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Correntes

em busca do pensamento livre

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Da duplicação da dívida

18.10.13

 

 

 

 

O défice (mais despesa do que receita) orçamental de um ano transforma-se em dívida no ano seguinte e, portanto, só com excedente orçamental, derivado do crescimento económico, se consegue reduzir a dívida.

 

O caso português é simples. Reduziu-se a despesa de forma brutal com os cortes a eito, mas as receitas também reduziram porque houve menos receita de impostos provenientes do consumo e é por isso que o défice se mantém alto e a dívida sobe.

 

O excedente para o Estado derivado dos cortes a eito não daria para reduzir o défice e a dívida? Claro que dava.

 

Só que os juros que o Estado paga pela dívida são altíssimos. A redução da despesa é toda absorvida por esses juros, o que torna o exercício português num serviço à ganância. Não é por acaso que a dívida pública portuguesa foi a mais lucrativa de mundo em 2012 e é comprada pelos mais predadores. Parece que estamos a pensar emitir em dólares para cativarmos quem compra dívida dos EUA e tem de se comportar minimamente.


Não existe solução para a redução da dívida que compense o brutal esforço dos portugueses que não passe pela redução dos juros e nisso a União Europeia tem toda a responsabilidade.


Não nos esqueçamos e sejamos justos: Portugal estava com défices e dívidas bem aceitáveis em 2008 por obra do Governo socialista. A crise financeira de 2008 "exigiu" uma fuga para a frente com investimento descontrolado e nacionalizações de banca corrupta. É verdade. Mas isso foi feito com a assinatura da Comissão Europeia e da Alemanha. Exige-se a solidariedade que continua a não acontecer e ponto final. Foi isso que os gregos, com o peso da sua História, exigiram esta semana e nós não (o actual Governo tem graves responsabilidades por causa da revolução ideológica que sonhou e que decretou como para além da troika, da Comissão Europeia e da Alemanha de Merkel).