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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos 60 kms

24.06.13

 

 

 

 

Temos de esperar para saber o que se jogou na mesa negocial. Se as duas questões acordadas forem a mobilidade geográfica agravada do actual concelho para 60 kms (os 200 kms iniciais foram um ponto de partida negocial) para os professores dos quadros de escola ou agrupamento, esta não é compensada com a garantia das 5 horas de trabalho individual na passagem para as 40 horas.

 

É evidente que existirão alguns avanços se a requalificação não se aplicar aos professores e se os quadros de zona pedagógica não forem da dimensão proposta pelo MEC.

 

Mas não nos esqueçamos: haverá, se for isto o acordado, mais um despedimento de milhares de contratados.

 

E sem querer maçar muito os leitores com números, podemos fazer um pequeno balanço. Um professor contratado é um investimento de 18000 euros anuais, com subsídios, claro, e 5000 professores equivalem a 90 milhões de euros o que é uma migalha se comparado com os boys e com as prebendas de nomeação política, com os estudos encomendados pelo MEC para mais do mesmo e já nem vou às PPP´s e por aí fora. O que está em causa é o modelo radical de Estado mínimo na lógica thatcheriana. Estas questões servem para ir cortando a coluna vertebral dos que resistem. É um jogo de poder em que o que mais conta é simbólico e onde as pessoas são também migalhas.

 

Os cortes a eito no sistema escolar e a transversalidade das carreiras dos funcionários públicos (como se professores, polícias, médicos, enfermeiros, administrativos e por aí fora fosse tudo a mesma profissionalidade) têm, a par do nivelamento do público pelo privado, um único objectivo: cortar nas pessoas, nos salários e nos direitos para que a precarização permita a privatização e o alargamento do negócio nos serviços do Estado. Os modelos Pingo Doce ou Continente são os que se advogam para a gestão de pessoas ao serviço do Estado. Ainda não é a China, mas lá chegaremos. No caso do sistema escolar, o modelo GPS é o exemplo a seguir por estes ultraliberais que estão, desde 2007 (lembram-se da New Public Management tão cara à terceira via socialista?), a dar passos em frente.

 

Espero que, e apesar da lição de cidadania dos professores, não dêem hoje mais um.

 

Há um optimismo que me anima: os professores, e a defesa do seu emprego é também em nome da escola pública, ganharam no argumentário e isso é um sinal de esperança para o futuro. Se a Educação para todos é uma prioridade, este imperativo não se faz sem professores.

 

 

 

 

do país de tanga

24.06.13

 

 

 

 

 

 

 

Quando, em 2003, a Cimeira das Lajes decretou a Guerra no Iraque, o que se sabia do pensamento político de Durão Barroso é o que vai ler mais abaixo. Era primeiro-ministro de Portugal e tentava aplicar um modelo ultraliberal-thatcheriano assente na institucionalização do medo através do "país de tanga" e de mais uma série de "mensagens" proferidas numa inenarrável campanha eleitoral.

 

Os assinantes da invasão do Iraque foram engolidos pela tragédia. Bush, Blair e Aznar duraram pouco, mas o lusitano Barroso, que fugiu do seu país por impreparação, foi promovido a presidente da comissão europeia. Estranho, muito estranho mesmo. Os Chernes, e outros peixes de águas profundas a quem nunca se conhece um pensamento público, são figuras normalmente trágicas. Dez anos depois a Europa está como está e o balanço até arrepia.

 

 

 

 

 

 

Mas voltemos então ao tal pensamento político, que recebi por email, enquadrado numa organização onde também militava Nuno Crato. Apesar de tudo, também temos direito à diversão.

 

"O grande Estaline.


"As obras teóricas do grande Estaline são contribuições valiosas. Por elas estudaram e estudam o marxismo-leninismo milhões de operários em todo o Mundo. Com elas o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia educaram os seus quadros, com elas formaram milhares de bolcheviques na União Soviética. (...)

O camarada Estaline está demasiado vivo nos corações de todos os explorados e oprimidos do mundo inteiro para que oportunista algum o possa fazer esquecer. A vida, a obra, a atividade do grande Estaline pertencem aos Comunistas de todo o mundo e não apenas aos soviéticos, pertencem à classe operária e não apenas ao povo da URSS.

Na pátria do Socialismo, a União Soviética, o Socialismo vencerá, uma nova revolução surgirá tarde ou cedo. Os autênticos comunistas soviéticos já se organizaram e, juntamente com a classe operária e o povo da URSS, erguerão bem alto a bandeira vermelha de Estaline, instaurando de novo o poder proletário.

Força alguma o poderá evitar. QUE VIVA ESTALINE!".

 

Este artigo foi assinado pelo camarada Abel, no "Luta Popular" de Setembro de 1975. O camarada Abel era, à época, o jovem José Manuel Durão Barroso, militante do MRPP. e agora militante do PSD, ex-primeiro-ministro e atual presidente da Comissão Europeia."

 

 

 

leituras digitais

24.06.13

 

 

 

 

 

Lá me vou rendendo às "leituras digitais" com a vantagem de aceder a uma impressionante quantidade de informação complementar. Também se tem de considerar a possibilidade de andar sempre com muitos livros.

 

Da lista que me acompanha aconselho, para os apaixonados, e até para quem se queira aventurar, pela obra de Marcel Proust, o livro de Mega Ferreira. Não tem grandes novidades, mas é interessante. É, a par do assombroso "Guerra e Paz", um dos não gratuitos mas custa menos do que uma bica em muitos salões.

 

 

 

 

gente perigosa (2)

24.06.13

 

 

 

 

Fiz há uns tempos um post sobre uma entrevista na TSF do SE Hélder Rosalino com a seguinte conclusão: "(...)Rosalino disse que é o decisor primeiro da vida profissional de milhares de funcionários públicos e está em roda livre. Rosalino é um ultraliberal e até é das acusações mais brandas que se repetem. Compreendo-as melhor agora. O que mais me impressionou na entrevista foi o entusiasmo com que disse: "gosto de gerir pessoas"; algo que qualquer "gestor de pessoas" da France Telecom não desdenharia.(...)"

 

Hoje é um dia fundamental na mesa de negociações entre Governo e sindicatos de professores. Vamos entrar na terceira semana de greve, mas nada faz demover o ultraliberal Rosalino. Hoje deu sinal de vida e fez uns avisos em forma de dissertação. É mais um sabe tudo, um tudólogo.