Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Nuno Crato contará com o silêncio dos pais?

09.09.13

 

 

 





"Não esqueceremos Maria de Lurdes Rodrigues nem a guerra que promoveu contra os professores. "Perdi os professores, mas ganhei a população!", lembram-se? Os professores reagiram e Maria de Lurdes Rodrigues foi embora. 


Nuno Crato, pelo contrário, não está em guerra com os professores. Nuno Crato está em guerra com os pais. E com os cidadãos, em geral. 
Professores escorraçados, horários zero, professores contratados sem trabalho, escolas com falta de professores, etc., são apenas efeitos colaterais de um processo que visa chegar mais longe: Nuno Crato quer acabar com a educação para todos, a educação gratuita e universal garantida na Constituição. 


O que está na cabeça de Nuno Crato é um sistema de ensino que promova um processo de darwinismo social sustentado pelas próprias vítimas: o ensino de um grupo privilegiado financiado por todos, inclusive por aqueles a quem nenhum cheque ensino permitirá entrar em nenhum colégio. Porque é da liberdade de escolha das escolas particulares e cooperativas que se trata, não da liberdade de escolha dos pais. Melhor dizendo, nem se trata de liberdade, mas de escolha, selecção e consequente marginalização. 


Para um governo sem escrúpulos (cujo repertório conceptual, em termos éticos, é demasiado reduzido) o facto de ficarem de fora os filhos da maioria dos contribuintes – sobretudo daqueles que já empurrou para os limiares da sobrevivência – não é factor de peso: “liberdade de escolha” é apenas o cliché necessário ao processo de lavagem dos recursos roubados ao erário público para financiar o negócio da Educação com os privados. 

Como nos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, ouvem-se as vozes dos professores. Mas não se ouvem as daqueles a quem, verdadeiramente, as medidas de Nuno Crato vão atingir: as das crianças e jovens privados do direito a um ensino que lhes garanta um futuro digno. ESTÃO-LHES A FALTAR OS PAIS.
Está-lhes a faltar a sociedade civil."



Manuela Silveira.

Professora de Filosofia.

Comissão de representantes do movimento

"Em defesa da escola pública no oeste".