governo ou o FMI.