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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

de descaramento em descaramento

05.10.13

 

 

 

 

 

 

A manipulação da informação relacionada com a troika e com o segundo resgate andou a reboque do resultado (primeiro previsões e depois derrota conclusiva) do PSD nas autárquicas. Deve ser um guião proveniente de alguma loja instalada nas universidades de verão.

 

No dia da derrota, vi um noticiário por cabo que abriu com Durão Barroso a dizer que "nem se pense num segundo resgate" (48 horas antes tentou impressionar o eleitorado com a ameaça do dito segundo) e com Cavaco Silva a registar crescimentos económicos e segundo resgate para as calendas.

 

Dois dias depois, a guerra interna no PSD deve ter abandonado de vez Passos Coelho. Ontem, o Público deu nota do acontecimento.

 

 

 

 

O irrevogável Portas, uma das figuras mais nefastas das duas últimas décadas da nossa democracia, continua a dança em pontas e a ridicularizar a inteligência colectiva dos portugueses. Quando um político deste calibre ainda governa, e se imagina como candidato a eleições, é porque não tem qualquer respeito pelos eleitores.

 

 

 

 

 

 

...e steve balmer chorou

05.10.13

 

 

 

 

 

 

 

 

...e Steve Balmer chorou



"Os gurus da tecnologia adquirem com o tempo e o sucesso uma aura que vai para lá da imagem do empresário bem sucedido. Aquilo que fazem quando inventam novos produtos informáticos em particular não é só da ordem do consumo e da economia. Marca uma posição no espectro das possibilidades de estar-no-mundo. Isto é, diz respeito à forma como construímos uma existência, no que está implicada a política, mas também as imagens que projetamos do futuro que supostamente queremos ter.


O desenvolvimento de produtos Apple ou Microsoft, por exemplo, criou autênticos estilos de vida e mesmo formas de organização que tiveram grandes implicações em termos materiais e simbólicos. Materiais, porque lançou tecnologias que trouxeram para o dia-a-dia modos de agir que antes não existiam: o computador pessoal, as janelas no ecrã, o ecrã-computador (tablet). Simbólicas, porque forjou visões do mundo que geraram identificações específicas em massa: uma vida original e de vanguarda, um uso distintivo, ainda que comum. Os conteúdos que enformaram estas construções são variáveis dependendo do produto e do público de que estejamos a falar.


A personagem de Steve Jobs da Apple é claramente o melhor exemplo de um guru que incentiva esta dinâmica. Mas, claro, de uma forma diferente, também o são Bill Gates da Microsoft e Mark Zuckerberg do Facebook. Qualquer um deles impressiona porque enriqueceu de uma forma rápida a partir de muito trabalho e do sucesso comercial, mas também de uma visão que projeta novas vivências. Portanto, esse enriquecimento liga-se a uma ideia para o futuro. Muitas vezes tratam-se de pequenas coisas na história da humanidade; contudo, no presente difundem-se em massa e dão notoriedade tremenda a uma perspetiva que começa por ser de imaginação. Recentemente, Steve Ballmer anunciou a sua saída da Microsoft. Foi suficiente para que uma comunidade o ouvisse na sua última prédica emocionado. Também um discurso de Steve Jobs na universidade de Stanford teve efeito semelhante. Sobretudo depois da sua morte, quando esse mesmo discurso fazia uma catarse da vida.

Há aqui uma relação direta entre utopia, tecnologia e economia, confluindo numa espécie de existencialismo tecnofílico. Diz respeito a indivíduos que se destacam por se empenharem em encontrar para os outros novas configurações tecnológicas, recebendo em troca reconhecimento e dinheiro. Este esforço vê na tecnologia uma salvação individual, como negócio, e coletiva, como produto de massas. Projeta-se na máquina o homem que a inventa, não como imitação, mas como continuidade partilhada. Há muito que está lançada a "grande transformação" ou a "mobilização total". Está nas mãos das empresas e de inventores-empresários que passam bem por sacerdotes."