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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

centralismo e eleições locais

17.09.13

 

 

 

 

 

Há anos a fio que se ouve a retórica: as eleições autárquicas são locais, os partidos políticos passam para plano secundário e o que conta são as pessoas. Testemunhei o argumentário ao longo dos anos e sempre desconfiei desses atributos sedutores. É natural a componente local dos partidos, mas a clareza de propósitos é essencial para respeitar a inteligência dos eleitores.

 

Se escutarmos os chefes dos "partidos parlamentares" e a comunicação mainstream, verificamos que as eleições locais são exames para as lideranças nacionais e até para os governos. Há toda uma contabilidade centralista dos votos que vai muito para além da necessária articulação entre as políticas nos diversos patamares da administração do país. O jeito oportunista acentua, ou não, o critério.

 

Passos Coelho e António Seguro não escapam a esse desafio e isso condiciona o modo como os seus partidos se organizam. Não registo a existência do CDS. Mas os partidos de fora do "arco do poder" não dão exemplo melhor. O bloco de esquerda debate-se com a falta de quadros locais e recorre a uma espécie de "mini-dinossáurios-saltitantes". O PCP afirma o centralismo democrático, como ouvi há dias a Jerónimo de Sousa: "nas autárquicas vamos mostrar um cartão amarelo ao Governo".

 

Os movimentos independentes surgem, naturalmente, como uma resposta da democracia e com nuances para todos os gostos e feitios. Alguns revelam, também naturalmente, contornos irresponsáveis e até risíveis.

 

Um bom barómetro do estado do poder local é a generalização de orçamentos participativos. Quando os órgãos existentes não ouvem mesmo as pessoas e não têm cultura organizacional para resolverem os problemas, "passam" as responsabilidades. Essa espécie de populismo costuma ter maus resultados. O insucesso da ideia fragiliza a democracia representativa e abre a porta às ditaduras.

 

 

 

recomeçou a insanidade das ofertas de escola

17.09.13

 

 

 

 

Quem se informar sobre o histórico dos concursos de professores concluirá que estamos num retrocesso que nos aproxima dos finais da década de setenta do século passado. Tudo se agravou com a anterior AD, em 2003, que exterminou 23 CAE´s em detrimento das inúteis, e incomparavelmente mais pesadas, DRE´s.

 

Com os meios informáticos existentes na mudança de século, era possível criar um concurso nacional decente seguido de colocações por área educativa com uma inteligente gestão do serviço docente sem ser necessário agrupar ou agregar escolas. Só um detalhe nada desprezível, já que tudo isto obedece a máquinas: a reorganização da administração do Estado ficou a cargo de Miguel Relvas como na anterior AD. É, realmente, um currículo que dá créditos.

 

Os concursos por oferta de escola, os mais incivilizados de toda a Europa (afirmo-o sem qualquer dúvida), obrigam os milhares de candidatos a "tropeçarem" de agrupamento em agrupamento (às centenas) com editais diferenciados e com inépcias administrativas graves. Depois têm as entrevistas.

 

Recolhi no facebook mais esta pérola que prevê os famigerados portafolhas (serão mais uns milhares de páginas digitalizadas, valha-me não sei o quê):

 

"Cara candidata:

Na plataforma SIGRHE poderá consultar os critérios e subcritérios indicados para a oferta de trabalho a que se candidata.
Segunda-feira de manhã serão dispon
ibilizadas as publicitações das ofertas de trabalho em fase de candidatura, cujos horários foram validados pela DGEstE no final de sexta-feira passada.
Os documentos a enviar deverão comprovar os dados inseridos na sua candidatura. Se um dos critérios for a avaliação do portfólio, também o deverá enviar, dentro do prazo de candidatura."