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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

das autárquicas pelas caldas da rainha

30.09.13

 

 

 

 

 

A lei de limitação de mandatos impediu o PSD das Caldas da Rainha, e ao fim de 27 anos, de apresentar o mesmo candidato ao executivo camarário e as esperanças da oposição consolidaram-se com a queda livre do Governo PSD+CDS.


Vivo por cá desde 1989 e só conheci um presidente de Câmara. As contundentes críticas da oposição (alguma mais aparelhística e instalada justifica com as intempéries os sucessivos insucessos) remetiam para o referido dinossáurio a impossibilidade de mudança. Afinal, o PSD manteve a maioria no executivo camarário.

 

Sempre encontrei algumas semelhanças políticas entre as Caldas da Rainha e a Madeira. É claro que as Caldas da Rainha são uma espécie de segunda divisão, uma mini-Madeira se se quiser, mas uma Madeira.

 

Nestas eleições, o Expresso regista uma revolução anti-PSD na Madeira. A oposição uniu-se de forma inteligente e, ao que parece, desprendida. Surgiram movimentos apoiados pelos partidos e estes não apresentaram candidaturas. Já nem refiro o Funchal, que embora tendo seguido a estratégia tem uma dimensão eleitoral maior do que as Caldas da Rainha. Observo o caso de Santa Cruz que tem um número de eleitores semelhante.

 

 

 

 

 

Se olharmos para os resultados comparativos de 2009 e 2013 para o executivo camarário, registamos os factos da mudança. A união da oposição apenas não conseguiu as boas graças do PCP-PEV e do PAN e obteve um vitória concludente.

 

 

 

 

Façamos o mesmo exercício comparativo, até com mais detalhe, nas Caldas da Rainha para o executivo camarário.

 

O PSD, que parece indicar uma erosão já manifestada na atribulada escolha do candidato, perdeu cerca de 2000 votos nos 11130 registados em 2009. Existem os factores externos registados no país, que indicam uma transferência de votos para o PS dos eleitores que penalizam os partidos e pouco se interessam com os candidatos, mas é uma perda importante.

 

O PS, que em 2009 tinha registado o seu pior resultado de sempre no concelho (os responsáveis alegam com a variável "desgaste do socratismo"), conseguiu ainda menos votos contrariando a tendência nacional destas eleições. O CDS e o BE tiveram quedas significativas motivadas por factores externos, com mais incidência no 1º caso. A CDU melhorou a votação e a "novidade" dos "Independentes" quase que conseguiu eleger um vereador.

 

Se fizermos uma soma aritmética a pensarmos no exemplo de Santa Cruz, e sabemos que estas coisas vão para além das somas simplistas, a oposição teria vencido a eleição para presidente de Câmara.

 

Tenho algum conhecimento dos motivos que levam a que cada um fique entregue a si próprio. Ao longo dos anos, ouvi conversas sobre autárquicas nos partidos da esquerda, nos independentes e nos descontentes do PSD. São processos naturais nos meios pequenos. Sempre que lhes falei na "hipótese Santa Cruz" (até sugerindo nomes que me pareciam aglutinar vontades para liderarem o processo), verificava que a substância das corridas evitava entendimentos sobrevalorizando a condição "de primeiro ou primeira". Os aparelhos partidários também não se interessavam pela ideia de conjunto porque, e de certa forma, estava "institucionalizado o carreirismo exclusivo". Lamenta-se. A alternância é fundamental à gestão democrática. Há outros motivos de ordem histórica que deixarei para outro post.

 

E a exemplo do país, os votos brancos e nulos não param de aumentar.

 

 

 

 

 

 

 

 

de desgraça em desgraça

30.09.13

 

 

 

 

As opiniões são conclusivas: as eleições locais de ontem registaram uma onda de protesto em relação aos partidos políticos que suportam o Governo. Apesar de ser muito difícil retirar conclusões nacionais dos resultados, é evidente que os candidatos autárquicos dos partidos da oposição tinham condições muito favoráveis com a prestação desastrosa de Passos e Portas.

 

Há muito que o Governo está em queda livre. As políticas para o sistema escolar revelam sinas muito preocupantes. O absentismo e o abandono escolar já são a segunda maior ameaça a menores e o armazenamento nas salas de aula terá resultados semelhantes.

