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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a verdade inconveniente faz o seu caminho

31.12.13

 

 

 

Numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, 30 de Dezembro, nas Caldas da Rainha, o SPGL anunciou uma queixa-crime entregue a 10 de Dezembro na Procuradoria-Geral da República em que se denunciou o "alegado favorecimento na atribuição de turmas" a dois colégios do concelho e a consequente sublotação das escolas públicas.

 

Pode ler a notícia completa, com vídeo, aqui.

do homem médio

30.12.13

 

 

 

 

 

 

Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto; passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do recurso aos especialistas da troika imposto pela actual maioria, para a enésima delapidação de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para "viver bem no serviço militar" subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para a denuncia consequente das fraudes do tipo BPN que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, "detectam" os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para as médias populacionais (o pico descrito por Gauss); mesmo que se prove que o pico financeiro está cada vez mais longe do pico populacional.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e os tecnopolíticos como o ex-ministro Gaspar, advogam uma excelência da média como tal: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

dos enigmas

29.12.13

 

 

 

 

Este paradoxo, mais ou menos recente, de empurrar as pessoas para a reforma antecipada enquanto se insiste no aumento da idade de aposentação tinha que ter uma explicação. Foram uns tiques que se notaram nos últimos governos socialistas, mas que o Governo em exercício transformou em prioridade. Tecnopolíticos como Gaspar, Rosalino, Moedas e por aí fora são parte interessada, idiotas úteis ou membros de alguma seita tal a aceleração que colocaram na engenharia social e financeira que nos pode arrastar para mais caos dentro de poucos anos.

 

Alguns especialistas da economia global consideram que as grandes guerras da privatização estão focadas nos fundos de pensões. Os financeiros de casino parece que andam doidos atrás desses fundos e que o volume de pensionistas (em número e em montantes, digamos assim) de cada caderneta é o must do negócio. Já se imaginou o que pode provocar uma bolha destes fundos se ainda por cima a cruzarmos com a privatização dos sistemas de saúde? Só há negócio nestas intenções. Procura-se mais rendimento para os produtos financeiros e despreza-se a ideia de que as classes média e baixa sejam constituídas por pessoas.

 

 

 

o amigo

28.12.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agamben, Giorgio (2013:07;08), "O Amigo", Lisboa, Edições Pedago.

 

 

semântica e sintaxe

27.12.13

 

 

 

 

 

 

O texto de John Searle que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência" pode ajudar a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

Ora leia.

 

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).

 

há sempre dois governos em Portugal

26.12.13

 

 

 

 

 

Há sempre dois governos em Portugal: um que é público e outro subterrâneo.

 

Sabemos dos motivos da bolha imobiliária, sabemos do BPN, das PPP´s e por aí fora, sabemos dos swaps, sabemos do Goldman Sachs, do J. P. Morgan, do Deutche Bank, sabemos das contas marteladas da França e da Grécia na adesão ao euro e com a obrigação da compra de aviões e submarinos, sabemos das negociatas dos escritórios de advogados que capturaram o arco do poder e sabemos muito mais que nos permitia ficar a noite a elencar mesmo que de forma não sistematizada.

 

Sabemos tudo isso. Sabemos ainda do parlatório desta malta das seitas com a complexidade dos contratos como se via no subprime. Ficamos a saber que em Setembro se contratou mais meio milhão pago desde Fevereiro e conhecido nas festas de natal de Dezembro. Esta malta goza e abusa.

 

 

 

 

 

 

Mal D´Amores

26.12.13

 

 

 

 

 

 

"Mal D´Amores" é o primeiro livro de João Daniel Pereira, da comissão de representantes do movimento "Em defesa da escola pública no Oeste". Li nestes dias e recomendo. Pode encomendar no site da Chiado Editores.

 

O livro foi apresentado nas Caldas da Rainha.

 

 

 

 

 

Encontrei no facebook do autor o primeiro texto do livro.

 

 

 

 

retrato

26.12.13

 

 

 

 

 

 

Quando li o desabafo que vai ler a seguir lembrei-me de ir à procura do texto do post anterior que intitulei "A liberdade evolui". Só aparentemente é que não têm qualquer relação. Este retrato da presidência envergonha-nos.

 

 

 

 

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