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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

fazer gestão até é fixe

07.09.13

 

 

 

Ao passar os olhos por esta entrevista a Nuno Crato, publicada ontem, dei com esta passagem: "...Há que desmistificar algo sobre os chamados mega-agrupamentos. Não são locais onde se empilham crianças, são consórcios entre escolas que partilham recursos. Se uma escola tem um bom laboratório e outra um bom equipamento desportivo, com a fusão os alunos das duas escolas podem beneficiar disso...".


Nuno Crato é reincidente na "descoberta".

 

Num post publicado em 25 de Junho de 2012, escrevi o seguinte sobre outra entrevista deste "divertido" ministro:

 

Para justificar a agregação de escolas, Nuno Crato refugiou-se na partilha de instalações especializadas e detalhou: se a escola A tem um excelente laboratório de Química e se a escola B tem um excelente laboratório de Física, com as agregações consegue-se que os alunos usem apenas os melhores recursos. Quando começou a desenvolver o algoritmo (confesso que estava atento) titubeou, perdeu-se no raciocínio e deixou a coisa por explicar. Mas a ideia é genial e até fixe e deve ficar bem em televisão. Só é pena que seja quase impossível de aplicar.

 

Não sabia que Nuno Crato era a favor deste modelo de gestão escolar e ainda nem consegui perceber o que pensa sobre o assunto. Percebeu-se que o SE Casanova achava que as agregações se fazem para cumprir os doze anos de escolaridade, e se calhar, com tanta escala, para viajar até à lua, e agora ficou a saber-se que Nuno Crato acha giro usar os melhores laboratórios e fechar os piores.



as excepções à direita (no discurso)

07.09.13

 

 

 

Joaquim Azevedo fala sobre gestão escolar. Será que faria o que diz? Nuno Crato fez o contrário e Lurdes Rodrigues também (para ser franco, nem sabia o que a ex-ministra pensava) e os dirigentes do PS da área da Educação sempre se mostraram contrários à ideia que os governos de Sócrates acabaram por impor.

 

 

Nuno Crato ao minuto 9.20.

 

 

da natureza das coisas

07.09.13

 

 

 

Os dos achamentos essenciais do género-Nuno Crato (não restam dúvidas do back to basics mais retrógrado e estou a pesar bem e não incluo "ajustamentos" financeiros) acrescentam sempre enfoques desesperados na formação de mão-de-obra para as "gorduras" cortadas. É mais uma contradição ideológica dos ultraliberais.

 

O abandono escolar das mãos, seja nas artes, nas tecnologias ou demais actividades (que incluem os manga de alpaca modernos e desculpem dito assim, mas é para ser sucinto e para evidenciar que ler, escrever e contar também são feudalizados nos tempos que correm) não salva a maioria silenciosa que não "pensa", nem a legião de operários e de camponeses que só se ouve quando as mãos se tornam bélicas e nem os intelectuais que decretaram, e bem, a mecanização como instrumento feudal. Mas há mais, há ainda os dos achamentos essenciais que prestam vassalagem.

 

Há saídas: há e mal seria se não houvesse. O que falta, é perceber a dignidade das mãos e a sua libertação do estigma da mecanização. Mãos livres. Mas é exactamente o que os promotores dos achamentos essenciais fatalmente não percebem, como descreve Gilles Châtelet (1998:72).

 

 

 

o texto que o expresso não publicou sobre a requalificação

07.09.13

 

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação.

 

 

 

Caro (a) amigo (a)

O semanário Expresso publicou em 24.8.2013 um extenso artigo do Secretário de Estado da Administração Pública sobre a chamada lei de requalificação da Administração em que ele a defendia utilizando um conjunto de inverdades, para não dizer mesmo mentiras. Para reforçar/apoiar a posição do governo, este semanário  enquadrou o artigo com uma longa coluna não assinada, portanto da responsabilidade  do próprio jornal, onde repetia os argumentos do governo sem qualquer análise objetiva.

Como tenho participado como assessor dos sindicatos da Função Pública nas negociações com o governo, e tive de analisar  de uma forma atenta o projeto de lei do governo e suas consequências para os trabalhadores , escrevi um pequeno texto onde procurava repor a verdade, e em nome de uma informação objetiva aos leitores, o que pressupõe o contraditório, solicitei ao diretor do Expresso a publicação do referido texto.

O Expresso optou por não publicá-lo por isso decidi divulgá-lo e para seu conhecimento envio em anexo agradecendo a sua divulgação
Com consideração

Eugénio Rosa
Economista




VAMOS DEIXAR ACONTECER TUDO DE NOVO?

07.09.13

 

 

 

 

"Quando eu era menina (escola primária dos idos anos 60...) só era obrigatório fazer a 4ª classe. Em Lisboa, onde vivia, os meninos menos favorecidos iam então para a "Escola da Câmara", pública, os remediados ou mais tentavam pôr os filhos em colégios, externatos, professores particulares ou outras soluções pagantes e que dessem mais garantias de bem ensinar. A partir do 5º ano, a selecção "natural" (socio-económica...) estruturava as coisas e arrumavam-se os contingentes quase todos entre o mercado de trabalho logo-logo (os "pobrezinhos") e em escolas públicas - para os "remediados" as técnicas, para os que aspiravam a poder ser "doutores" os liceus. Nas técnicas não se aprendia grande coisa de disciplinas humanísticas - línguas ou História e Geografia, por exemplo - nos Liceus nada de prático, como se usar as mãos fosse coisa desprezível. Mas eram maioritariamente escolas públicas e ninguém duvidava da sua qualidade - mal ou bem, cobriam todo o território. Onde era possível, as famílias às vezes arranjavam umas moradas falsas para escolher esta ou aquela escola, mas a memória que tenho é que só os muito "betos" ou (sobretudo) os "betos burros" é que iam para colégios. 

Entrei para a escola pública, como professora, em 1975. E acompanhei por dentro o boom da massificação e a unificação do ensino, todos a aprenderem de tudo, entre disciplinas humanísticas, científicas e práticas, a escola a receber todos e nessa junção se diluir em poucos anos a pesada estratificação social que as crianças sabiam (sentiam) no tempo da ditadura. Ficou na memória local a diferenciação entre as "escolas técnicas " e os "liceus" mas a escola pública fez um percurso lindo de se ver e viver, na afirmação da qualidade e na integração social. Foi uma alegria participar desses tempos.

Sou professora da Escola Pública desde então, já lá vão 38 anos. E de repente esta nova inversão de valores e a sensação de se estar a fazer um recuo social de cinco décadas: tudo se faz para que as famílias sejam convencidas que é nos "privados" que as crianças serão mais bem ensinadas / encaminhadas. 
Que ninguém se iluda: todas as medidas recentes apontam para uma nova guetização do ensino público, com o empobrecimento da oferta educativa, a redução do número de professores, o encaminhamento aliciante para "colégios" e quejandos que oferecem risonhos futuros aos pimpolhos. Por este andar - acredito que é isso que se quer, na cabeça destes nossos mandantes - só quem não tiver escolha ficará.

Andamos para trás 50 anos e destruímos pelo caminho gerações de professores que trabalhavam com esforço e criatividade para TODOS os meninos.

Desculpem o relambório. A memória é coisa estranha. No meu tempo de menina, para a "escola da Câmara" ia-se descalço ou pouco mais e de lá saía-se para trabalhar, aos 11, 12, 14 anos..


VAMOS DEIXAR ACONTECER TUDO DE NOVO?


Clara Botelho (Caldas da Rainha)"