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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

foram avisados, mas a soberba eliminou a audição

12.06.13

 

 

 

 

Quem acompanha a vida das escolas sabia que o clima relacional estava sobreaquecido, que os professores davam os mesmos sinais de saturação que a generalidade da sociedade e que os cortes a eito perpetrados no verão passado tinham deixado marcas profundas e explosivas (os implodidos explodiram, quem diria). São anos a fio neste registo e Nuno Crato, a exemplo de Lurdes Rodrigues, passeava a aura de "estrela financeira" com mais cortes nas pessoas da administração pública com os professores no lugar cimeiro e bem destacado.

 

O ano lectivo decorreu com o ministro nas nuvens, como se comprovou nas recentes declarações sobre os alunos por turma e na entrevista à revista brasileira Veja. Os seus apoios são reduzidos, mas fervorosos. São do género que pode inebriar. Ainda por cima espezinharam (estou a pesar muito bem) a dignidade dos professores portugueses e as inalienáveis conquistas da escola pública. Nesta altura, andam com o argumentário aos papéis. Foi uma barbárie inaudita, realmente. Só que a irresponsabilidade atingiu a vida, e a profissionalidade, de milhares de professores e das suas famílias (sim, onde se incluem milhares de alunos com exames).

 

Apesar das naturais e saudáveis diferenças, os professores têm denominadores comuns, estão unidos e são muitos os que assumiram a ideia de que já não existe mais nada a perder.

 

A mesa negocial nunca deve ser abandonada e espera-se que uma réstia de sensatez ilumine o Governo e o MEC. Como prova disso, a Fenprof solicita negociações suplementares para sexta-feira e a FNE é mais radical e espera que todos os professores faltem à convocatória de dia 17 e ainda não se pronunciou sobre mais qualquer ronda negocial. E, entretanto, a Pró-ordem aderiu à greve do dia 17.

 

 

 

exames - um professor vigilante por aluno?

12.06.13

 

 

 

O Júri Nacional de Exames é agora uma espécie de Colégio Arbitral de recurso com ramificações desconcentradas.

 

 

 

Greve de professores aos exames está a dividir directores

 

"“Não estou a prejudicar a greve, estou a ser justo", diz dirigente de Carcavelos e responsável da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que convocou todos os professores a apresentarem-se ao serviço.(...)"



Ministério convoca todos os professores para estarem nas escolas no dia da greve aos exames


"Orientação foi enviada para as escolas nesta quarta-feira.(...)"




Da pulverização do tempo

12.06.13

 

 

 

 

Carlos Fiolhais escreve hoje uma crónica, no Público, frontalmente contra as greves dos professores. Usa o argumento anti-sindical ("Certas greves são usadas como feitiços e, nesse caso, os dirigentes sindicais portam-se como feiticeiros. Os dirigentes dos sindicatos dos professores estão a usar a greve como feitiço para esconjurar ameaças à "classe docente". Mas pode bem ser que o feitiço se vire contra os feiticeiros"). E continua num registo demolidor para os sindicatos que me escuso de repetir porque não sou dado a redundâncias.

 

Carlos Fiolhais é mais uma pessoa que pensa que os professores são instrumentalizáveis, que não percebe que os sindicatos se limitam a sobreviver e que são empurrados pela força da razão. Carlos Fiolhais devia sentir a dor dos professores se a linguagem tivesse essa capacidade de transmissão. Como a linguagem não o consegue, o investigador devia estagiar numa escola TEIP da periferia de uma grande cidade durante um ano, leccionar turmas com 30 alunos e ser director de turma na componente não lectiva.

 

Mais à frente, Carlos Fiolhais diz assim: "Há males que vêm por bem: pode ser que, cumprindo-se o ditado sobre o feitiço, surja uma Ordem dos Professores que valorize os princípios de ética profissional mais do que os sindicatos". É. Carlos Fiolhais ignora que na origem desta greve estão exactamente princípios de ética profissional. Mas enfim.

 

Sei lá. Como vivemos fora dos tempos de curto, médio e longo prazos (opinião pública, legislatura e constituicão) talvez Carlos Fiolhais quisesse fazer uma gracinha. Como decerto entregou a crónica antes de se saber a decisão do tribunal arbitral sobre os exames, a vertigem do tempo de opinião pública traiu-o numas breves horas. Deve ter sido isso.

do país real

12.06.13

 

 

 

Ontem à noite, na SICN, o Paulo Guinote debateu o estado de sítio no sistema escolar com o ex-ministro Coito dos Santos e com moderação de Ana Lourenço.

 

Ficou bem patente o motivo principal para termos chegado ao estado de protectorado.

 

Um professor bem fundamentado nos argumentos, nos factos e nos números teve de aturar a falta de educação e a impreparação de um ex-ministro que chegou ao ponto de classificar o seu interlocutor como um "professor estranho" por não pertencer a qualquer estrutura sindical ou partidária.

 

É realmente um retrato do país real, em que se vai confirmando que o recrutamento de governantes obedece a critérios muito discutíveis num processo que se arrasta há décadas. À medida que o debate se desenvolvia, aumentava a perplexidade com o baixo nível de um ex-ministro que acabou por se tornar o facto mais relevante do programa e bem elucidativo do desnorte nas hostes da actual maioria.