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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

olhar para singapura?

23.04.13

 

 

Nuno Crato acaba de dar um entrevista ao telejornal da RTP1 sobre os programas de matemática e as 12 mil vagas negativas dos professores.

 

Disse que não muda nada nos ditos programas (existem apenas umas simplificações) e sobre o facto dos nossos alunos superaram os da Alemanha e da França justificou-se com a necessidade de se relativizarem os resultados (quem diria) e acrescentou: temos é de olhar para Singapura e para a Coreia do Sul que estão à nossa frente. Ou seja: relativizar é sinónimo de benchmarking só para cima e o limite é a lua. Com esta profunda análise histórica estará a advogar a saída da União Europeia e a adesão a um espaço ainda mais cativante para os austeros com os costumes dos outros? Temos um ministro globalizado, sem dúvida.

 

Desvalorizou as 12 mil vagas negativas e mostrou que sabe pouco, naturalmente, de concursos. Mas disse mais: todos os professores são necessários e ainda no ano passado se falou em 17 mil horários zero e nesta altura são umas poucas centenas. Disse que vai esperar pelas colocações e não foi confrontado com os cortes a eito que nos empurraram para números próximos de 1973.

mais dois lobos

23.04.13

 

 

 

 

 

Vi, ontem à noite, um inenarrável prós e contras destinado à busca de uma solução. Medina Carreira, o não-economista que mais sabe de economia, foi taxativo: a solução é simples, com o dinheiro é sempre assim e para governar o Estado social servia uma "dona de casa". Se o marido diz que está a ganhar menos 2% a mulher sabe que não pode gastar mais 5% na lida da casa. E cumpre. 

 

É. Esta espécie de animador do sistema acentua a sua triste condição. Dá algum dó ver estes machos à antiga portuguesa remeterem a busca de solução para as tarefas domésticas onde se excluem. Ainda havia um friso de primeira fila de mulheres que aplaudia e se ria, coisa que me excluo de classificar. Talvez fosse um riso de tanto dó.

 

Fiz um zap à meia-noite para ver notícias num canal de cabo. A imagem focava ao longe o ex-ministro Mário Lino acompanhado de uma jovem advogada. Percorreram um passeio de uns bons cinquenta metros com o jornalista a resumir o caso face oculta. Mário Lino veio sempre com as mãos nos bolsos enquanto a jovem advogada mal se equilibrava com o transporte de umas três pastas (tinham ar de pesadas). O cavalheiro não se comoveu. As câmaras não entraram no tribunal e passaram de imediato para o fim da sessão. O cenário repetiu-se no regresso a casa de mais um incompreendido.

 

Estava a escolher um título para o post. Esteve para ser um espelho das elites ou o país que temos. Influenciado pelo post anterior fiquei-me por "mais dois lobos".

da luta dos lobos

23.04.13

 

 

 

 

 

 

 

A filósofa espanhola Adela Cortina, está como residente da Universidade do Porto e deu uma interessante entrevista ao Público de Sábado.

 

Escolhi o espaço sobre Educação porque me pareceu que se ajusta ao que se passou nos últimos anos nas nossas escolas quando necessitávamos ainda mais de gestos responsáveis, (autónomos, portanto) solidários a altruístas. Como se sabe, estes valores não se decretam mas os modelos organizacionais podem estimulá-los.

 

Adela Cortina recorreu a uma metáfora de dois lobos, que existem dentro de cada um de nós, usada por um chefe índio.

 

Um lobo concordante e a favor da paz e outro violento e egoísta.

 

É na alimentação que damos aos contendores que tudo se joga. Se queremos professores responsáveis, mobilizados e altruístas temos de confiar neles como pessoas autónomas. Leva tempo, exige uma enorme paciência com os lobos do outro lado, mas os resultados surgem.

 

Falei dos professores porque foi o caso mais flagrante com a sua avaliação e com o modelo de gestão escolar ultraliberal. Podia encontrar inúmeros argumentos semelhantes sobre os alunos e até sobre os cidadãos em geral.

 

O ultraliberalismo estimula o egoísmo, para a propalada prestação de contas usa mecanismos férreos, inaplicáveis, inexequíveis, desumanos e, naturalmente, com péssimos exemplos vindos "de cima". Alimenta o tal lobo egoísta e violento que prevalece num quotidiano que vai das folhas excel aos waps.