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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

atributos essenciais da terceiro-mundialização

09.08.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Como é que se deve interpretar a absolutização da busca do lugar cimeiro, e a qualquer preço, nos rankings escolares num país com 27% de abandono escolar precoce, com 3 milhões de pessoas que não concluíram os 9 anos de escolaridade e em que 1 milhão e meio das pessoas que ultrapassaram essa barreira não obtiveram o diploma de conclusão do ensino secundário?

 

Interpreto as evidências de exclusão como um grave sintoma de terceiro-mundialização, que dá corpo ao empobrecimento que preenche a mente dos nossos governantes e que instituiu um salve-se quem puder a que ninguém escapa. Um empobrecimento exige mais inclusão e só sociedades ausentes e imaturas é que reagem em sentido inverso.

 

Não há muitos anos (já neste milénio, seguramente), as escolas portuguesas orgulhavam-se, naturalmente, pela integração de alunos com necessidades educativas especiais e pela redução do abandono escolar. Os bons resultados são reconhecidos. A igualdade de oportunidades era uma pública virtude (nem sempre um vício privado, sabemos isso) própria de uma democracia que se esforçava por acompanhar os países mais desenvolvidos onde os rankings escolares são assuntos sérios tratados com competência docimológica e integrados na avaliação das organizações e dos sistemas escolares.

 

Nós cedemos à cíclica tentação para o empobrecimento empurrados por uma "elite" que se cansa com facilidade com os "gastos" na escolarização para todos.

 

Os episódios da caça ao ranking recordam-me aqueles países do terceiro mundo onde as crianças são pobres e sem escolaridade e em que os "talentos precoces" e os filhos dos endinheirados são internados em "centros de alto rendimento" ou "academias desportivas (repare-se no "academia")". Nessas sociedades, os filhos do pessoal da oligarquia frequentam colégios e universidades da Commonwealth e regressam aos países de origem com um devorador apetite financeiro ultraliberal. Por cá já vai acontecendo o mesmo com essa parolice dos MBA's na estranja que garantem o acesso aos negócios do J. P. Morgan e do Goldman Sachs com os "complexos" produtos tipo Swaps no caderno de encargos.