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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

de greve em greve

17.11.13

 

 

 

 

 

Os professores, no final do ano lectivo transacto, deram um exemplo de cidadania com um inaudito volume de greves e com uma força considerada impossível. Apesar disso, os resultados ficaram aquém do anunciado.

 

Todos os dias há motivos para se convocar uma greve; até geral. Mas uma greve deve ter um caderno negocial objectivo. Na greve geral de 8 de Novembro último, a participação dos professores resumiu-se à marcação do ponto. Teve, muito naturalmente, uma fraquíssima adesão. Bem sei que era geral, mas os professores não podem estar em todas e a banalização das greves pode ser considerada uma estratégia de adormecimento catártico, passe o paradoxo, orquestrado pelo mainstream onde se incluem os sindicatos.

 

Os sindicatos anunciam uma greve para 18 de Dezembro por causa da prova de avaliação aos professores contratados. Ora aí está uma marcação justa com uma agenda negocial objectiva, embora seja incompreensível, por uma questão de princípio, que alguns sindicatos tenham negociado com o MEC esse dia, ou qualquer outro, para a prova. 

 

No período anterior à greve de 8 de Novembro, li algumas declarações de dirigentes sindicais que desprezavam a acção dos movimentos de professores contratados. Fiquei perplexo. As acções destes movimentos devem ser estimuladas. Não há lutadores com mais pergaminhos e essas críticas podem ser lidas como devaneios do centralismo democrático ou como assessorias ao poder vigente.

 

 

 

 

A arte de mentir nas redes sociais

17.11.13

 

 

 

 

A sociedade portuguesa confronta-se com um fenómeno: as denominadas "campanhas negras" contra pessoas promovidas pelos grandes partidos - mais o PSD na crónica de VPV - que usam os tais voluntários jotinhas (alguns bem entradotes) a quem é prometido, e concretizado, um emprego no Estado ou nas instituições que a este se encostam. É só ver a lista das entidades que ficam imunes aos cortes a eito ou que vêem o financiamento reforçado, como os gabinetes ministeriais.

 

O fenómeno usa principalmente as redes sociais e alastrou-se ao âmbito local. As pessoas visadas são muitas vezes surpreendidas com o bullying das páginas falsas do facebook neste submundo da natureza humana. A crónica de hoje de Vasco Pulido Valente no Público levanta um pouco do véu, embora a sua conclusão seja muito discutível.

 

 

 

 

Manual prático de criação de rendas na Educação (a partir da verdade inconveniente da TVI)

17.11.13

 

 

 

 

 

Se o texto que vai ler tivesse sido publicado há uns anos num jornal local da zona centro do país com o título "Golpe", o seu autor seria considerado um perigoso sei lá o quê que talvez não estivesse no seu perfeito juízo. Actualmente não é assim. Há quem pegue na "verdade inconveniente", embora não se leia uma voz dos partidos do arco da governação sobre o assunto. Estes não se chocam. Aplicaram tantos choques (o fiscal, o tecnológico e por aí fora) que se tornaram anti-choque.

 

 

 

 

Daqui.

 

 

"Primeiro passo - Abra um colégio privado. Se possível, em zonas onde há escolas públicas. Assim, tem a certeza que tem alunos. Dê um saltinho à zona de Coimbra que lá sabem bem como se faz. Forneça todos os serviços que a escola pública não consegue fornecer e que lhe permitem dizer que o seu colégio se diferencia pela qualidade. Comece pelo transporte privado e acabe nas aulas de karaté. Para assegurar que corre tudo bem, diversifique o risco. Não, não, não. Não ligue a quem lhe diz que não pode ter uma clínica agregada ao colégio e que também não pode vender cafés. Iniciativa privada é iniciativa privada. Portanto, pode tudo. Só não pode não ser empreendedor educativo.  


Segundo passo - Celebre um contrato de associação com o Estado para que este lhe pague pelos alunos que a escola pública não tem lugar. Agora, pergunta "Mas eu abri o colégio privado numa zona com escolas públicas meio vazias?". Você de facto não percebe nada disto, pois não? Ainda bem que comprou este Manual que foi especialmente escrito para si. A ideia é que o colégio privado substitua a escola pública. Você quer ou não quer ter rendas? Se lhe perguntarem porque é que tem um colégio numa zona com escolas públicas meio vazias, responda com serenidade e olhar compungido: "Os meninos têm direito a ser muito bem tratados como são aqui no nosso colégio". Se não conseguir dormir à noite com esta ilegalidade, contrate um alto funcionário do Ministério da Educação como consultor para dormir mais descansado.


Terceiro passo - Selecione cuidadosamente quem admite no colégio. Outra pergunta: "Mas não é suposto eu admitir toda a gente?" Você é quase um caso perdido. Acha que lhe interessa admitir alunos com dificuldades ou com um enquadramento social problemático ou com garantias que não vão ter boas notas? Pois é, não interessa nada. Admita um ou outro com ação social escolar, quando muito. E não se esqueça dos exames e dos rankings. Os jornais ordenam as escolas pelos resultados de alguns exames sem ter em conta outros factores como o contexto social e cultural. Portanto, carregue na preparação desses exames e esqueça tudo o resto.


Quarto passo - Aguarde que um Ministro declaradamente contra a escola pública tome posse. Deixe passar uns anos a marinar. Espere que se instale o debate sobre o cheque-ensino. Dê entrevistas e aprenda a dizer liberdade de escolha a uma velocidade de meia sílaba por segundo. Passa bem na televisão. Aguarde serenamente a entrada em vigor do novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, o que até já aconteceu no passado dia 5 de novembro. Com este novo Estatuto, o Estado passa a poder celebrar contratos de associação sem restrições, quer haja escolas públicas na zona, quer não. 

Já viu como o colégio que abriu em flagrante violação da lei já está legal? Agora que já dorme descansado, também já pode despedir o alto funcionário do Ministério da Educação contratado como consultor.


Quinto passo - Com o seu colégio legalizado pode abrir mais colégios à medida que forem fechando escolas públicas. Terá que admitir alguns alunos com o cheque-ensino mas serão sempre poucos, pois já se sabe que o seu colégio não tem lugares ilimitados. Mantenha os critérios de seleção descritos no terceiro passo. Para celebrar novos contratos de associação e abrir novos colégios, readmita o alto funcionário do Ministério da Educação como consultor.Previna o futuro e tenha a seguinte cábula à mão para debitar com um ar indignado para jornalista anotar: "Fiz avultados investimentos para ter este colégio a funcionar e agora querem acabar com o contrato Vivemos num Estado totalitário sem liberdade de escolha. Se o contrato acabar, o colégio vai ter que fechar e é a educação destas crianças que fica posta em causa". Goze bem as suas rendas por muitos e bons anos. E não se preocupe se o Estado acaba por gastar muito mais para ter piores resultados.   


Epílogo: Quando reparar que as verbas para o ensino especial diminuem e as verbas para os seus colégios aumentam, pestaneje. Não é nada consigo.

 

osdiasuteis@gmail.com

 

PS: Este Manual foi parcialmente baseado na reportagem da TVI sobre este assunto transmitida no passado dia 4 de novembro."





Sweetie: a menina virtual vítima de pedofilia

17.11.13