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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da desconfiança como pesada herança

24.09.13

 

 

 

 

A desconfiança nos professores que se instituiu em má burocracia concebida por precaução, e que uma vez obtida é arquivada, começou antes do consulado de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos (esse descomunal inventor de inutilidades), mas foi excepcionalmente potenciada a partir daí. A desconfiança em forma de evidências inenarráveis estabeleceu-se no seu esplendor através de dois comprovados monstros: a avaliação de desempenho e o concurso de professores titulares.

 

Essas dilacerações da atmosfera organizacional deixaram marcas profundas nas escolas.

 

O "eduquês organizacional", o mais nefasto para quem anda pelas escolas, foi-se disseminando também no modo digital. O número de ficheiros digitais que circulam nas redes escolares deve atingir toneladas não mensuráveis. Tenho ideia que o recente anúncio da PT, que afirma a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não contabilizou o MEC e a máquina do sistema escolar. Será mesmo impossível tratar os bytes informacionais produzidos nesta saga de desconfiança na profissionalidade dos professores. E o mais grave, é que todo esse esforço se reflecte na qualidade de um sistema que armazena alunos e sobrecarrega os seus profissionais.

 

 

mas ainda é preciso?!

24.09.13

 

 

 

 

 

Ouvi, numa entrevista recente, Nuno Crato citar duas ou três vezes, em poucos minutos, o ex-ministro David Justino, que é o actual presidente do CNE, e que ontem afirmou que ia criar uma comissão especializada para avaliar, de forma isenta, a condição dos professores portugueses. Mas é necessária mais uma comissão? Será que David Justino não sabe do número de alunos por turma, dos horários dos professores e da carga curricular? David Justino não tem opinião sobre o assunto? Por que é que precisa de sublinhar a isenção?

 

A situação é de tal modo grave, que se pode adivinhar que quando a dita comissão chegar a conclusões já o sistema escolar "implodiu". É que a desesperança e as condições de profissionalidade dos professores são suficientes para mais plano inclinado, mesmo que "invisível" para esta plêiade de decisores.