 

 

está, finalmente, explicado o enigma para a prevalência da tortuosidade

29.09.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Utilizo computadores da Apple desde 1986. Para além do design arrojado, o que mais me seduziu foi o sistema operativo e as aplicações associadas. A génese simples, amigável, intuitiva, descomplicada, poderosa para a organização de sistemas de informação, fiável, sem vírus e por aí fora garantiram a fidelidade. A base de dados Filemaker, por exemplo, tem-me acompanhado como oxigénio profissional.

 

A utilização Apple em Portugal foi sempre minoritária. Foram anos de muita paciência a ouvir os concorrentes da Microsoft: a Apple é informática-para-tótós, as janelas e pastas são cantos de sereia do design, nada de profundo se faz com esse software e por aí fora.

 

Por volta de 1990 testei as dúvidas e concluí: para ligar um computador, clicar no rato e usar teclas até começar a escrever um texto, num Apple fazia 5 operações e num "PC" mais de quarenta. O fenómeno agudizou-se ao longo dos anos e ficava perplexo com a paixão exclusiva do pessoal da Microsoft que nem se atrevia a tocar num Apple

 

E não se julge que esta explicação não influenciou a manutenção da má burocracia que acompanha o sistema escolar na passagem para o digital. A saga do que se pode "fazer-com-um-clique-é-feito-com-10-ou-20", arrastou a cultura organizacional, e os raciocínios subjacentes, para o comprovado "inferno".

 

Bill Gates deu finalmente a explicação que o Ionline registou ontem. A tortuosidade começou cedo e no famoso control+alt+delete. O co-fundador da Microsoft assume o erro. São três teclas em vez de uma. A coisa disseminou-se e foi o que se sabe.

 

 

"Bill Gates admite que que a criação do Ctrl+Alt+Delete, que permitia a efectuar de forma segura o login num sistema Windows, foi um erro.

Numa conferência na Universidade de Harvard, o co-fundador da Microsoft admitiu que esse atalho, que implica pressionar três botões ao mesmo tempo para entrar num sistema operativo e que actualmente é mais usado para aceder aos comandos de reinicialização e de gestão de tarefas, não é prático e que a sua criação “foi um erro”.

Gates atribuiu responsabilidades à IBM e afirmou que poderia ter sido criado apenas um botão se um funcionário daquela marca de computadores não tivesse insistido naquela sequência."





a manipulação está no auge

29.09.13

 

 

 

 

 

A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, a corrupção e as fortes influências dos mentores, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais instalados em países do eurogrupo, as diversas campanhas eleitorais, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados, os jogos de sombras do bloco central e por aí fora, são alguma das inúmeras razões que transportam a manipulação para um estado de vale tudo.

 

A primeira página do Público de ontem é elucidativa do desnorte que se apoderou do quarto poder.

 

Não me esqueço das 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Recordo as 4 primeiras.

 

 

"1- A estratégia da manipulação.

O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

2- Criar problemas e depois oferecer soluções.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da gradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A estratégia do diferido.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."



coisas muito boas

28.09.13

 

 

 

 

 

Decorreu em Bordéus, de 15 a 20 de Setembro de 2013, a "The Seventh International Congress on Advanced Electromagnetic Materials in Microwaves and Optics – Metamaterials 2013".

 

Como se pode ver no programa, participaram investigadores das principais universidades distribuídos do modo que se pode ver a seguir.

 

 

 

 

A competição de "papers" de investigação registou a inscrição de centenas de investigadores doutorandos. A Filipa Isabel Rodrigues Prudêncio esteve em competição e alcançou um resultado excelente (3º lugar).

 

Pode consultar o quadro que regista o esforço e o empenhamento da Filipa.

 

 

 

empobrecer e desistir (2)

28.09.13

 

 

 

 

 

 

Este ministro da Educação é risível. Vai promover um inquérito para saber as causas do óbvio. Por este andar, não será apenas no superior que o plano inclinado se sentirá.

 

 

Em 18 de Setembro de 2013 escrevi assim sem ter consultado os resultados de um qualquer inquérito:

 

 

Os números não enganam: temos menos alunos no ensino superior, menos alunos no ensino regular completo do ensino secundário e do 3º ciclo e se o desmiolo continuar teremos menos alunos no 2º ciclo por via do ensino dual precoce. Estamos a empobrecer e a desistir da Educação. Para além disso, devíamos ter vergonha com o armazenamento de alunos nas salas de aula, com a preguiça para antecipar os problemas e por não combatermos mesmo (veja-se o caso inglês no primeiro ciclo e a relação com a epifania Cambridge) o insucesso escolar no pré-escolar e no 1º ciclo.

