Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

é um CNC para os MMNT

10.11.13

 

 

 

A semana mediática (e não adianta escapar à transcendência do quarto poder, cada vez mais o primeiro na hierarquia) do sistema escolar fica marcada por três assuntos: a prova dos professores contratados, a verdade inconveniente da TVI e os rankings 2013. Deixemos o primeiro e concentremos a atenção nos outros dois e no comportamento dos média mainstream não televisivos (MMNT).

 

Quem desconsiderar os rankings 2013 é, para os MMNT, um complexado não competitivo (CNC).

 

Mesmo que os investigadores ouvidos pelo Público afirmem que "(...)não há dados socioeconómicos para as privadas(...)", dados relevantes para este tipo de estudos e que ainda por cima são considerados para as escolas públicas, as listas aparecem porque "(...)se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais…(...)" e quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

Mesmo que se saiba que "(...)A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa.(...)" e que "(...)os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas.(...)Do ponto de vista da melhoria das escolas eu não sei se estes rankings são o melhor incentivo.(...)", quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

E podíamos ficar aqui a noite toda a sublinhar que "(...)O volume de dados permitiu-nos perceber isto. A partir daqui, o que vamos fazer com esta informação? Que eu saiba ninguém tem feito nada. Agora ficamos com um mosaico mais complexo das escolas e queremos os rankings para quê? Para ver a qualidade das escolas? Eu acho que estes rankings não nos estão a servir para isso.(...)", mas mesmo depois de tudo isto, quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.


Estes MMNT não publicam coisas que achem que são de facções e, pasme-se, coisas que achem que só se fazem por causa das audiências. Até se regista a contradição. A verdade inconveniente da TVI é, para os MMNT, coisa de facção e de busca de audiências. Ou seja, para esses MMNT os rankings 2013 não são coisa que interessa a uma facção e nem existem por causa de audiências. Querem ver que os MMNT estão "controlados" por essa facção? Querem ver que os MMNT são uns mãos largas? Querem ver que os MMNT estão impedidos de pegar na verdade inconveniente da TVI? Querem ver que os MMNT estão mais dedicados ao entretenimento (coisa também importante, sem dúvida) do que a verdade inconveniente da TVI?

 

 

 

das falácias e do chico-espertismo

10.11.13

 

 

 

 

 

Já fiz mais posts sobre os rankings 2013 do que projectei, mas a alucinação atingiu o pico previsto e temos o dever de debater com o esforço de não cair em sei lá o quê.

 

Os tempos são muito difíceis para a defesa da escola pública. É uma luta muito desigual agravada com o "vale tudo" dos que não se cansam em delapidar o orçamento do Estado.

 

Segundo um dos investigadores ouvido pelo Público (uma muito interessante entrevista), "(...)Aliás, se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais… Mas pode servir para motivar e para desmotivar, para mobilizar e para desmobilizar.(...)".


O caderno de 48 páginas do suplemento rankings do Público tem abundante publicidade das escolas privadas e cooperativas. O que se diria se uma escola pública fizesse o mesmo ainda por cima nestes tempos de cortes a eito? Recorda-me a última campanha eleitoral para as legislativas em que as escolas ditas privadas até usavam crianças nas manifestações. O que também se diria se as escolas públicas imitassem o despudor?

 

Uma das publicidades é elucidativa. A Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo pagou a pérola que vê a seguir.

 

 

 

 

 

O João Daniel Pereira fez um estudo, que me enviou por email, sobre os resultados das cooperativas de ensino que são financiadas integralmente pelo orçamento do Estado e que pode consultar mais abaixo.

 

Ainda neste âmbito e na entrevista aos tais investigadores, cuja ligação indiquei, pode ler-se uma passagem incontornável: "(...)Os dados de apoio social não estavam completos para todas as escolas. E eu até acrescentaria que, por exemplo, uma das questões sobre as quais nos temos debruçado é na divisão entre o público e o privado e a suposta inflação de notas. Ora, não há dados socioeconómicos para as privadas.(...)" 

 

Para além de tudo isto, e como se verifica, só o chico-espertismo permite confundir as escolas integralmente privadas com as financiadas pelo Estado. É que já sabemos que os políticos ultraliberais vão passar o ano a usar de forma falaciosa os resultados dos rankings 2013. Pode ainda ler este post do Nuno Domingues que vai no mesmo sentido.