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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o futuro mora num lado mais ou menos distante

10.12.13

 

 

 

 

 

 

Sei o que foi, no final da adolescência, abandonar o país onde nasci porque o caos social tornava a vida "impossível". Custou-me virar as costas aos lugares e despedir-me da família e dos amigos com o conforto incessante das lágrimas misturado na certeza de um futuro que aquelas idades imortalizam.

 

Os nossos jovens adultos manifestam um amor comovente a Portugal, mas convencem-se que o futuro mora num lado mais ou menos distante. O seu discurso enaltece o sistema escolar português. Nos últimos anos, o mainstream não tem parado de abater o que se fez no nosso ensino. Apesar de todas as "reformas compulsivas" e do fenómeno, comprovado, de má privatização de lucros, há resultados que se evidenciam. É bom que também se evidencie a agenda dos mentores.

 

 

 

 

há, como sempre, alternativas

10.12.13

 

 

 

 

"Não há alternativas" é o discurso dos ultraliberais, mas também dos sociais-democratas e socialistas que, acima de tudo, aspiram aos elevadores da oligarquia em detrimento do exercício político que os aproxime do que dizem professar. Só a conta-gotas é que alguns deserdados das ideologias descritas se vêem afastados das benesses ilimitadas e atirados para o lado mais fraco da luta de classes. Só quando chegam aí, e ainda são poucos, é que acordam.

 

Joseph Stiglitz tem sido, ao que consigo observar, coerente e não se cansa de denunciar o aumento das desigualdades e de apontar alternativas. É só ler com atenção uma das páginas do seu último livro e pensar na Holanda como paraíso fiscal dentro da zonaeuro. E é escusado advogar que se terminarmos com isso os capitais emigram, porque quem criou o sistema foram os norte-americanos e europeus que dominaram o mundo. São estes que não querem terminar com o retrocesso civilizacional. Quem não se convencer com a imagem seguinte, faça a leitura integral. E já agora, procure também por crédito de neutrões para perceber como é que 5% recuperaram todas as perdas da bolha imobiliária e como é que a riqueza da classe média desceu 40%. É que sem classe média que se veja as democracias esfumam-se.

 

 

 

 

 

Joseph E. Stiglitz, Joseph (2013:11). "O preço da desigualdade". Bertrand Editora. Lisboa.