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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos equívocos e do racionalismo

21.04.13

 

 

 

 

A última semana ficou marcada pelo inacreditável erro em Excel que já empurrou milhões de pessoas para o desemprego. A tese, de 2010, que afirmava que acima dos 90% de dívida pública a recessão económica seria "irrefutável" prevaleceu como modelo matemático único e em Portugal também.

 

Sem sequer trazer para a discussão o espectro da corrupção que parece dominar o mundo financeiro, podemos considerar uma espécie de confronto entre racionalistas e empiristas.

 

Os primeiros têm vencido a contenda e os segundos não encontram voz que se exprima eleitoralmente. Como cedo se constatou, essa dicotomia expressava-se politicamente na tradicional diferença entre direita e esquerda, estando a principal força eleitoral da esquerda amarrada a esse género de racionalismo através da denominada terceira via.

 

Nos últimos anos assistiu-se há vitória da tecnocracia de gabinete que se foi transformando em tecnopolítica e que sobrepôs os saberes matemáticos à cultura. Foi também assim no sistema escolar com os achamentos curriculares de Nuno Crato.

 

Não será por acaso que se "recupera" Bachelard nos mais variados domínios.

 

 

 

 

 

Gaston Bachelard (1976:11). "Filosofia do Novo Espírito Científico".

Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.

dos cortes curriculares

21.04.13

 

 

 

 

 

Ao contrário das humanidades que foram perdendo espaço curricular, as Artes tornaram-se uma presença nas nossas escolas nas últimas décadas. Teria sido melhor a aposta em ambas. A actualidade quase que eliminou as segundas, sem que com isso se recuperasse o lugar inalienável das primeiras.

 

Os resultados do ensino das Artes podem ser confirmados na sociedade que temos. É até impressionante a qualidade de algumas das actividades decorrentes da generalização desses saberes.

 

Não consigo identificar com rigor o caminho que escolhemos.

 

Falou-se muito de escola cultural, completa ou total e também de ensino integral. Sei que quem acompanhou a vida das escolas nestas décadas, tropeçou amiúde com crianças e jovens despertos para a cultura e sujeitos de um processo que se exprimia, e ainda exprime como se de um último fôlego se tratasse, em imagens como a que escolhi de uma escola portuguesa no ano em curso.

 

É também isso que se vai perdendo com os comprovados equívocos dos desejosos do Estado mínimo. É que basta olhar para o mundo para perceber as vantagens industriais de quem faz da cultura a transversalidade primeira das opções políticas e, como é evidente, educacionais.