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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

mas qual mito?

01.05.13

 

 

 

Passos Coelho disse hoje que estava a desfazer o mito de que os juros da dívida (a fatia maior foi feita pela banca e por privados "encostados" às empresas públicas) não descem porque o Governo não quer. Mas que mito é esse? Nunca ouvi tal coisa. Os juros são obras dos credores (os de dentro, os de fora e os intermediários), Passos Coelho estava de acordo e até para além da troika.

 

Vi há pouco as imagens do discurso. Uma coisa tão melancólica que estava a ver que os sindicalistas da UGT desatavam a chorar. As palmas foram fracas porque os presentes já se estão a passar para os do lado. Passos Coelho apareceu arrumadinho, aprumadinho, penteadinho e com aquele jeito inocente e monocórdico de quem está em mais uma homilia. E lá veio a desconstrução do mito que só existiu na sua imaginação. Este género de personagens é um flagelo, sem dúvida.

 

Os dois órgãos de comunicação social de referência que linquei intitulam a coisa de um modo que se desculpa por ser feriado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ensandecem?

01.05.13

 

 

 

 

 

O ministro Álvaro da economia, e é pena mas não encontro um linque, apresentou números - com um brilho nos olhos e um ar de obra feita - estonteantes do ensino dual. Pelo menos os oitenta e tal por cento de empregabilidade (é aconselhável ler este post sentado) ficaram-me na mente.

 

Este ministro é mais uma obra, realmente: nem vou discutir mais uma terraplenagem do que existia com ligação a empresas portuguesas e não alemãs ou suíças (CEF´s, curriculos alternativos, PIEF´s e mais uma parafernália de arriscadas decisões de combate ao abandono escolar); o que mais me espanta é a empregabilidade instantânea.

 

O senhor tomou posse há menos de dois anos, deve ter demorado uns tempos a implementar a epifania, mas já consegue apresentar números estratosféricos de frequência e oitenta e tal por cento de empregabilidade (bem sei que se pode defender com a frequência de dez alunos e com a promessa de oito empregos por um mês que seja) num país com um milhão de desempregados e milhares de jovens adultos forçados a emigrar.

 

Isto recorda-me os comprovadamente tresloucados M. Rodrigues, V. Lemos e J. Sócrates com a má propaganda e a febre eleitoralista que descredibilizaram as novas oportunidades.

 

Aliás, M. Rodrigues escreve no Público uma crónica, "Abril na Educação", com dados certeiros e consensuais na defesa da escola pública. Como é que uma pessoa que começou a arrasar a escola pública escreve um texto destes? Pois é. A nossa bancarrota também tem uma dose de culpa nacional e dá ideia que temos azar com a sucessão de governantes ensandecidos. A sugestão de bipolaridade pode servir para acelerar o despiste médico.

 

Como bem me dizia noutro dia um amigo insuspeito de parcialidades: "O Sócrates precisa mesmo de psiquiatria". Tinha razão. Não é só ele e com todo o respeito pela especialidade médica.