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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

está, finalmente, explicado o enigma para a prevalência da tortuosidade

29.09.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Utilizo computadores da Apple desde 1986. Para além do design arrojado, o que mais me seduziu foi o sistema operativo e as aplicações associadas. A génese simples, amigável, intuitiva, descomplicada, poderosa para a organização de sistemas de informação, fiável, sem vírus e por aí fora garantiram a fidelidade. A base de dados Filemaker, por exemplo, tem-me acompanhado como oxigénio profissional.

 

A utilização Apple em Portugal foi sempre minoritária. Foram anos de muita paciência a ouvir os concorrentes da Microsoft: a Apple é informática-para-tótós, as janelas e pastas são cantos de sereia do design, nada de profundo se faz com esse software e por aí fora.

 

Por volta de 1990 testei as dúvidas e concluí: para ligar um computador, clicar no rato e usar teclas até começar a escrever um texto, num Apple fazia 5 operações e num "PC" mais de quarenta. O fenómeno agudizou-se ao longo dos anos e ficava perplexo com a paixão exclusiva do pessoal da Microsoft que nem se atrevia a tocar num Apple

 

E não se julge que esta explicação não influenciou a manutenção da má burocracia que acompanha o sistema escolar na passagem para o digital. A saga do que se pode "fazer-com-um-clique-é-feito-com-10-ou-20", arrastou a cultura organizacional, e os raciocínios subjacentes, para o comprovado "inferno".

 

Bill Gates deu finalmente a explicação que o Ionline registou ontem. A tortuosidade começou cedo e no famoso control+alt+delete. O co-fundador da Microsoft assume o erro. São três teclas em vez de uma. A coisa disseminou-se e foi o que se sabe.

 

 

"Bill Gates admite que que a criação do Ctrl+Alt+Delete, que permitia a efectuar de forma segura o login num sistema Windows, foi um erro.

Numa conferência na Universidade de Harvard, o co-fundador da Microsoft admitiu que esse atalho, que implica pressionar três botões ao mesmo tempo para entrar num sistema operativo e que actualmente é mais usado para aceder aos comandos de reinicialização e de gestão de tarefas, não é prático e que a sua criação “foi um erro”.

Gates atribuiu responsabilidades à IBM e afirmou que poderia ter sido criado apenas um botão se um funcionário daquela marca de computadores não tivesse insistido naquela sequência."





a manipulação está no auge

29.09.13

 

 

 

 

 

A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, a corrupção e as fortes influências dos mentores, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais instalados em países do eurogrupo, as diversas campanhas eleitorais, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados, os jogos de sombras do bloco central e por aí fora, são alguma das inúmeras razões que transportam a manipulação para um estado de vale tudo.

 

A primeira página do Público de ontem é elucidativa do desnorte que se apoderou do quarto poder.

 

Não me esqueço das 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Recordo as 4 primeiras.

 

 

"1- A estratégia da manipulação.

O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

2- Criar problemas e depois oferecer soluções.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da gradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A estratégia do diferido.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."