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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

duplo há

16.06.13

 

 

 

 

Barroso queixou-se porque as agências de raiting não mudam a classificação de Portugal com o regresso aos mercados. Como essas agências são muito prospectivas, devem ter considerado que com Nuno Crato no MEC a nossa pontuação passaria para um duplo HÁ e o H (de Homem, de Honestidade, de Honradez e por aí fora) não faz parte da nomenclatura.

 

Amanhã há greve e há exame. É mesmo triste e quase diabólico que tudo o que o nosso país conseguiu, com o esforço de tantos, nas últimas décadas no sistema escolar se vá desmoronando às mãos do radicalismo ideológico do estado mínimo e que se afirmou para além da troika.

 

 

saturados mas firmes

16.06.13

 

 

 

 

 

 

Se há cinco anos foram mais de 120 mil, ontem estiveram cerca de 80 mil a descer a Avenida com o nome mais adequado ao que está em causa: Liberdade. E se trago os números é apenas para evidenciar uma constatação: em 2008 eram cerca de 140 mil professores e hoje são pouco mais de 100 mil.

 

O que mais cansa ouvir é o argumento da instrumentalização dos professores. A essa diabolização, os professores deram uma resposta em defesa dos seus alunos, da qualidade do ensino e da igualdade de oportunidades e com o olhar nos alunos "que não querem aprender" e no abandono escolar. Se a discussão política insistir no jogo argumentativo descrito, a breve prazo não ficará "pedra sobre pedra" nos importantes avanços do nosso sistema escolar nas últimas décadas.

 

É exactamente este o discurso que o cinismo das nossas "elites" não suporta ouvir. O objectivo "reformista" quer a todo o custo ocultar os progressos para abrir espaço à educação como um negócio.

 

A manifestação de ontem foi impressionante. O grito de saturação dos professores exige soluções de curto e médio prazos. Os professores não ignoram o milhão de desempregados do país, já que convivem diariamente com os educandos das pessoas atingidas pelo flagelo neoliberal que só protege outro tormento: a corrupção. Mas os professores também sabem que são o grupo profissional da administração pública que é, há anos a fio, mais devastado pelo desemprego.

 

Os professores estão saturados por serem usados como uma espécie de "carne para canhão" que serve para uns estratosféricos andaram pelo mundo a exibirem os seus modelos excel. Estão saturados, mas firmes; e continuam a dar lições de cidadania.

 

A meio da avenida fiz umas fotos. Quer olhasse na direcção do marquês ou dos restauradores, o registo de um mar de indignação enchia-me de orgulho por ser professor em Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um vídeo com reportagens nos três canais generalistas.