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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

desconstruir diariamente?

28.11.13

 

 

 

 

Muito francamente: isto já não vai lá com o esforço de alguns em desmontar diariamente as constantes epifanias do MEC. Não me perguntem o modus operandi. Não tenho as possibilidades visionárias de Mário Soares ou do Papa Francisco, mas compreendo-os. O comando virtual, e sem limites, do mundo financeiro não deixará pedra sobre pedra.

 

Há anos a fio que a torrente legislativa obriga os professores a desconstruírem o desmiolo. Estamos num novo pico. É a prova dos professores contratados, é a lei sobre a mobilidade e a requalificação que faz tábua rasa do que foi negociado no verão e são as vigências do aumento dos alunos por turma e da redução da carga curricular dos alunos. E podia estar aqui a noite toda a indicar os inúmeros atropelos organizacionais conducentes ao vergonhoso aumento do abandono escolar e à insuportável desesperança dos professores.


Repito: devemos desistir de desconstruir diariamente? Não digo isso. Mas só assim não vamos lá. Apesar do que se evitou (essas acções de luta são hoje reconhecidas como sensatas por quase todos), são mais as comprovadas negatividades que continuam por aí e que mereceram históricas manifestações e greves (e mesmo lutas jurídicas).




quem divide

28.11.13

 

 

 

 

"Uns exportam, outros manifestam-se", disse o irrevogável vice-primeiro-ministro no enésimo sound bite do seu frenético magistério.

 

Percebeu-se desde o início que este Governo colocaria os portugueses em confronto passando a mensagem de que quem se manifesta não produz. A crescente crispação das últimas semanas é a inevitável resposta dos adversários do Governo onde se inclui o derradeiro documento papal que parece dirigido à opus dei.

 

O além da troika é imperdoável e os convites à emigração e ao empobrecimento dilacerantes.

 

Há muito que se adivinham sérios problemas demográficos e percebe-se o silêncio embaraçoso dos governantes. Mas seria sei lá o quê reduzir aos últimos dois anos essa anunciada descida ao inferno.

 

A quebra da natalidade agravou-se com os jovens que "exportámos", 120 mil no último ano mais os imigrantes que regressaram aos países de origem, e pelas políticas que eliminaram a preocupação com a demografia. E até nisso a frase inicial do irrevogável é imperdoável. Ouvi-a e seguiram-se imagens de professores contratados (entre os 25 e os 45) em manifestação. São os sobreviventes da "exportação" em massa e do maior despedimento colectivo da história perpetrado por este Governo tão orgulhoso do feito histórico. Dizer-lhes que não produzem é acusá-los de parasitismo e isso só pode ter origem na mente de um governante incendiário e altamente perturbado com os resultados das suas, outrora abençoadas, correrias histéricas.