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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da cartografia do poder vigente

21.11.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi divulgado um mapa com os locais para a prova de avaliação dos professores contratados que cobre quase todo o país. Nem sei se por acaso, a zona Oeste, e, claro, as Caldas da Rainha, foi descontinuada.

 

 

Na reportagem "verdade inconveniente" da TVI, ficou provado que há vários concelhos do país com sérios problemas nas relações público-privado no sistema escolar. Será que os professores desses concelhos, e alguns expuseram-se nessa reportagem, não têm voz?

 

 

 

da voz da (trágica) experiência

21.11.13

 

 

 

 

 


"A antiga ministra da Educação defendeu que Nuno Crato está completamente isolado porque está a agir contra as instituições, lamentando que o governante não seja capaz de dialogar com as universidades. No programa Pares da República, Maria de Lurdes Rodrigues criticou o atual titular da pasta da Educação, defendendo que Nuno Crato está a governar contra a escola e revela-se incapaz de dialogar com as universidades. A antiga ministra da Educação comentava a ameaça de demissão do presidente do Conselho de Reitores, que se queixa de falta de diálogo formal por parte do governo sobre os cortes que vão afetar as universidades."

 

 

 

As almofadas de Nuno Crato, as mesmas de Lurdes Rodrigues, devem estar numa qualquer fuga para a frente. De qualquer dos modos, considero que o prazo de Nuno Crato, a exemplo do de Lurdes Rodrigues (estive na sua primeira reunião com presidentes de Conselho Executivo das escolas públicas), se esgotou antes de começar o seu mandato.

 

 

 

o estado gasta, em 2012, mais dois mil milhões em despesas intermédias

21.11.13

 

 

 

 

 

A denúncia de Valdares Tavares, ontem na TVI, não é novidade, mas acentuou-se em 2012. «Quando se soma tudo aquilo que é comprado, bens, serviços, contratos, rendas, etc, dá uma verba que é praticamente igual à de pessoal», diz, questionando: «Como é que no ano de todos os sacrifícios, cortes de pensões, prestações sociais, etc, tivemos aqui esse aumento [dois mil milhões] tão grande». 


Já se sabe há muito que a despesa com os consumos intermédios do Estado equivale a cerca de 16% do PIB enquanto que a despesa com pessoal deve estar abaixo dos 9%. O Governo conseguiu ainda aumentar os consumos intermédios em 2 mil milhões em 2012. Seria expectável que essa despesa recuasse em cerca de 10% o que equivalia a cerca de 4 mil milhões (os tais 10% mais os 2 mil milhões da "derrapagem").

 

É impressionante, ou talvez não uma vez que os milhares de milhões têm de ir para algum lado, como os média silenciam uma notícia destas, mais uma verdade inconveniente, que está detalhada aqui com vídeo.

dos argumentos dos professores contratados

21.11.13

 

 

 

São justos os argumentos usados pelos professores contratados na luta contra a prova de ingresso, mas há um de que discordo.

 

Já ouvi mais do que uma vez que se deveria utilizar a menção de excelente na avaliação de desempenho como critério para provar a inutilidade da inutilidade. Compreendo o desespero e a revolta, mas esse argumento é historicamente errado. Então e os professores contratados que lutaram contra essa avaliação e que foram penalizados por causa disso? E a disparidade, tantas vezes denunciada, entre as diversas escolas? O uso desse argumento cauciona aquela injusta e brutal avaliação e pode, a prazo, ter um efeito de retorno impensável.

 

 

 

 

 

um pedaço da história recente

21.11.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Portugal entrou num processo de queda sem fim? Os sinais evidenciam o que em 16 de Abril de 2010 escrevi aqui.

 

A obstinação dos governos com o modelo de avaliação de professores (e desculpem a insistência, mas foi um momento histórico na luta pela democracia e na fuga à violência como agora se diz), colocando-o como ponto central da governação do país (sublinhado por Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, pasme-se ou não) só podia servir de cortina de fumo para algo preocupante. Se foi ignorância é ainda mais grave. Muitos sabiam que era outra a verdade, mas estavam acomodados aos mesmos privilégios e os professores foram, como agora, um alvo. Só que desta vez já são poucos os que escapam à tragédia.

 

No estado em que estamos, é difícil inverter a queda e manter o sistema que a originou. Exige-se uma qualquer mudança profunda e recordo um parágrafo de um texto de José Bragança de Miranda.

 

 

"A imagem da queda é das mais profundamente incrustradas na cultura ocidental, tendo uma remota origem teológica, mas também correspondendo ao desejo milenar de escapar às forças gravitacionais que fazem cair todos os corpos para a terra. A queda era então um momento, talvez dramático mas provisório, da ascensão ou elevação. Na modernidade a imagem da queda sofreu uma mutação considerável. A leitura do conto de Poe, Descida ao Maelstrõm, serve de pretexto para apreender tal metamorfose, cuja compreensão se torna mais imperativa no momento em que se vai impondo uma cultura da "imaterialização" ou do "incorporal."