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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do balanço da greve (1)

25.06.13

 

 

 

 

Se, como se disse (e por todos os presentes na mesa de negociações) e se escreveu, o novo conceito de serviço lectivo (e não me esqueço das direcções de turma como serviço lectivo) é aplicado a todos os professores, e não apenas aos que têm horário zero, na primeira distribuição de serviço lectivo, o balanço das greves é muito positivo. É evidente que ficaram intocáveis questões fundamentais: número de alunos por turma, cortes curriculares, mega-agrupamentos e mais profundamente a privatização do sistema escolar. É também evidente que o novo conceito de serviço lectivo requer uma sólida regulamentação para que não seja pulverizado a qualquer momento. E é claro: mais cedo ou mais tarde voltaremos a esta luta a não ser que o mundo leve uma grande mudança.

 

E os professores mais graduados podem ver na sua componente lectiva outro serviço que não seja directamente com turmas? Podem e alguns não gostarão. Mas também haverá professores que podem deixar de ter 10 turmas e 300 alunos e preferirão outro serviço lectivo. E não nos podemos esquecer que no conceito mega haverá mais professores em mobildade (a saltar de escola em escola) do que no presente.

 

Resumindo: o que no ano passado foi incluído à posteriori apenas para os professores com horário zero, este ano é para todos e à priori (na primeira distribuição de serviço lectivo). Basta pensar um bocado para perceber o alcance desta alteração para todos os professores; os do quadro e os contratados.

 

É ainda evidente que vamos estar atentos ao modo como tudo isto se operacionaliza.

 

 

então e a ocde, pá?

25.06.13

 

 

 

 

 

O relatório da OCDE, "Education at a Glance 2013", é duma redundância que até cansa: Portugal ocupa o último lugar nas pessoas, com idades entre os 25 e os 64, que não completaram o ensino secundário como se pode ver no gráfico.

 

Estamos fartos de repetir esta evidência que exige mais investimento na Educação. Espero fazer brevemente um post sobre a relação de quatro variáveis do ensino secundário: a oferta, a lógica de mercado, as aspirações dos nossos jovens e o perturbante retrocesso civilizacional.

 

 

 

dos professores na linha da frente

25.06.13

 

 

 

 

É histórica esta lição de cidadania dos professores portugueses. É bom que não nos esqueçamos que isto só foi possível porque se impôs mais uma vez a força da razão e porque os professores não são instrumentalizáveis. 

 

Escolhi o vídeo com as declarações do líder da Fenprof. Ouvindo com atenção, percebe-se a dimensão do que foi conseguido que vai ao ponto do novo conceito de serviço lectivo ser aplicado a todos os professores, e não apenas aos que têm horário zero, e das direcções de turma continuarem onde estavam tendo mesmo passado para 100 minutos.

 

Escrevi há tempos que os professores estavam na linha da frente no confronto dos funcionários públicos com este Governo. Até compreendo, embora com falta de pachorra e o estado a que chegámos é elucidativo, que a luta pelo poder tenha um tacticismo macro. Mas não é uma estratégia acertada, a pensar no presente e também no futuro, não atribuir de imediato aos professores uma vitória justa e inquestionável e dá argumentos injustos aos que advogam a instrumentalização dos professores. É que, para além de tudo, estas coisas infantilizam a atmosfera e quem está pelas escolas não aprecia nada a ideia; mais ainda após três semanas de greve às avaliações, de mais uma histórica manifestação e de uma difícil greve aos exames.

 

 

 

e continua

25.06.13

 

 

 

Continuamos a assistir à maior transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta com base na corrupção. A preocupação com a despesa é uma ideia responsável, naturalmente, mas as tais "reformas estruturais" servem em grande parte os interesses definidos na primeira frase.

 

Repare-se nesta notícia da banca irlandesa que não será muito diferente do se passou, e passa, em Portugal.