 

Que não existam dúvidas: mais anos de frequência no ensino regular completo é o único indicador do avanço civilizacional de uma sociedade. É aí que se estabelece a igualdade de oportunidades. Só a ingratidão de uma sociedade endinheirada, a mais formada de sempre pela escola pública, é que nega a evidência. Não adianta argumentar com o mercado de trabalho: os alunos do ensino regular completo conseguem, em poucos meses, adquirir as competências e os conteúdos da maioria dos cursos profissionais, CEF´s e dual.

 

O que mais impressiona neste processo de exclusão é que até os professores são atingidos pela voracidade. Os professores estão a desistir há anos a fio. Em Portugal é-se politicamente incorrecto por se pronunciar inclusão ou combate ao abandono escolar. Uma sociedade exclusiva, pobre e imatura elimina essas expressões caras ao desenvolvimento.

 

 

 

não deixem que alguém seja esquecido!

28.09.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Expresso diz assim:

 

 

"Excerto do discurso proferido por Malala Yousafzai na cerimónia de entrega do galardão "Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional", em Dublin, Irlanda, a 17 de setembro de 2013. Malala ficou conhecida no ano passado, quando levou um tiro na cabeça por defender no seu blogue o direito das raparigas à educação no Paquistão. Sobreviveu e hoje é uma fervorosa ativista."


"(...)Gostaria de agradecer à Amnistia Internacional pelo seu continuado trabalho de proteção dos direitos humanos e por me dar esta distinção pela nossa campanha global em nome da educação das raparigas. É com a maior humildade que partilho hoje este galardão com o não só Rei do Calypso, mas também rei das campanhas pelos direitos humanos em todo o mundo. Tem a minha profunda admiração, Sr. Harry Belafonte.


Caros irmãos e irmãs, como muitos de vós saberão, o meu amado país natal, o Paquistão, e os seus cidadãos estão a sofrer nas mãos de violentos terroristas. A guerra continua a ser travada contra civis inocentes do Afeganistão, enquanto raparigas de todo o mundo são privadas do seu direito básico à educação. Raparigas como Sambul, de 5 anos, são vítimas de violência sexual. Defensores dos direitos humanos são mortos, como Sushmita Banerjee, uma profissional da saúde e autora morta a tiro no Afeganistão. Podemos ver que na Síria as pessoas estão sem abrigo e as crianças fora da escola. Na Índia as crianças são vítimas de trabalho infantil e de tráfico de menores.

Em muitos países, as mulheres têm sido vítimas de abuso sexual, casamentos precoces forçados e trabalho doméstico. Não são aceites como seres humanos, mas são vistas como seres inferiores, negligenciadas e marginalizadas. As mulheres são privadas dos seus direitos básicos à igualdade e à justiça. Eu poderia continuar indefinidamente a falar das atrocidades e das violações dos direitos humanos que ocorrem a cada hora, a cada minuto e a cada segundo, de cada dia que passa.


Eu sei que cada vez que uma pessoa chega e dá um discurso, a audiência bate palmas e a coisa acaba ali. Caros irmãos e irmãs, não estou aqui para vos explicar em detalhe os problemas com que nos deparamos, pelo contrário, estamos aqui todos para encontrar uma solução para esses problemas. Todos vocês devem estar a questionar-se: qual é a solução? Creio que a única solução é a educação... a educação... a educação!

Com esta poderosa arma podemos combater a violência, o terrorismo, o trabalho infantil e a desigualdade. As únicas ferramentas necessárias são uma caneta e um livro, para nos guiarem rumo a um futuro esclarecido para todos e para cada um.  


Hoje, gostaria de pedir a cada um de vós que fizesse uma pequena coisa. Esta pequena coisa é levarem uma caneta ao papel e pedirem aos vossos governos que se foquem na educação e que tomem medidas práticas.


É vital que a educação seja a sua primeira prioridade.


Quero viver num mundo em que a escolaridade obrigatória gratuita esteja disponível em todo o lado, para todas as crianças."








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