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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

à volta da prova (1)

29.11.13

 

 

 

 

 

 

Leio algumas coisas sobre a prova de acesso para professores que me inquietam. Assiste-se a um arremesso de pedras impulsionado por esqueletos armazenados. Meti um (1) no título porque tenciono voltar ao assunto.

 

Para começar escolhi um post de 25 de Julho de 2012 que intitulei como "berço" e que tem tudo a ver com a discussão à volta da injusta, e inútil, prova de acesso. É que parece que há alguns que nasceram letrados, preenchidos por algoritmos e incapazes de assumirem erros históricos.

 


"Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.

 

Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.

 

Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas."

 



portugal e a metáfora do burro - um exemplo com reconhecimento em grande escala

29.11.13

 

 

 

 

 

 

 

A edição europeia do International The New York Times destaca hoje o burro mirandês


"Em Portugal, um burro de carga vive de subsídios". O burro mirandês, actualmente em risco de extinção, serve de metáfora para a situação económica, financeira e social do país que sobrevive de "subsídios europeus".(...)"Hoje não é fácil ser burro". Segue para a descrição da função tradicional do burro mirandês - a de ajudar os agricultores de Miranda - e para a eventual extinção da espécie tipicamente portuguesa, entretanto substituída por maquinaria moderna e tractores no cultivo dos campos.(...)"Depois de décadas de negligência e, dizem alguns, desentendimentos, o destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos," que surge imediatamente esclarecida, "ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia".(...)Raphael Minder cita o socialista e ex presidente da Junta de Freguesia e Ifanes do concelho de Miranda do Douro, Orlando Vaqueiro, para sustentar a ideia de que "Hoje não é fácil ser burro" em Portugal: "Precisamos dos subsídios para manter os burros, mas o resultado é que todos se tornam completamente dependentes deles, portanto não há espírito de inovação nem desejo de modernizar ou produzir mais".


Esta metáfora recorda-me um frase inesquecível de um professor da EBI de Santo Onofre, que começou como TEIP em 1993, quando os resultados das políticas educativas evidenciavam a queda do número de alunos de uma escola pública de referência que mantinha, e mantém, boa parte dos profissionais que a elevaram: "Compramos um burro e dizemos que oferecemos ensino equestre".

 

A lógica de mercado puro e duro na Educação, associada à ideia dos privados que se subsidiam exclusivamente no orçamento de Estado, explica o estudo de caso em que se transformaram essas escolas públicas e que de alguma forma foi detectado noutras áreas no artigo pouco rigoroso e algo injusto da edição europeia do International The New York Times.