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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

talvez custe ler

22.09.13

 

 

 

Na sua crónica intitulada "O que fará Merkel com a sua vitória?", Teresa de Sousa escreve assim:

 

"(...)O SPD ainda não conseguiu ultrapassar uma votação medíocre (26 por cento), que regista desde que Schroeder decidiu que a Alemanha tinha de fazer profundas reformas para se tornar competitiva, que colidiam com as regalias dos trabalhadores (a histórica base de apoio do SPD) e com a generosidade do Estado social. A sua “Agenda 2010”, que está na base da transformação da Alemanha de “homem doente da Europa” numa economia altamente competitiva, ainda não foi perdoada.(...)".


Repare-se no preciosismo da cronista, "(...)Alemanha de “homem doente da Europa” numa economia altamente competitiva(...)", que parece concluir: a devastação ultraliberal, que absorveu os sociais-democratas alemães, leva as sociedades de doentes a competitivas. Mesmo que as pessoas sofram, que o desemprego seja enorme, que proliferem os mini-jobs de 450 euros mês, o que interessa é o "competitivo" em favor de uma minoria que se dedica ao casino financeiro. De certa forma, os sociais-democratas, e perante a vitória eleitoral de Merkel, querem puxar para si o mérito da devastação europeia. A esquerda capitulou mesmo.


da memória

22.09.13

 

 

 

 

A discussão à volta da tortura parece estar na moda nos EUA. Escolhi o dia 28 de Maio de 2008 para publicar um post sobre o assunto: "(...)Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt. Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou. Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais.(...)É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas." 


Para além do extremo "Guantânamo", os ultraliberais, onde se incluem sociais-democratas e socialistas, têm, em nome dos ajustamentos orçamentais, sujeitado os grupos profissionais mais numerosos a práticas de-dor-intolerável-em-massa (estou a pesar muito bem). Foi assim no caso France Telecom que só terminou após mais de trinta suicídios e com a ajuda do psiquiatra Christophe Dejours. Sim, um psiquiatra: a tortura não é apenas perpetrada no físico. Exemplos da mesma família executaram-se em Portugal, em 2007, com a avaliação de professores e com os concursos para professores titulares. O flagelo teve fim, ou foi atenuado, depois da "fuga", com brutais penalizações, de milhares de professores. Nem sei se os mentores do terror burocrático têm consciência do "crime" e se tentam algum branqueamento através da publicação de sei lá o quê. Mas é natural que tentem e basta olharmos para o que vão dizendo os professores, e outros cidadãos, que presenciaram ou sofreram os horrores nessa época. A oportunidade e o oportunismo são céleres a eliminar a memória.

 

É certo que os professores portugueses continuam perseguidos. Serão sempre muitos para esta vaga de ultraliberais. São despedidos em massa e há milhares em estado de uma permanente humilhação que vai ao osso da profissionalidade. A carga de burocracia acéfala, motivada por uma desconfiança que arrepia, faz o resto.

 

 

 

Retratos de uma Europa em crise profunda

22.09.13

 

 

 

 

 

 

O Público online faz um retrato da Alemanha que destaca em primeira página. Alguns ficarão surpreendidos com a devastação que o ultraliberalismo provocou na Europa que desgraçadamente também fez escola nos socialistas e sociais-democratas. Os "germanófilos" apressados farão de conta que não leram. 

 

Temos sempre de dar um desconto às comparações e aos elogios de circunstâncias. Também ouço com frequência laudos à disciplina irlandesa. Enfim. Estive recentemente uma semana em Dublin. Não sei se são impressões da "última viagem", mas os irlandeses são muito afáveis e recebem muito bem. Conversam muito e fiquei a saber coisas que desconhecia. Cerca de metade da população não trabalha e os subsídios começam pelos 188 euros semanais, mais as despesas com o aluguer de casa, com a água e com a energia; recebem mais 188 euros semanais por cada filho. As economias locais agradecem, onde se incluem os tradicionais pub´s sempre em lotação esgotada. Apesar disso, vi muitos sem-abrigo. Dá ideia que os EUA e a Grã-Bretanha têm interesse em manter aquela ilha pacificada e pagam-no a qualquer preço. Os alemães são mais virados para dentro e a "sua Europa" é no centro e no norte.